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Cirrose hepática: causas, sintomas e tratamento

A cirrose é uma lesão grave do fígado em que grande parte do tecido normal é substituída de forma permanente por tecido cicatricial sem função. Surge quando o fígado é danificado repetida ou continuamente, sobretudo pelo álcool, pela hepatite viral crónica e pelo fígado gordo. Muitas pessoas não têm sintomas durante anos, mas pode causar complicações graves. Tratar a causa e as complicações ajuda a impedir que piore. Este guia baseia-se no Manual MSD e nas informações do serviço de saúde britânico NHS.

Tema
Nutrição
Atualizado
Tempo de leitura
6 minutos
Revisado por
Dra. Itziar Gotxi Erezuma · Médica especialista em otorrinolaringologia · Colégio de Médicos de Bizkaia n.º 484809757

O que é a cirrose hepática?

Quando o fígado sofre uma lesão súbita e limitada, consegue muitas vezes regenerar-se. Mas com lesões repetidas, tenta reparar-se formando tecido cicatricial (fibrose). Quando essa cicatrização é extensa e grave, destrói a estrutura interna do fígado e chama-se cirrose. O fígado encolhe e fica mais rígido.

Com a cirrose, o fígado elimina pior os medicamentos, as toxinas e os resíduos, processa pior a bile e produz menos proteínas que ajudam o sangue a coagular. Em alguns casos é reversível, mas a lesão costuma ser permanente. Segundo o Manual MSD, é uma causa comum de morte em todo o mundo.

Causas da cirrose

As causas mais comuns são:

  • Consumo excessivo e crónico de álcool.
  • Hepatite viral crónica tipo C e tipo B.
  • Fígado gordo não relacionado com o álcool, que surge em geral em pessoas com excesso de peso, diabetes ou pré-diabetes ou colesterol alto. Saiba mais no guia sobre fígado gordo.

Outras causas são doenças hereditárias, como a sobrecarga de ferro (hemocromatose) ou de cobre (doença de Wilson), doenças autoimunes do fígado e medicamentos ou tóxicos que causam fibrose.

Sintomas da cirrose

Muitas pessoas não têm sintomas e parecem saudáveis durante muitos anos. Quando surgem, os sintomas iniciais podem ser:

  • cansaço e mal-estar constantes, falta de apetite e perda de peso;
  • náuseas ou vómitos e dor de barriga;
  • vasos sanguíneos visíveis na pele e palmas das mãos avermelhadas.

Com o avanço podem surgir nódoas negras e hemorragias com facilidade, comichão, dedos mais largos e curvos ou unhas brancas, pele e olhos amarelados (icterícia) com urina escura, inchaço da barriga, das pernas e dos pés, mãos trémulas, confusão e fezes claras e gordurosas. Nos homens, as mamas podem aumentar e os testículos diminuir.

Complicações da cirrose

  • Hipertensão portal: a cicatriz dificulta a passagem do sangue para o fígado; as veias do esófago e do estômago dilatam (varizes) e podem sangrar muito.
  • Ascite: acumulação de líquido na barriga, que incha e pode infetar.
  • Encefalopatia hepática: as toxinas que o fígado não elimina afetam o cérebro, com confusão e sonolência.
  • Problemas de coagulação e infeções: sangramento fácil, coágulos e mais risco de infeções.
  • Insuficiência renal e desnutrição, com falta de vitaminas e ossos frágeis.
  • Cancro (câncer) do fígado: o risco aumenta, por isso é preciso vigiá-lo.

Sinais de alarme

O NHS indica que quem tem cirrose deve pedir uma consulta urgente se:

  • a pele ou a parte branca dos olhos ficarem amarelas;
  • tiver dificuldade em respirar ou mais falta de ar do que o habitual;
  • tiver a barriga, as pernas, os tornozelos ou os pés inchados.

E deve procurar urgência imediatamente se vomitar sangue, tiver fezes muito escuras ou negras, ou ficar de repente confuso ou com a fala arrastada: no Brasil, SAMU 192; em Portugal, 112. O NHS aconselha não conduzir até ao hospital e levar os medicamentos que toma.

Como se diagnostica?

