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Doença de Wilson: sintomas, causas e tratamento

A doença de Wilson é uma doença hereditária rara em que o fígado não consegue eliminar o excesso de cobre na bílis, como faz normalmente. O cobre acumula-se no fígado e depois no cérebro, nos olhos e noutros órgãos, onde causa lesões. Sem tratamento é fatal, mas com medicamentos para retirar o cobre e uma alimentação pobre em cobre, para toda a vida, as pessoas costumam ficar bem. Este guia baseia-se no Manual MSD e na enciclopédia médica MedlinePlus.

Tema
Nutrição
Atualizado
Tempo de leitura
6 minutos
Revisado por
Dra. Itziar Gotxi Erezuma · Médica especialista em otorrinolaringologia · Colégio de Médicos de Bizkaia n.º 484809757

O que é a doença de Wilson?

A maior parte do cobre do corpo está no fígado, nos ossos e nos músculos, e há vestígios em todos os tecidos. O fígado elimina normalmente o excesso de cobre na bílis. Na doença de Wilson isso não acontece: o cobre acumula-se no fígado e lesiona-o, podendo levar a cirrose e insuficiência hepática.

O fígado lesionado liberta o cobre para o sangue, que o leva a outros órgãos, como o cérebro, os rins e os olhos, onde também se acumula. A doença afeta cerca de uma em cada 30 000 pessoas.

Como se herda

A doença de Wilson é causada por cópias que não funcionam de um gene chamado ATP7B. Se os dois pais tiverem uma cópia alterada do gene, há 25% de probabilidade, em cada gravidez, de o filho ou a filha ter a doença.

Segundo a MedlinePlus, é mais comum em pessoas do leste da Europa, da Sicília e do sul de Itália, mas pode surgir em qualquer grupo. Há testes de ADN para este gene; um médico ou um conselheiro genético pode dizer se faz sentido fazê-los.

Doença de Wilson: sintomas

Os sintomas surgem em geral entre os 5 e os 35 anos, mas podem aparecer dos 2 aos 72 anos. A MedlinePlus refere que a lesão do fígado pode começar na infância, mas os sintomas costumam surgir na adolescência ou no início dos vinte anos.

  • Cérebro: em quase metade das pessoas, os primeiros sintomas são tremores, dificuldade em falar e engolir, salivação, falta de coordenação, movimentos involuntários, alterações da personalidade e até psicose.
  • Fígado: na maioria das outras, os primeiros sintomas vêm da inflamação do fígado (hepatite) e, por fim, da cirrose; pode haver pele ou olhos amarelos e barriga inchada por líquido.
  • Sangue: cansaço e fraqueza por anemia, por destruição dos glóbulos vermelhos; a urina pode ter sangue.

O Manual MSD refere ainda que pode haver falta de menstruação ou abortos espontâneos repetidos.

Os anéis nos olhos

Podem aparecer anéis dourados, esverdeados ou acastanhados à volta da íris, a parte colorida do olho. Chamam-se anéis de Kayser-Fleischer e surgem quando o cobre se acumula no olho. Em algumas pessoas, são o primeiro sinal da doença de Wilson.

Estes anéis veem-se num exame dos olhos com lâmpada de fenda, que é um dos exames usados para confirmar o diagnóstico.

Quando procurar o médico?

O médico suspeita da doença de Wilson perante sintomas sem outra causa óbvia, como hepatite, tremores ou alterações da personalidade, ou quando há a doença na família.

Como o tratamento é mais eficaz se começar cedo, todas as pessoas com um irmão ou irmã, primo ou prima, pai ou mãe com a doença devem fazer o teste. Numa criança com um familiar afetado, os exames fazem-se depois de completar um ano, porque antes podem não detetar a doença. Consulte o seu médico.

Como se faz o diagnóstico

Os seguintes exames ajudam a confirmar o diagnóstico:

  • exame dos olhos com lâmpada de fenda, para procurar os anéis de Kayser-Fleischer;
  • análises de sangue (exames de sangue) para medir a ceruloplasmina, a proteína que transporta o cobre no sangue;
  • medição do cobre eliminado na urina, por vezes em 24 horas;
  • se o diagnóstico ainda for incerto, uma biópsia do fígado.

