O que é o linfedema?
O sistema linfático é uma rede de vasos e gânglios que ajuda a combater as infeções e a retirar o excesso de líquido dos tecidos. A linfa é um líquido claro, com água, glóbulos brancos, proteínas e gorduras, que passa pelos gânglios linfáticos, onde são filtradas as células danificadas e os microrganismos.
Quando o sistema linfático não consegue drenar bem a linfa dos tecidos, ela acumula-se e causa inchaço: é o linfedema. O NHS descreve-o como uma doença crónica, que pode afetar qualquer parte do corpo, mas em geral os braços ou as pernas.
Tipos e causas do linfedema
- Linfedema primário: deve-se a um desenvolvimento insuficiente do sistema linfático, por alterações hereditárias. É raro, afeta quase sempre as pernas e pode começar ao nascer, na adolescência ou mais tarde.
- Linfedema secundário: deve-se a um bloqueio ou lesão do sistema linfático. É muito mais comum e surge sobretudo depois de uma cirurgia ou radioterapia para o cancro em que se retiram ou tratam gânglios linfáticos.
Por exemplo, o braço tende a inchar depois de retirar gânglios da axila no tratamento do cancro da mama. O NHS acrescenta outras causas de linfedema secundário: infeções, lesões, inflamação do membro ou falta de movimento.
Sintomas do linfedema
O sintoma principal é o inchaço de todo ou parte de um membro ou de outra zona do corpo. A roupa pode ficar difícil de vestir e os anéis e relógios apertados. No início, o inchaço é mole, deixa uma marca ao carregar com o dedo e pode melhorar durante a noite. Sem tratamento, torna-se mais intenso e persistente. Outros sintomas são:
- sensação de dor e peso;
- dificuldade em mexer o membro;
- infeções da pele repetidas;
- pele dura, tensa ou mais grossa, com pregas ou aspeto de casca de laranja;
- saída de líquido pela pele.
Nas pernas, o primeiro sinal pode ser o inchaço do pé, com os sapatos apertados ao fim do dia.
Complicações possíveis
A complicação mais comum é a celulite, uma infeção da camada profunda da pele por bactérias. Pode entrar por rachaduras entre os dedos dos pés, como as do pé de atleta, ou por cortes nas mãos. Os sinais são:
- vermelhidão e calor na pele, que podem notar-se menos em pele escura;
- dor e mais inchaço na zona afetada;
- febre ou sensação de calor, frio ou calafrios;
- por vezes, estrias vermelhas que sobem pelo membro.
Trata-se com antibióticos e, nos casos graves, no hospital. Muito raramente, um linfedema de longa duração dá origem a um tipo de cancro. Viver com uma doença que afeta a aparência também pode causar sofrimento e depressão.
Quando consultar um médico?
O NHS aconselha consultar o médico de família se tiver os sintomas típicos de linfedema, como inchaço nos braços ou nas pernas. O médico pode encaminhar para um centro especializado.
Procure ajuda rapidamente se notar sinais de infeção na zona com linfedema, porque a celulite pode ser grave se não for tratada depressa. Quem fez tratamento para o cancro com risco de linfedema é vigiado depois. Consulte o seu médico se notar um inchaço que não desaparece.
Como se diagnostica?
O diagnóstico faz-se em geral pelos sintomas, pela história clínica e pelo exame da zona afetada; o NHS refere que se mede o perímetro do membro para ver se está aumentado.
- Ecografia (ultrassom): serve muitas vezes para excluir um coágulo nas veias (trombose venosa profunda) como causa do inchaço.
- TC ou ressonância: às vezes, para localizar o bloqueio.
- Linfocintigrafia ou linfangiografia: permitem ver os próprios vasos linfáticos.
O Manual MSD lembra que muitas pessoas que incham depois de estar muito tempo de pé têm insuficiência venosa e não linfedema.
Tratamento: drenagem linfática e compressão
O linfedema não tem cura, mas é possível controlar os sintomas. O tratamento junta várias medidas, o que se chama terapia descongestiva complexa:
- Drenagem linfática manual: o membro é elevado e massajado com as mãos para drenar o líquido; pode ser útil no linfedema ligeiro.
- Compressão: ligaduras, meias nas pernas ou mangas nos braços; nos casos mais graves, aparelhos de compressão pneumática algumas horas por dia e, depois, meias elásticas de pressão graduada durante o dia.
- Exercício: exercícios especiais para os membros e movimento regular.
- Cuidados com a pele e as unhas: com muita atenção, para evitar infeções.
Às vezes usa-se a cirurgia para retirar tecido inchado ou criar novos canais de drenagem. Pode ler mais sobre reabilitação na área de fisioterapia.
Cuidados no dia a dia
- evitar o calor, o exercício muito intenso e a roupa apertada no membro afetado;
- cuidar meticulosamente da pele e das unhas para evitar infeções;
- evitar, sempre que possível, vacinas, análises, medição da tensão e soros no braço afetado;
- manter uma alimentação e um estilo de vida saudáveis, como recomenda o NHS.
Falar com outras pessoas com linfedema pode tranquilizar e diminuir o isolamento, o stress e a ansiedade. Se se sentir em baixo há meses e já não sentir prazer nas coisas, fale com o seu médico ou com a equipa que o trata.
Onde as fontes divergem
As duas fontes concordam nos pontos principais, mas diferem em alguns detalhes:
- Causas do secundário. O Manual MSD destaca a cirurgia e a radioterapia do cancro e a filaríase, uma infeção tropical. O NHS acrescenta lesões, inflamação do membro e falta de movimento.
- Primário. O Manual MSD diz que afeta quase sempre as pernas. O NHS refere que pode começar em qualquer idade, mas sobretudo na infância, adolescência ou início da idade adulta.
- Impacto psicológico. O NHS dá atenção à depressão e ao apoio de outras pessoas. O Manual MSD não fala do impacto psicológico.
Pontos-chave sobre o linfedema
- O linfedema é um inchaço por acumulação de linfa nos tecidos.
- O tipo secundário, após tratamento do cancro, é o mais comum.
- Começa com inchaço mole que, sem tratamento, endurece e persiste.
- A celulite é a complicação mais comum e exige tratamento rápido.
- Drenagem linfática, compressão, exercício e cuidados com a pele controlam os sintomas.
- Não tem cura, mas tratar cedo evita que piore.
Perguntas frequentes sobre linfedema
Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.
O que causa o linfedema?
Um problema no sistema linfático: pouco desenvolvido (primário) ou bloqueado ou lesionado, sobretudo após tratamento do cancro (secundário).
Quais são os sintomas do linfedema?
Inchaço de um braço, perna ou outra zona, sensação de peso, dificuldade em mexer-se e pele mais dura e grossa.
A drenagem linfática ajuda no linfedema?
Sim, a drenagem linfática manual pode ser útil no linfedema ligeiro, junto com compressão, exercício e cuidados com a pele.
O linfedema tem cura?
Não, mas os sintomas podem ser controlados com tratamento, sobretudo se começar cedo.
Que complicações pode ter o linfedema?
A mais comum é a celulite, uma infeção da pele que precisa de antibióticos.
O que deve evitar quem tem linfedema?
O calor, o exercício muito intenso, a roupa apertada no membro e as feridas na pele.
Fontes
Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.
