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Síndrome compartimental: sintomas e urgência

A síndrome compartimental é um aumento da pressão dentro de um compartimento muscular, o espaço fechado onde ficam certos músculos. A pressão bloqueia a chegada do sangue e causa dor. A forma aguda surge de repente, geralmente depois de uma fratura ou de uma lesão por esmagamento, e é uma emergência que precisa de cirurgia rápida para não perder o membro. Há também uma forma crónica, ligada ao exercício, menos grave. Este guia baseia-se no Manual MSD, nas informações do serviço de saúde britânico NHS e na enciclopédia médica MedlinePlus.

Tema
Fisioterapia
Atualizado
Tempo de leitura
7 minutos
Revisado por
Dra. Itziar Gotxi Erezuma · Médica especialista em otorrinolaringologia · Colégio de Médicos de Bizkaia n.º 484809757

O que é a síndrome compartimental?

Nos braços e nas pernas, grupos de músculos estão separados por camadas grossas de tecido fibroso chamadas fáscias. Cada fáscia forma um espaço fechado, o compartimento, que contém músculo, nervos e vasos sanguíneos, um pouco como o isolamento que cobre os fios elétricos.

A fáscia não estica. Quando os músculos ou os ossos dentro do compartimento são gravemente lesionados e incham, não há espaço para o inchaço e a pressão sobe. Essa pressão aperta os vasos sanguíneos e o sangue deixa de levar oxigénio ao músculo. O músculo sem oxigénio fica ainda mais lesionado e incha mais, num ciclo que piora a pressão. Ao fim de poucas horas, o músculo e os tecidos à volta ficam lesionados de forma irreversível e começam a morrer.

Causas da síndrome compartimental aguda

A síndrome compartimental aguda é rara mas grave. É mais provável depois de:

  • uma fratura, sobretudo da parte de baixo da perna;
  • uma lesão por esmagamento de um membro;
  • uma contusão muito forte do músculo ou uma entorse grave;
  • uma cirurgia ou a posição durante uma cirurgia, ou o uso de um garrote.

Mais raramente surge porque uma ligadura ou um gesso estão demasiado apertados, ou depois de mordeduras de serpente, de um esforço intenso ou de uma sobredosagem de drogas. É mais comum na perna e no antebraço, mas pode afetar também a mão, o pé, a coxa, as nádegas e o braço.

Síndrome compartimental: sintomas

Os sintomas nem sempre são fáceis de reconhecer, mas numa lesão aguda podem tornar-se graves em poucas horas. O primeiro costuma ser uma dor que aumenta:

  • dor muito mais forte do que seria de esperar para a lesão;
  • dor que piora ao esticar o músculo, por exemplo ao mexer os dedos das mãos ou dos pés;
  • dor que não passa com analgésicos nem ao elevar a zona;
  • inchaço e sensação de aperto;
  • dormência, formigueiro, fraqueza ou sensações estranhas no membro;
  • dificuldade ou incapacidade em mexer a mão ou o pé.

Com a evolução, o membro pode ficar nitidamente inchado, dormente, com a pele pálida, fria e esticada, e o risco de infeção aumenta.

Quando é urgente

O NHS aconselha ir já às urgências ou ligar para o número de emergência (no Brasil, SAMU 192; em Portugal, 112) perante uma dor súbita e intensa em qualquer parte do corpo. O Manual MSD diz que quem teve uma lesão, sobretudo grave, ou usa tala ou gesso, deve procurar um médico de imediato se tiver:

  • dor a aumentar num membro imobilizado;
  • dor ao mexer suavemente os dedos da mão ou do pé desse membro;
  • dormência no membro.

Não vá a conduzir para as urgências: peça boleia a alguém ou chame uma ambulância, e leve os medicamentos que toma.

Como se diagnostica?

Os médicos suspeitam da síndrome pelos sintomas e pelo exame físico; muitas vezes a pessoa não consegue dobrar ou esticar a articulação acima ou abaixo da zona afetada. Para confirmar:

  • verificam o pulso no membro;
  • medem a pressão dentro do compartimento com uma agulha ligada a um medidor de pressão, introduzida logo abaixo da fáscia;
  • por vezes deixam um tubo fino (cateter) para vigiar a pressão continuamente;
  • na forma crónica, a pressão mede-se antes e depois do exercício, e podem pedir-se radiografias, para ver se há um osso partido, e ressonância magnética.

Tratamento de urgência: fasciotomia

O tratamento tem de começar antes de o membro ficar pálido e de o pulso desaparecer; se já não houver pulso, os tecidos podem estar mortos. Quando os médicos suspeitam da síndrome:

  • retiram de imediato tudo o que aperta o membro, como uma tala, um gesso ou uma ligadura;
  • vigiam o potássio no sangue e tratam o potássio alto e a rabdomiólise, a destruição do músculo que liberta uma proteína prejudicial;
  • se a pressão for muito alta, fazem uma cirurgia de emergência, a fasciotomia: um corte ao longo de toda a fáscia que alivia a pressão e deixa o sangue voltar a chegar ao músculo, retirando também o músculo morto.

