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Estrabismo na criança: sinais e tratamento

O estrabismo, a que muitas pessoas chamam vesguice ou olho torto, é um desalinhamento dos olhos: um deles vira para dentro, para fora, para cima ou para baixo enquanto o outro olha em frente. Afeta cerca de 3% das crianças, mas pode surgir em qualquer idade. Não deve ser ignorado à espera de que passe com a idade: sem tratamento, pode causar uma perda de visão permanente. Este guia baseia-se no Manual MSD e nas informações do serviço de saúde britânico NHS.

Tema
Otorrino
Atualizado
Tempo de leitura
6 minutos
Revisado por
Dra. Itziar Gotxi Erezuma · Médica especialista em otorrinolaringologia · Colégio de Médicos de Bizkaia n.º 484809757

O que é o estrabismo?

No estrabismo, a linha de visão de um olho não aponta para o mesmo objeto que a do outro. O desalinhamento pode ser constante ou intermitente, ligeiro ou grave. O NHS refere que é especialmente comum em crianças pequenas e que, nos bebés com menos de 3 meses, um estrabismo que vai e vem é frequente e não costuma ser motivo de preocupação.

Sem tratamento, o estrabismo pode causar ambliopia, uma redução da visão, e perda de visão permanente. É pouco provável que melhore sozinho.

Tipos de estrabismo

  • Esotropia: o olho desvia-se para dentro.
  • Exotropia: o olho desvia-se para fora.
  • Hipertropia e hipotropia: o olho desvia-se para cima ou para baixo.

Uma foria é um desalinhamento pequeno e impercetível que o cérebro corrige; em geral não dá sintomas nem precisa de tratamento. Uma tropia é um desvio constante e visível de um ou dos dois olhos; quando é intermitente, frequente e mal controlada pelo cérebro, chama-se tropia intermitente.

Causas do estrabismo

A causa exata nem sempre se conhece. Algumas crianças nascem com estrabismo e outras desenvolvem-no mais tarde; por vezes há casos na família.

  • Antes dos 6 meses: história familiar, doenças genéticas como a síndrome de Down, exposição a medicamentos ou outras substâncias, incluindo álcool, durante a gravidez, prematuridade, malformações dos olhos e paralisia cerebral.
  • A partir dos 6 meses: muitas vezes um erro de refração, como a hipermetropia, ou um desequilíbrio na força dos músculos que movem os olhos.
  • Perda de visão num olho: por exemplo por cataratas, que dificulta ao cérebro manter os olhos alinhados.
  • Causas raras: um cancro (câncer) do olho chamado retinoblastoma, doenças neurológicas, traumatismos da cabeça, infeções como o sarampo ou uma encefalite.

Sinais de estrabismo na criança

  • um olho que vira para dentro, para fora, para cima ou para baixo;
  • apertar os olhos ou tapar um deles;
  • virar a cabeça para um lado com frequência ou fechar um olho para ver;
  • uma postura estranha ou movimentos pouco coordenados.

As forias raramente dão sintomas; quando dão, causam cansaço dos olhos. Nas tropias, as crianças mais novas perdem muitas vezes visão num olho, porque o cérebro ignora a imagem do olho desalinhado para evitar ver a dobrar. As mais velhas podem ver a dobrar ou inclinar o pescoço para compensar.

Quando procurar ajuda

O NHS aconselha pedir conselho se:

  • a criança tiver estrabismo o tempo todo;
  • a criança tiver mais de 3 meses e um estrabismo que vai e vem;
  • houver qualquer preocupação com a visão da criança;
  • um adulto desenvolver estrabismo ou visão dupla.

O médico, o enfermeiro ou o optometrista podem encaminhar para um especialista dos olhos. Consulte o seu médico.

Como se faz o diagnóstico

As crianças devem ser examinadas periodicamente, desde os primeiros meses, para medir a visão e procurar sinais de estrabismo. Num bebé, o médico ilumina os olhos para ver se a luz se reflete no mesmo sítio das duas pupilas.

