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Bronquiolite no bebé: sintomas e quando ir ao médico

A bronquiolite é uma infeção viral das vias aéreas mais pequenas dos pulmões, os bronquíolos, que afeta crianças com menos de 2 anos e sobretudo bebés entre os 2 e os 6 meses. Começa como uma constipação (resfriado) e, ao fim de alguns dias, pode causar tosse, respiração rápida e pieira. Na maioria dos casos é ligeira e trata-se em casa, mas pode ser grave e exigir internamento. Este guia baseia-se no Manual MSD e nas informações do serviço de saúde britânico NHS.

Tema
Fisioterapia
Atualizado
Tempo de leitura
6 minutos
Revisado por
Dra. Itziar Gotxi Erezuma · Médica especialista em otorrinolaringologia · Colégio de Médicos de Bizkaia n.º 484809757

O que é a bronquiolite?

As vias aéreas parecem uma árvore invertida: a traqueia divide-se em brônquios, e estes em vias cada vez mais finas, até aos bronquíolos, com apenas meio milímetro de diâmetro. Na bronquiolite, um vírus inflama estas vias pequenas, que se estreitam e dificultam a entrada e a saída do ar.

É a infeção das vias aéreas inferiores mais comum em crianças pequenas em todo o mundo. Surge muitas vezes em epidemias, geralmente no inverno: no hemisfério norte, sobretudo de dezembro a fevereiro, e no hemisfério sul, de maio a julho. O NHS lembra que é diferente da bronquite, que causa tosse com muito muco e afeta pessoas de todas as idades.

Que vírus causam a bronquiolite

  • Vírus sincicial respiratório (VSR): a causa mais habitual; é muito comum, espalha-se facilmente pela tosse e pelos espirros, e quase todas as crianças o apanham pelo menos uma vez antes dos 2 anos.
  • Rinovírus: o vírus da constipação comum.
  • Vírus parainfluenza.

Os pais e os irmãos mais velhos podem apanhar o mesmo vírus e ter apenas uma constipação ligeira. Nos casos graves, o nível de oxigénio no sangue da criança baixa.

Quem tem mais risco de bronquiolite grave

  • bebés com menos de 6 meses, sobretudo com menos de 2 meses;
  • bebés que nasceram prematuros ou com baixo peso;
  • crianças com doenças do coração ou dos pulmões;
  • crianças com o sistema imunitário enfraquecido;
  • bebés expostos ao fumo do tabaco.

Segundo o Manual MSD, estas crianças podem ser internadas mais cedo, porque têm muito mais probabilidade de ficar gravemente doentes.

Bronquiolite: sintomas

Começa como uma constipação: espirros, nariz a pingar ou entupido, febre baixa e um pouco de tosse. Ao fim de alguns dias, algumas crianças têm:

  • tosse que piora;
  • respiração mais rápida;
  • respiração ruidosa, com pieira ou crepitações;
  • dificuldade em mamar ou comer;
  • irritabilidade.

Na maioria dos bebés os sintomas são ligeiros: mesmo a respirar um pouco depressa e congestionados, continuam atentos, bem-dispostos e a comer bem. Nos casos mais graves, respiram depressa e à superfície, fazem muito esforço para respirar, abrem as narinas e podem desidratar por vómitos com os acessos de tosse. Mais de 50% das crianças entre os 3 e os 18 meses têm também uma otite.

Sinais de alarme: quando é urgente

O NHS aconselha ajuda imediata se:

  • a criança tiver dificuldade em respirar: gemidos, a barriga a encolher por baixo das costelas ou respiração rápida;
  • houver pausas na respiração;
  • a pele, a língua ou os lábios ficarem azulados ou acinzentados; na pele escura, nota-se melhor nas palmas das mãos, nas plantas dos pés, nos lábios, nas gengivas e por dentro das pálpebras;
  • a criança estiver mole e não acordar ou não se mantiver acordada.

Bebés prematuros ou com menos de 2 meses podem ter paragens breves da respiração (apneia). Nestes casos, no Brasil, ligue para o SAMU 192; em Portugal, para o 112. O NHS acrescenta que quem cuida da criança deve confiar no seu instinto se a vir muito doente.