A MedlinePlus refere outros exames possíveis, como análises da função do fígado, hemograma, exames de imagem do abdómen e da cabeça e endoscopia.

Alimentação pobre em cobre

Quem tem a doença de Wilson precisa de uma alimentação pobre em cobre. Segundo as duas fontes, os alimentos a evitar incluem:

  • fígado;
  • marisco;
  • cogumelos;
  • cacau e chocolate;
  • frutos secos, como o caju, e fruta desidratada;
  • feijão-frade e sumos de vegetais.

Não se devem tomar suplementos de vitaminas ou minerais com cobre. A MedlinePlus sugere beber água destilada, porque alguma água da torneira passa por canos de cobre, e evitar utensílios de cozinha de cobre. Veja também a secção de nutrição.

Tratamento da doença de Wilson

Usam-se medicamentos tomados por via oral que se ligam ao cobre e ajudam a eliminá-lo (quelantes). Suplementos de zinco podem impedir que o corpo absorva cobre e usam-se se os quelantes não resultarem ou derem muitos efeitos secundários; o zinco não se deve tomar até 2 horas depois desses medicamentos. O tratamento tem de ser mantido para toda a vida.

A MedlinePlus refere que os sintomas podem melhorar com exercício ou fisioterapia, e que os quelantes podem por vezes afetar o funcionamento do sistema nervoso. Recomenda-se seguimento regular por um especialista em doenças do fígado. Um transplante de fígado pode curar a doença e salvar a vida de quem tem insuficiência hepática grave ou problemas que não respondem aos medicamentos.

Sem tratamento para toda a vida, a doença de Wilson é fatal, em geral até aos 30 anos. Com tratamento, as pessoas costumam ficar bem, a não ser que a doença já esteja avançada quando é diagnosticada.

Onde as fontes divergem

As duas fontes concordam nos pontos principais, mas diferem em alguns detalhes:

  • Idade. O Manual MSD diz que os sintomas surgem entre os 5 e os 35 anos, podendo ir dos 2 aos 72. A MedlinePlus diz que surgem em geral antes dos 40, sobretudo na adolescência ou no início dos vinte.
  • Cor dos anéis. O Manual MSD descreve anéis dourados ou esverdeados. A MedlinePlus descreve um anel cor de ferrugem ou castanho.
  • Dicas práticas. A MedlinePlus sugere água destilada e evitar utensílios de cobre. O Manual MSD não refere estes cuidados.

Pontos-chave sobre a doença de Wilson

  • Na doença de Wilson, o cobre acumula-se no fígado, no cérebro e nos olhos.
  • É uma doença hereditária rara.
  • Pode causar tremores, alterações da personalidade e doença do fígado.
  • Os anéis de Kayser-Fleischer à volta da íris são um sinal típico.
  • Os familiares próximos devem fazer o teste.
  • Medicamentos e alimentação pobre em cobre, para toda a vida, controlam a doença.

Perguntas frequentes sobre a doença de Wilson

Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.

O que é a doença de Wilson?

É uma doença hereditária rara em que o cobre se acumula no corpo e lesiona o fígado e o sistema nervoso.

Quais são os sintomas da doença de Wilson?

Tremores, dificuldade em falar e engolir, alterações da personalidade, hepatite e pele amarela.

A doença de Wilson é hereditária?

Sim. Se os dois pais tiverem o gene alterado, há 25% de probabilidade em cada gravidez.

Que alimentos devo evitar?

Fígado, marisco, cogumelos, cacau e chocolate, frutos secos e fruta desidratada.

A doença de Wilson tem cura?

O transplante de fígado pode curá-la; de resto, controla-se com tratamento para toda a vida.

Os familiares devem fazer o teste?

Sim. Irmãos, primos e pais de quem tem a doença devem ser testados, porque o tratamento precoce é mais eficaz.

Fontes

  1. Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Doença de Wilson
  2. MedlinePlus (U.S. National Library of Medicine) · Wilson disease

Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.