O que é o cancro do pâncreas?
Segundo o Manual MSD, a maioria dos tumores malignos do pâncreas são adenocarcinomas. Começam geralmente nas células que revestem o canal pancreático, e a maioria surge na cabeça do pâncreas, a parte mais próxima do primeiro segmento do intestino delgado (duodeno).
Há também tipos raros, como o cistadenocarcinoma, que se desenvolve a partir de um tumor benigno cheio de líquido e tem um prognóstico muito melhor do que o adenocarcinoma, e a neoplasia mucinosa papilar intraductal, que dilata o canal pancreático, produz muco em excesso e causa episódios repetidos de pancreatite; estes tumores podem ser cancerosos ou não.
Quem tem mais risco?
Qualquer pessoa pode ter cancro do pâncreas, e nem sempre é claro o que o causa. Segundo as fontes, o risco é maior com:
- idade acima dos 65 anos; não é muito comum antes dos 40, segundo o NHS;
- tabaco;
- pancreatite crónica;
- obesidade;
- exposição a alguns produtos químicos, como o amianto, o benzeno e os hidrocarbonetos clorados;
- história familiar de cancro do pâncreas.
O Manual MSD refere que o consumo de álcool e de cafeína aparentemente não é um fator de risco. O NHS aconselha, para reduzir o risco, perder peso se tiver excesso de peso, comer menos carne vermelha e processada, como fiambre, bacon e salame, reduzir o álcool a não mais de 14 unidades por semana e deixar de fumar.
Cancro do pâncreas: sintomas
O cancro do pâncreas pode não dar sintomas, ou estes podem ser difíceis de notar. Segundo o NHS, podem incluir:
- branco dos olhos ou pele amarelos (icterícia), com comichão, urina mais escura e fezes mais claras do que o habitual;
- perda de apetite ou de peso sem estar a tentar;
- cansaço ou falta de energia;
- febre, ou sensação de calor, frio ou arrepios;
- náuseas ou vómitos;
- diarreia, prisão de ventre ou outras alterações das fezes;
- dor na parte de cima da barriga e nas costas, que pode piorar ao comer ou deitar e melhorar ao inclinar-se para a frente;
- sintomas de má digestão, como sensação de barriga inchada.
O Manual MSD acrescenta que a dor pode aliviar ao inclinar-se para a frente ou ao encolher-se em posição fetal, e que a perda de peso é comum.
Porque surgem estes sintomas
Segundo o Manual MSD, os sintomas dependem do local do tumor e das funções do pâncreas que afeta:
- Icterícia e comichão: um tumor na cabeça do pâncreas pode bloquear a saída da bílis para o intestino; a comichão resulta de sais biliares depositados na pele.
- Vómitos: o tumor pode bloquear a passagem do conteúdo do estômago para o intestino delgado.
- Diabetes: como as células cancerosas substituem as que produzem insulina, a diabetes surge em até metade das pessoas, com muita sede e urina abundante.
- Má absorção: a falta de enzimas digestivas causa barriga inchada, gases e diarreia gordurosa ou com mau cheiro, com perda de peso e falta de vitaminas.
- Baço aumentado e varizes: tumores no corpo ou na cauda do pâncreas podem bloquear a veia do baço; as varizes no esófago e no estômago podem sangrar.
Quando procurar o médico?
O NHS aconselha pedir uma consulta urgente se:
- o branco dos olhos ou a pele ficarem amarelos;
- estiver a vomitar há mais de 2 dias;
- tiver diarreia há mais de 7 dias.
Deve também consultar o médico de família se perder uma quantidade notória de peso, se outros sintomas piorarem ou não melhorarem ao fim de 2 semanas, ou se tiver uma doença digestiva, como a síndrome do intestino irritável, cujos sintomas mudaram ou não melhoram com o tratamento habitual. Muitos destes sintomas são comuns e têm outras causas; tê-los não significa que se tenha cancro, mas descobri-lo cedo pode tornar o tratamento mais fácil.
O que acontece na consulta
Segundo o NHS, o médico de família pode:
- palpar a barriga;
- pedir uma análise à urina ou ao sangue;
- encaminhar com urgência para um especialista no hospital, se achar que os sintomas podem ser cancro, o que não significa que haja cancro.