Quando ir ao médico com urgência

O NHS aconselha consulta urgente se:

  • a constipação estiver a piorar;
  • a criança mamar ou comer muito menos do que o normal;
  • a fralda estiver seca há 12 horas ou mais, ou houver outros sinais de desidratação;
  • um bebé com menos de 3 meses tiver 38 °C ou mais, ou um bebé com mais de 3 meses tiver 39 °C ou mais;
  • a criança estiver muito cansada, irritável ou não parecer a mesma.

O Manual MSD indica que dificuldade crescente em respirar, pele azulada ou acinzentada, cansaço e beber pouco ou desidratação significam que a criança precisa de ser internada. Consulte o seu médico.

Cuidados em casa

Não existe um tratamento específico: a bronquiolite costuma melhorar sozinha. Em casa, o NHS aconselha:

  • dar líquidos com frequência: nos bebés, mamadas mais pequenas e mais frequentes; nas crianças maiores, água extra;
  • manter a criança o mais direita possível quando está acordada, para respirar melhor;
  • vigiar a criança com regularidade, também durante a noite;
  • se estiver desconfortável, dar um antipirético adequado à idade, conforme indicação do farmacêutico ou do médico;
  • não fumar perto da criança;
  • não tentar baixar a febre com água fria nem tirando-lhe toda a roupa, e não dar ácido acetilsalicílico a menores de 16 anos.

Tratamento no hospital e prevenção

No hospital, mede-se o oxigénio com um sensor no dedo da mão ou do pé e dá-se oxigénio por cânula nasal, máscara ou tenda; raramente é preciso um ventilador. Se a criança não conseguir beber, recebe líquidos pela veia. Os broncodilatadores inalados podem ser tentados, mas a sua eficácia na bronquiolite é questionável; os antibióticos só se dão se houver também uma infeção bacteriana.

Para prevenir, convém lavar as mãos com frequência, limpar brinquedos e superfícies, não partilhar talheres e copos, usar lenços descartáveis e afastar os recém-nascidos de quem tem constipação ou gripe. Há anticorpos que ajudam a prevenir a infeção pelo VSR em bebés com mais risco, e o NHS refere uma vacina contra o VSR dada na gravidez, que protege o bebé nos primeiros 6 meses.

Onde as fontes divergem

As duas fontes concordam nos pontos principais, mas diferem em alguns detalhes:

  • Duração. O Manual MSD diz que a maioria das crianças recupera em 3 a 5 dias, com tosse e pieira até 2 a 4 semanas. O NHS diz que os sintomas são piores entre o 3.º e o 5.º dia e que a tosse melhora em 3 semanas.
  • Prevenção. O NHS descreve a vacina contra o VSR e as injeções de anticorpos no inverno para crianças de risco. O Manual MSD refere medicamentos com anticorpos que ajudam a prevenir o VSR.
  • Detalhe. O Manual MSD descreve o tratamento no hospital e as otites associadas. O NHS dá sinais de alarme e cuidados em casa muito concretos.

Pontos-chave sobre a bronquiolite

  • A bronquiolite é uma infeção viral das vias aéreas pequenas em crianças com menos de 2 anos.
  • O vírus sincicial respiratório (VSR) é a causa mais habitual.
  • Começa como uma constipação e pode causar tosse, respiração rápida e pieira.
  • Dificuldade em respirar, pausas na respiração ou lábios azulados exigem ajuda imediata.
  • A maioria das crianças melhora em casa com líquidos e vigilância.
  • Bebés pequenos, prematuros ou com doenças crónicas têm mais risco de doença grave.

Perguntas frequentes sobre a bronquiolite

Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.

O que é a bronquiolite?

É uma infeção viral das vias aéreas mais pequenas dos pulmões, que afeta crianças com menos de 2 anos.

Quais são os sintomas da bronquiolite no bebé?

Começa como uma constipação e depois pode surgir tosse, respiração rápida, pieira e dificuldade em mamar.

Quanto tempo dura a bronquiolite?

A maioria das crianças recupera em poucos dias, mas a tosse e a pieira podem durar 2 a 4 semanas.

Quando devo levar o bebé às urgências?

Se tiver dificuldade em respirar, pausas na respiração, lábios ou pele azulados, ou estiver mole e não acordar.

A bronquiolite é contagiosa?

Sim. Os vírus que a causam espalham-se facilmente pela tosse e pelos espirros.

Como se trata a bronquiolite?

Não há tratamento específico. Em casa, líquidos e vigilância; no hospital, oxigénio e líquidos se for preciso.

Fontes

  1. Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Bronquiolite
  2. NHS · Bronchiolitis

Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.