As crianças maiores podem reconhecer objetos ou letras com um olho tapado e fazer testes de alinhamento; a partir dos 3 anos já se pode fazer um exame de visão preventivo. Todas as crianças com estrabismo devem ser vistas por um oftalmologista. Por vezes fazem-se exames de imagem do cérebro ou análises ao sangue (exames de sangue).

Tratamento do estrabismo

Se o desvio for pequeno ou intermitente, pode não ser preciso tratamento; se for grave ou estiver a piorar, é necessário. O primeiro objetivo é igualar a visão dos dois olhos, tratando a ambliopia.

  • Tampão ou gotas: tapar o olho bom, ou turvar a sua visão com gotas, obriga a usar o olho mais fraco, que fica mais forte; isto trata a ambliopia, mas não o estrabismo.
  • Óculos ou lentes de contacto: quando há um erro de refração importante, como a hipermetropia.
  • Exercícios dos olhos: por vezes ajudam, por exemplo na exotropia intermitente.
  • Cirurgia: afrouxa ou aperta os músculos dos olhos para os alinhar, quando o resto não chega; em geral não exige internamento.
  • Injeções nos músculos dos olhos: referidas pelo NHS; o efeito costuma durar menos de 3 meses.

Resultados e o que esperar

A cirurgia tem taxas de sucesso que podem ultrapassar 80%, mas cerca de 20% das crianças precisam de nova operação. As complicações mais comuns são corrigir demais ou de menos e o estrabismo voltar; raramente há infeção, sangramento ou perda de visão.

As crianças tratadas mais tarde podem melhorar, mas depois de o sistema visual amadurecer, por volta dos 8 anos, a resposta é mínima. O NHS acrescenta que, sem tratamento, o estrabismo pode causar visão turva ou dupla persistente e afetar a autoestima, e que a cirurgia pode alinhar os olhos mesmo tarde, mas os problemas de visão podem ficar permanentes.

Onde as fontes divergem

As duas fontes concordam nos pontos principais, mas diferem em alguns detalhes:

  • Bebés pequenos. O NHS diz que um estrabismo que vai e vem antes dos 3 meses é comum e não costuma preocupar. O Manual MSD recomenda exames periódicos desde os primeiros meses.
  • Tratamentos. O NHS inclui injeções nos músculos dos olhos, de efeito curto. O Manual MSD inclui gotas que turvam o olho bom para tratar a ambliopia.
  • Detalhe. O Manual MSD descreve os tipos, as causas por idade e os resultados da cirurgia. O NHS centra-se em quando procurar ajuda e nos problemas de não tratar.

Pontos-chave sobre o estrabismo

  • O estrabismo é um desalinhamento dos olhos, constante ou intermitente.
  • Afeta cerca de 3% das crianças.
  • Pode dever-se a erros de refração, desequilíbrio dos músculos ou outras doenças.
  • Sem tratamento, pode causar ambliopia e perda de visão permanente.
  • Um estrabismo constante ou depois dos 3 meses deve ser avaliado.
  • Tampão, óculos, exercícios ou cirurgia podem corrigi-lo, sobretudo se tratado cedo.

Perguntas frequentes sobre o estrabismo

Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.

O que é o estrabismo?

É um desalinhamento dos olhos: um olho vira para dentro, para fora, para cima ou para baixo enquanto o outro olha em frente.

O estrabismo no bebé é normal?

Antes dos 3 meses, um estrabismo que vai e vem é comum. Se for constante ou continuar depois, deve ser avaliado.

O estrabismo passa sozinho?

Às vezes resolve-se, mas na maioria dos casos é preciso tratamento, e não se deve esperar que passe com a idade.

O que acontece se o estrabismo não for tratado?

Pode causar ambliopia (olho preguiçoso), visão dupla e perda de visão permanente.

Como se trata o estrabismo?

Com tampão ou gotas para a ambliopia, óculos, exercícios dos olhos e, se preciso, cirurgia.

Até que idade se pode tratar?

O tratamento resulta melhor cedo; depois dos 8 anos, a resposta da visão ao tratamento é mínima.

Fontes

  1. Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Estrabismo
  2. NHS · Squint

Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.