Por vezes é preciso um enxerto de pele de outra parte do corpo para cobrir a ferida. Depois da operação dão-se analgésicos e, segundo o NHS, pode ser precisa fisioterapia para recuperar todo o movimento. Veja a secção de fisioterapia.

Complicações, prognóstico e prevenção

Com diagnóstico e tratamento rápidos, o prognóstico é excelente e os músculos e nervos recuperam, embora o resultado final dependa também da lesão que causou a síndrome. Se o diagnóstico atrasar:

  • pode haver lesão permanente dos nervos ao fim de menos de 12 a 24 horas de compressão, e dos músculos ainda mais depressa;
  • os músculos podem ficar encurtados de forma permanente (contratura); no antebraço chama-se contratura isquémica de Volkmann;
  • se os tecidos morrerem, pode ser preciso amputar o membro;
  • sem tratamento, pode causar infeções com risco de vida.

A MedlinePlus nota que o atraso é mais comum quando a pessoa está inconsciente ou muito sedada e não consegue queixar-se da dor.

Síndrome compartimental crónica, do exercício

A síndrome compartimental crónica, ou do esforço, surge aos poucos com atividades repetitivas, como correr. A pressão no compartimento só sobe durante a atividade e desce quando se para, por isso os sintomas aparecem com o exercício e passam com o repouso.

É geralmente menos limitante, não leva à perda de função nem do membro e costuma não deixar lesões permanentes, mas a dor pode limitar a atividade e a resistência. O NHS aconselha consultar o médico de família se tiver repetidamente dor, dormência, inchaço ou dificuldade em mexer uma parte do corpo durante o exercício. Muitas vezes não precisa de tratamento:

  • evitar a atividade que causa os sintomas, ou mudar a forma de a fazer;
  • elevar a zona acima do nível do coração para reduzir o inchaço;
  • usar analgésicos aconselhados pelo médico para a dor;
  • se não melhorar, a fasciotomia pode ser uma opção.

Segundo a MedlinePlus, provavelmente não há forma de prevenir a síndrome compartimental aguda, mas o diagnóstico e o tratamento precoces evitam muitas das complicações. Em lesões muito graves, os médicos fazem por vezes a fasciotomia mais cedo para evitar que a síndrome se instale.

Quem usa gesso ou ligadura deve estar atento à dor: se aumentar por baixo do gesso, mesmo depois de tomar analgésicos e elevar o membro, deve ir ao médico ou às urgências. Uma ligadura ou gesso demasiado apertado deve ser cortado ou alargado.

Onde as fontes divergem

As fontes concordam nos pontos principais, mas diferem em alguns detalhes:

  • Forma crónica. O NHS e a MedlinePlus descrevem a síndrome crónica do exercício. O Manual MSD fala só da forma aguda depois de lesões.
  • Tratamento. O Manual MSD refere o controlo do potássio e da rabdomiólise e a amputação se os tecidos morrerem. O NHS refere o enxerto de pele e a fisioterapia depois da cirurgia.
  • Prazos. A MedlinePlus diz que os nervos podem ficar lesionados em menos de 12 a 24 horas. O Manual MSD fala de lesões irreversíveis do músculo ao fim de poucas horas.

Pontos-chave sobre a síndrome compartimental

  • É um aumento da pressão dentro de um compartimento muscular que corta a chegada do sangue.
  • A forma aguda surge sobretudo depois de fraturas e lesões por esmagamento.
  • O sinal principal é uma dor muito maior do que a esperada, que piora ao esticar o músculo.
  • É uma emergência: o tratamento é a fasciotomia, feita o mais depressa possível.
  • O atraso pode causar lesões permanentes e até a perda do membro.
  • A forma crónica surge com o exercício, passa com o repouso e é menos grave.

Perguntas frequentes sobre a síndrome compartimental

Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.

O que é a síndrome compartimental?

É o aumento da pressão dentro do espaço fechado que envolve certos músculos, que bloqueia a chegada do sangue e causa dor.

Qual é a causa mais comum?

Uma fratura, sobretudo da parte de baixo da perna, ou uma lesão por esmagamento de um membro.

Quais são os sintomas?

Dor muito mais forte do que a esperada, que piora ao esticar o músculo, inchaço, aperto, dormência, formigueiro e dificuldade em mexer o membro.

A síndrome compartimental é uma emergência?

A forma aguda é. Precisa de cirurgia o mais depressa possível: ligue para o 112 (Portugal) ou o 192 (Brasil) ou vá às urgências.

O que é uma fasciotomia?

É uma cirurgia em que se corta a fáscia que envolve o músculo para aliviar a pressão e deixar o sangue voltar a circular.

O que é a síndrome compartimental crónica?

É uma forma que surge com o exercício repetitivo, como correr, e passa com o repouso; é menos grave e muitas vezes não precisa de cirurgia.

Fontes

  1. Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Síndrome compartimental
  2. NHS · Compartment syndrome
  3. MedlinePlus (U.S. National Library of Medicine) · Compartment syndrome

Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.