O médico suspeita de cirrose pelos sintomas, pelo exame físico e pelos fatores de risco, como o consumo excessivo de álcool. Os exames usados são:

  • Análises de sangue (exames de sangue): avaliam o fígado, a anemia, as plaquetas e a hepatite; muitas vezes são normais, porque o fígado funciona muito tempo apesar de danificado.
  • Exames de imagem: ecografia (ultrassom), TC ou ressonância mostram cirrose avançada; a elastografia ajuda a detetá-la mais cedo.
  • Biópsia do fígado: se o diagnóstico continuar incerto.

Confirmada a cirrose, faz-se uma ecografia de seis em seis meses para procurar cancro do fígado e, às vezes, uma endoscopia para procurar varizes.

Tratamento da cirrose

O objetivo é travar a cirrose corrigindo ou tratando a causa e tratar as complicações:

  • deixar completamente o álcool, mesmo que não seja a causa principal, porque até pequenas quantidades são prejudiciais;
  • vacinar contra a hepatite A e B, se ainda não houver vacina;
  • informar o médico de todos os medicamentos, produtos à base de plantas e suplementos, porque o fígado pode não os processar bem;
  • no fígado gordo, perder peso e controlar a diabetes e o colesterol;
  • tratar a hepatite com antivirais e as doenças autoimunes com medicamentos que atuam sobre o sistema imunitário.

Nas complicações usam-se, por exemplo, menos sal na dieta e medicamentos que aumentam a urina para a ascite, suplementos de vitaminas, betabloqueadores ou ligaduras elásticas por endoscopia para as varizes. Na cirrose avançada, o transplante de fígado pode ser o melhor tratamento. Para a alimentação, consulte a área de nutrição.

Prognóstico da cirrose

A evolução depende da causa, da gravidade, de outras doenças e da eficácia do tratamento. Às vezes é reversível, mas pode progredir se a causa não for tratada, e a lesão do fígado é quase sempre permanente.

Se a pessoa continuar a beber álcool, mesmo pouco, a cirrose progride. Quando surge uma complicação importante, como vómitos com sangue, ascite ou confusão, o prognóstico torna-se desfavorável. O NHS acrescenta que muitas pessoas com cirrose se sentem bem e vivem muitos anos. Consulte o seu médico para acompanhamento regular.

Onde as fontes divergem

As duas fontes concordam nos pontos principais, mas diferem em alguns detalhes:

  • Prognóstico. O NHS sublinha que muitas pessoas se sentem bem e vivem muitos anos. O Manual MSD destaca que é uma causa comum de morte e que o prognóstico piora com as complicações.
  • Fatores de risco. O NHS dá limites semanais de álcool e inclui a fibrose quística entre as causas genéticas. O Manual MSD não dá esses números.
  • Tratamento. O Manual MSD descreve em detalhe o tratamento das complicações e o transplante. A página principal do NHS centra-se nos sintomas e nos sinais de alarme.

Pontos-chave sobre a cirrose hepática

  • Na cirrose, o tecido do fígado é substituído por cicatriz sem função.
  • Álcool, hepatite B e C e fígado gordo são as causas mais comuns.
  • Muitas pessoas não têm sintomas durante anos.
  • Vómitos com sangue, fezes negras ou confusão exigem urgência.
  • Deixar o álcool e tratar a causa travam a progressão.
  • É preciso vigiar o cancro do fígado com ecografias regulares.

Perguntas frequentes sobre cirrose hepática

Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.

O que causa a cirrose hepática?

Sobretudo o álcool em excesso, a hepatite B e C crónicas e o fígado gordo não alcoólico.

Quais são os primeiros sintomas da cirrose?

Muitas vezes nenhum. Podem surgir cansaço, falta de apetite, perda de peso, náuseas e palmas das mãos vermelhas.

A cirrose tem cura?

A lesão costuma ser permanente, mas tratar a causa pode travá-la; na cirrose avançada pode ser necessário um transplante.

Quem tem cirrose pode beber álcool?

Não. Deve deixar o álcool por completo, porque mesmo pequenas quantidades pioram a doença.

Quais são os sinais de alarme da cirrose?

Vómitos com sangue, fezes negras, confusão súbita, icterícia, falta de ar e inchaço da barriga ou das pernas.

Como se diagnostica a cirrose?

Com análises de sangue, exames de imagem como a ecografia ou a elastografia e, às vezes, biópsia.

Fontes

  1. Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Cirrose hepática
  2. NHS · Cirrhosis

Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.