O que é a taquicardia supraventricular?
Normalmente, o batimento do coração começa num sinal elétrico do nódulo sinusal, que passa pelas aurículas, as câmaras de cima, e depois desce para os ventrículos, as câmaras de baixo. Na taquicardia supraventricular, um problema nesse sistema elétrico, acima dos ventrículos, faz o coração bater de repente muito depressa.
Chama-se também taquicardia paroxística supraventricular; «paroxística» quer dizer que surge de vez em quando, em crises. O Manual MSD descreve uma frequência uniforme e rápida, de 160 a 220 batimentos por minuto. O NHS lembra que o normal em repouso é 60 a 100 batimentos por minuto.
Porque acontece?
A crise pode ser desencadeada por um batimento prematuro que ativa repetidamente o coração a um ritmo acelerado. Isto deve-se a diferentes alterações com que a pessoa nasce:
- duas vias elétricas no nódulo auriculoventricular, a «caixa de ligação» entre aurículas e ventrículos;
- uma via elétrica anormal a mais entre as aurículas e os ventrículos, como na síndrome de Wolff-Parkinson-White, que causa muitas vezes sintomas em jovens e bebés;
- muito menos vezes, impulsos rápidos anormais gerados nas aurículas.
A MedlinePlus refere ainda doses demasiado altas de um medicamento para o coração como causa possível. Fora das crises, o coração costuma ser normal.
Quem tem e o que desencadeia as crises
A taquicardia supraventricular pode surgir em qualquer idade, mas começa muitas vezes nas crianças e nos jovens adultos. Segundo o NHS, muitas pessoas têm os primeiros sintomas entre os 25 e os 40 anos. Pode acontecer em repouso ou durante exercício intenso.
Os fatores que podem desencadear crises ou aumentar o risco são:
- a cafeína;
- o álcool;
- o tabaco;
- as drogas, sobretudo as estimulantes.
Muitas vezes, porém, não há nenhum desencadeante evidente.
Taquicardia supraventricular: sintomas
Os sintomas começam e acabam de repente. As crises duram geralmente alguns minutos, mas podem durar várias horas, e podem surgir várias vezes por dia ou uma vez por ano. O sintoma principal é sentir o coração a bater forte ou acelerado (palpitações). Podem surgir também:
- dor, aperto ou desconforto no peito;
- falta de ar;
- fraqueza, cansaço ou ansiedade;
- cabeça leve, tonturas ou desorientação;
- por vezes, desmaio.
Algumas pessoas não têm mais nenhum sintoma além do coração acelerado.
Quando procurar ajuda?
Se tiver crises repetidas de coração acelerado, consulte o médico para investigar. A MedlinePlus aconselha contactar o médico se a sensação de coração acelerado não passar sozinha em poucos minutos, se as crises voltarem muitas vezes ou se surgirem sintomas novos, sobretudo em quem tem outras doenças do coração.
É preciso ajuda urgente (no Brasil, SAMU 192; em Portugal, 112) se:
- já tem o diagnóstico e a crise está a durar mais do que o habitual;
- tem o coração acelerado com falta de ar, dor no peito ou sensação de desmaio.
Nesses casos é preciso tratamento no hospital de imediato. Não vá a conduzir até às urgências (pronto-socorro). O Manual MSD aconselha também procurar ajuda médica se as manobras não resultarem ou se a crise durar mais de 20 minutos.
Como se diagnostica?
O diagnóstico confirma-se com um eletrocardiograma (ECG), de preferência feito durante os sintomas. Durante uma crise, o exame físico mostra uma frequência cardíaca rápida, por vezes acima de 250 batimentos por minuto, e pulsações fortes no pescoço.
Como as crises vão e vêm, pode ser preciso usar um monitor Holter durante 24 horas ou outro aparelho que registe o ritmo durante mais tempo. Por vezes faz-se um estudo eletrofisiológico, para um diagnóstico exato e para escolher o melhor tratamento.
