O que são as palpitações?
Normalmente não damos pelos batimentos do coração. Nas palpitações, o batimento torna-se percetível e desconfortável, no peito, no pescoço ou na garganta. O NHS descreve que o coração pode parecer:
- acelerado ou a bater muito depressa;
- irregular, com batimentos falhados ou a mais;
- a bater com força;
- a tremer ou a vibrar.
As palpitações podem durar segundos, minutos ou mais. Algumas pessoas acham-nas desagradáveis e alarmantes, mas segundo o Manual MSD raramente indicam uma doença cardíaca de risco de vida.
Causas comuns das palpitações
Muitas vezes, os batimentos rápidos e fortes são uma resposta normal do coração. As causas comuns são:
- exercício intenso;
- emoções fortes, como a ansiedade, o medo ou a dor, e o stress;
- falta de sono;
- álcool, cafeína, nicotina e drogas;
- medicamentos (convém ler o folheto);
- febre, desidratação, tensão arterial (pressão arterial) baixa ou anemia.
O NHS refere que as palpitações podem ser um sinal da menopausa e que algumas pessoas as têm na gravidez. Se as palpitações surgem com ansiedade intensa, pode interessar-lhe o guia sobre crise de ansiedade.
Quando a causa é uma arritmia
Noutros casos, as palpitações resultam de uma perturbação do ritmo do coração (arritmia). As mais comuns são os batimentos prematuros, que costumam surgir em pessoas sem doença cardíaca e são inofensivos. A pessoa sente que o coração falhou um batimento, mas na verdade o que sente é o batimento seguinte, um pouco mais forte.
Outras arritmias, como a fibrilhação (fibrilação) auricular ou certas taquicardias, podem dever-se a doenças cardíacas sérias, como a angina, o ataque cardíaco, problemas das válvulas ou doenças congénitas. Também podem ser causadas por doenças fora do coração, como a tiroide hiperativa, a falta de oxigénio ou de potássio ou magnésio no sangue, e por certas substâncias.
Complicações possíveis
As arritmias que fazem o coração bater muito depressa podem causar complicações, sobretudo nos idosos. Se o coração bater demasiado rápido, pode não bombear sangue suficiente, e a pessoa pode sentir que vai desmaiar, desmaiar ou desenvolver insuficiência cardíaca.
Isto acontece sobretudo em quem já teve insuficiência cardíaca ou um ataque cardíaco. Algumas arritmias, como as taquicardias ventriculares, são instáveis e podem ser perigosas por si só.
Sinais de alerta
O Manual MSD considera preocupantes as palpitações com:
- sensação de desmaio iminente ou desmaio;
- pressão ou dor no peito;
- falta de ar;
- frequência cardíaca acima de 120 ou abaixo de 45 batimentos por minuto;
- doença cardíaca conhecida ou casos na família de morte súbita, desmaios repetidos ou convulsões sem explicação;
- sintomas durante o exercício, sobretudo se houver perda de consciência.
Quem tem palpitações com algum destes sinais, ou palpitações contínuas que pioram, deve ir imediatamente às urgências (pronto-socorro).
Quando procurar ajuda?
- Urgência: se tiver palpitações que não passam ou que vêm com dor no peito, falta de ar, sensação de desmaio ou desmaio. No Brasil, SAMU 192; em Portugal, 112. O NHS aconselha não conduzir até ao hospital.
- Consulta urgente: se já teve esses sintomas mas eles pararam.
- Consulta normal: segundo o NHS, se se sentir bem mas as palpitações voltarem ou forem mais frequentes, durarem mais de alguns minutos, ou se tiver uma doença cardíaca ou familiares com problemas de coração.
O Manual MSD aconselha a quem tem palpitações ocasionais, sem sinais de alerta, a contactar o médico, que decide se é preciso avaliação. Consulte o seu médico.
O que o médico faz
O médico pergunta com que frequência surgem as palpitações, quanto duram, o que as desencadeia ou piora, como o stress, a atividade ou a cafeína, e que medicamentos toma. Às vezes pede para descrever o ritmo, porque o padrão ajuda a encontrar a causa.
No exame, mede o pulso, a temperatura e a tensão arterial, ausculta o coração e os pulmões e examina a tiroide no pescoço. As palpitações acompanhadas de outros sintomas, como falta de ar, dor, fraqueza, cansaço ou desmaios, têm mais probabilidade de se dever a uma arritmia ou a uma doença grave.
Exames e tratamento
- Eletrocardiograma (ECG): se for feito durante as palpitações, o diagnóstico costuma ser claro; se forem intermitentes, pode ser preciso um registo de 24 a 48 horas (Holter) ou mais longo.
- Análises de sangue (exames de sangue): hemograma, potássio, magnésio, cálcio e, se necessário, hormonas da tiroide.
- Outros exames: ecocardiograma, prova de esforço ou estudo eletrofisiológico, conforme o caso.
O tratamento depende da causa e muitas vezes não é necessário. Suspendem-se os medicamentos e substâncias que pioram as palpitações, como a cafeína. Nos batimentos prematuros inofensivos, o médico costuma tranquilizar e, se incomodarem muito, pode receitar um betabloqueador. Outras arritmias tratam-se com medicamentos ou procedimentos, como a ablação, a cardioversão ou um pacemaker com desfibrilhador.
Onde as fontes divergem
As duas fontes concordam nos pontos principais, mas diferem em alguns detalhes:
- Exames. O Manual MSD diz que, embora muitas causas não sejam sérias, em geral fazem-se exames. O NHS diz que muitas vezes as palpitações não precisam de tratamento e refere sobretudo o ECG.
- Causas. O NHS inclui a falta de sono, a menopausa e a gravidez. O Manual MSD detalha as arritmias e as doenças cardíacas e não cardíacas que as causam.
- Idosos. O Manual MSD avisa que os idosos têm mais risco de efeitos secundários dos medicamentos para o ritmo. O NHS não fala deste ponto.
Pontos-chave sobre as palpitações
- Palpitações são batimentos do coração que se tornam percetíveis.
- São comuns e raramente indicam uma doença cardíaca grave.
- Exercício, stress, cafeína, álcool e falta de sono são causas frequentes.
- Dor no peito, falta de ar ou desmaio exigem urgência.
- O ECG é o exame principal para encontrar a causa.
- O tratamento depende da causa e muitas vezes não é preciso.
Perguntas frequentes sobre palpitações
Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.
O que causa palpitações?
Sobretudo exercício, stress e ansiedade, falta de sono, cafeína, álcool, nicotina e alguns medicamentos; às vezes uma arritmia ou outra doença.
As palpitações são perigosas?
Em geral não. São preocupantes se vierem com dor no peito, falta de ar, desmaio ou se não passarem.
A ansiedade pode causar palpitações?
Sim. As emoções fortes, como a ansiedade e o medo, são uma causa comum.
Quando devo ir ao médico por palpitações?
Se voltarem com frequência, durarem mais de alguns minutos ou se tiver doença cardíaca ou casos na família.
Que exames se fazem nas palpitações?
Sobretudo um eletrocardiograma, às vezes com registo de 24 horas ou mais, e análises de sangue.
Como se tratam as palpitações?
Depende da causa. Muitas vezes basta evitar o stress, o tabaco, a cafeína e o álcool.
Fontes
Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.