O Manual MSD explica que o diagnóstico precoce dos tumores do corpo e da cauda do pâncreas é difícil, porque os sintomas só surgem em fases avançadas e o exame físico e as análises são muitas vezes normais.
Exames para o diagnóstico
Segundo as fontes, os exames podem incluir:
- TC ou ressonância magnética, incluindo um tipo especial chamado colangiopancreatografia por ressonância (CPRM);
- Ecografia (ultrassom) endoscópica: uma pequena sonda na ponta de um endoscópio passa pela boca até ao estômago e ao duodeno, e pode colher uma amostra (biópsia);
- Biópsia com agulha através da pele, guiada por TC ou ecografia;
- Colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE), sobretudo em quem tem icterícia;
- PET, laparoscopia (uma pequena operação para ver o interior da barriga) e análises ao sangue (exames de sangue).
Os resultados podem demorar várias semanas, e servem para saber o tamanho do cancro e até onde se espalhou (o estádio).
Tratamento
O tratamento depende do tamanho, do tipo e do local do cancro, de se ter espalhado e do estado de saúde. Segundo as fontes:
- Cirurgia: é a única esperança de cura, mas só é possível se o cancro não se tiver espalhado; retira-se parte ou, por vezes, todo o pâncreas e partes de órgãos vizinhos. A recuperação pode ser longa.
- Quimioterapia, por vezes com radioterapia, antes ou depois da cirurgia, ou para controlar os sintomas.
- Procedimentos para aliviar sintomas: um stent ou um desvio para desbloquear o canal da bílis ou o duodeno, muitas vezes por endoscopia.
- Cuidados de suporte: enzimas digestivas em comprimidos, analgésicos por grupos, bloqueios dos nervos para dor intensa, medicamentos para as náuseas e insulina, se surgir diabetes.
Uma equipa de especialistas acompanha a pessoa ao longo do tratamento. Quando o cancro não pode ser curado, o tratamento procura limitar a doença e os sintomas e ajudar a viver mais tempo, com o apoio de uma equipa de cuidados paliativos.
Onde as fontes divergem
As duas fontes concordam nos pontos principais, mas diferem em alguns detalhes:
- Fatores de risco. O Manual MSD inclui a obesidade e alguns produtos químicos e diz que o álcool aparentemente não é um fator de risco. O NHS aconselha reduzir o álcool e a carne processada.
- Radioterapia. O NHS diz que a radioterapia não é muito usada no cancro do pâncreas. O Manual MSD refere a quimiorradioterapia antes da cirurgia.
- Sintomas. O NHS dá prazos concretos para consultar. O Manual MSD explica as complicações, como a diabetes e a má absorção.
Pontos-chave sobre o cancro do pâncreas
- A maioria dos cancros do pâncreas começa nas células do canal pancreático.
- Tabaco, pancreatite crónica, obesidade e idade aumentam o risco.
- No início, muitas vezes não dá sintomas ou são difíceis de notar.
- Icterícia, perda de peso e dor na barriga e nas costas devem ser avaliadas.
- TC, ressonância e ecografia endoscópica com biópsia confirmam o diagnóstico.
- A cirurgia, quando possível, é combinada com quimioterapia.
Perguntas frequentes sobre o cancro do pâncreas
Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.
Quais são os primeiros sintomas do cancro do pâncreas?
Muitas vezes não há sintomas no início; podem surgir icterícia, perda de peso, cansaço, dor na barriga e nas costas e alterações digestivas.
O cancro do pâncreas dói?
Pode causar dor na parte de cima da barriga e nas costas, que piora ao comer ou deitar e alivia ao inclinar-se para a frente.
Quem tem mais risco?
Pessoas com mais de 65 anos, que fumam, com pancreatite crónica, obesidade, exposição a alguns químicos ou história familiar.
Porque causa icterícia?
Porque um tumor na cabeça do pâncreas pode bloquear a saída da bílis para o intestino.
Como se diagnostica?
Com TC ou ressonância magnética, seguidas muitas vezes de ecografia endoscópica com biópsia.
Como se trata?
Com cirurgia, quando o cancro não se espalhou, quimioterapia, por vezes radioterapia, e cuidados de suporte para os sintomas.
Fontes
Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.