Manobras para parar uma crise
As crises podem muitas vezes ser interrompidas com técnicas que estimulam o nervo vago e abrandam o coração. São mais eficazes logo no início da crise. Geralmente são ensinadas ou supervisionadas por um médico, embora quem tem crises frequentes aprenda a fazê-las. As fontes descrevem:
- Manobra de Valsalva: suster a respiração e fazer força, como se estivesse a evacuar com dificuldade;
- Tossir em posição sentada, com o tronco inclinado para a frente, segundo a MedlinePlus;
- Água gelada: mergulhar a cara numa taça de água gelada ou salpicá-la;
- Massagem do pescoço logo abaixo do ângulo do maxilar, que o Manual MSD refere entre as técnicas feitas com orientação médica.
Se as crises forem curtas e não incomodarem, pode não ser preciso tratamento. Reduzir a cafeína e o álcool e deixar de fumar diminui a probabilidade de crises. Veja o guia deixar de fumar.
Tratamento no hospital e ablação
Se as manobras não resultarem, o médico consegue geralmente parar a crise com um medicamento antiarrítmico dado pela veia. Raramente, é preciso uma cardioversão, um pequeno choque elétrico que repõe o ritmo normal.
Prevenir as crises é mais difícil do que tratá-las. Quando são frequentes ou incómodas:
- Ablação por cateter: tubos finos são levados por uma veia ou artéria até ao coração e destroem, com calor, frio ou outra energia, o pequeno tecido que inicia a taquicardia. É hoje o tratamento de escolha e resolve o problema de forma permanente na maioria das pessoas.
- Medicamentos diários para o ritmo cardíaco, quando a ablação não pode ser feita.
- Pacemaker ou cirurgia, apenas em casos raros, segundo a MedlinePlus.
Onde as fontes divergem
As fontes concordam nos pontos principais, mas diferem em alguns detalhes:
- Frequência cardíaca. O Manual MSD fala de 160 a 220 batimentos por minuto. O NHS diz acima de 100, e a MedlinePlus refere que pode passar de 250.
- Manobras. O Manual MSD inclui a massagem do pescoço. A MedlinePlus inclui tossir inclinado para a frente. O NHS diz apenas que o médico pode recomendar técnicas simples.
- Idade. O Manual MSD diz que é mais frequente em jovens. O NHS situa os primeiros sintomas sobretudo entre os 25 e os 40 anos.
Pontos-chave sobre a taquicardia supraventricular
- A taquicardia supraventricular faz o coração bater de repente muito depressa.
- As crises começam e acabam subitamente e duram minutos a horas.
- Deve-se a vias elétricas anormais com que a pessoa nasce.
- Raramente põe a vida em risco, mas pode ser muito incómoda.
- Manobras como a de Valsalva ou a água gelada podem parar as crises.
- A ablação por cateter resolve o problema na maioria das pessoas.
Perguntas frequentes sobre a taquicardia supraventricular
Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.
A taquicardia supraventricular é perigosa?
Raramente põe a vida em risco e é mais incómoda do que perigosa, mas com outras doenças do coração pode causar insuficiência cardíaca ou angina.
Quanto tempo dura uma crise?
Geralmente alguns minutos, mas pode durar várias horas.
O que pode desencadear uma crise?
A cafeína, o álcool, o tabaco e as drogas estimulantes; muitas vezes não há desencadeante evidente.
O que é a manobra de Valsalva?
É suster a respiração e fazer força, como ao evacuar; estimula o nervo vago e pode abrandar o coração.
Quando devo ir às urgências?
Se a crise durar mais do que o habitual ou vier com falta de ar, dor no peito ou sensação de desmaio.
A taquicardia supraventricular tem cura?
A ablação por cateter resolve o problema de forma permanente na maioria das pessoas.
Fontes
- Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Taquicardia paroxística supraventricular (TPSV)
- NHS · Supraventricular tachycardia (SVT)
- MedlinePlus (U.S. National Library of Medicine) · Paroxysmal supraventricular tachycardia (PSVT)
Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.
