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Perda de memória: causas, exames e quando consultar

A perda de memória é um dos motivos mais comuns para consultar o médico, sobretudo nos adultos mais velhos, e muitas vezes são os familiares que a notam. A grande preocupação é que seja o primeiro sinal de demência, mas a causa mais comum são as alterações normais da idade. Também podem estar por trás a depressão, o stress, os problemas de sono ou doenças tratáveis, como a falta de vitamina B12 ou a tiroide pouco ativa. Por isso, se os esquecimentos afetarem o dia a dia, vale a pena consultar o médico. Este guia baseia-se no Manual MSD e nas informações do serviço de saúde britânico NHS.

Tema
Psicologia
Atualizado
Tempo de leitura
7 minutos
Revisado por
Dra. Itziar Gotxi Erezuma · Médica especialista em otorrinolaringologia · Colégio de Médicos de Bizkaia n.º 484809757

Memória de curto e de longo prazo

Segundo o Manual MSD, as lembranças podem ser guardadas na memória de curto prazo ou na de longo prazo, conforme o que são e a importância que têm:

  • Memória de curto prazo: guarda informação de que precisamos temporariamente, como uma lista de compras.
  • Memória de longo prazo: guarda lembranças durante mais tempo, como o nome da escola onde se estudou.

As duas ficam em partes diferentes do cérebro. Uma zona chamada hipocampo ajuda a classificar a informação nova e a associá-la à que já existe, transformando memórias de curto prazo em memórias de longo prazo. Quanto mais uma memória é recordada ou repetida, mais provável é que fique guardada.

Esquecimentos da idade

Segundo o Manual MSD, as alterações relacionadas com a idade são a causa mais comum. Trata-se de um declínio normal e ligeiro do funcionamento do cérebro com o envelhecimento:

  • aprender coisas novas, como o nome de um vizinho novo ou um programa de computador, demora mais;
  • é preciso repetir as coisas novas mais vezes para que fiquem guardadas;
  • de vez em quando esquecem-se coisas, como onde ficaram as chaves do carro;
  • mas, ao contrário da demência, a capacidade de fazer as atividades do dia a dia mantém-se.

O NHS também refere que a perda de memória pode ser apenas uma parte natural do envelhecimento.

Défice cognitivo ligeiro e demência

  • Défice cognitivo ligeiro: há uma perda real de lembranças, não apenas lentidão a recordá-las. A pessoa tem dificuldade em lembrar conversas recentes e pode esquecer compromissos importantes, mas lembra-se geralmente do passado, e a atenção e as tarefas do dia a dia não são afetadas.
  • Demência: um declínio muito mais grave. A perda de memória, sobretudo do que se aprendeu recentemente, é muitas vezes o primeiro sintoma e piora com o tempo. A pessoa pode esquecer acontecimentos inteiros, não apenas pormenores.

Na demência, segundo o Manual MSD, a pessoa pode ter dificuldade em lembrar-se de como fazer coisas que já fez muitas vezes ou como chegar a sítios conhecidos, não conseguir seguir uma receita, esquecer-se de pagar contas, de desligar o fogão ou de trancar a casa. Com o tempo, surgem dificuldades em encontrar palavras e planear, desorientação no tempo e no espaço e mudanças de personalidade. A doença de Alzheimer é a forma mais comum. Tensão alta, colesterol alto e diabetes aumentam o risco de demência.

Depressão, stress e sono

A depressão pode causar uma perda de memória parecida com a da demência (pseudodemência), e a demência causa muitas vezes depressão, o que torna difícil distinguir as duas. Segundo o Manual MSD, as pessoas com perda de memória por depressão:

  • têm consciência dos esquecimentos e queixam-se deles;
  • raramente esquecem acontecimentos atuais ou assuntos pessoais importantes;
  • costumam ter outros sintomas, como tristeza intensa, problemas de sono, lentidão ou perda de apetite.

O stress pode interferir na formação e na recordação das memórias, em parte porque causa preocupação e impede de prestar atenção. O NHS inclui o stress, a ansiedade, a depressão e as insónias entre as causas comuns e tratáveis. Veja o guia insónia.

Causas menos comuns, algumas tratáveis

Segundo o Manual MSD, algumas doenças causam um declínio parecido com a demência que pode resolver-se com tratamento:

  • tiroide pouco ativa (hipotiroidismo);
  • hidrocefalia de pressão normal, por excesso de líquido à volta do cérebro;
  • hematomas subdurais, acumulações de sangue por baixo da membrana exterior do cérebro;
  • falta de vitamina B12.

Outras só são parcialmente reversíveis, conforme os danos: falta de sangue no cérebro, como na paragem cardíaca ou em alguns AVC, convulsões muito longas, traumatismos cranianos, infeções do cérebro, VIH (HIV), tumores cerebrais e uso excessivo de alguns medicamentos ou substâncias, incluindo o álcool. No delírio (delirium), a memória é afetada, mas o que mais se nota é a confusão intensa, a desorientação e a incoerência.

Sinais de alerta e quando consultar

O Manual MSD considera sinais de alerta a dificuldade nas atividades do dia a dia, a dificuldade em prestar atenção com oscilações da consciência e os sintomas de depressão. Deve procurar um médico de imediato quem:

  • não consegue prestar atenção e tem muita confusão e desorientação;
  • tem sintomas de depressão e pensamentos de autolesão;
  • tem outros sintomas do sistema nervoso, como dores de cabeça, dificuldade em usar ou compreender a linguagem, lentidão, problemas de visão ou tonturas.

O NHS aconselha consultar o médico de família se os problemas de memória afetarem o dia a dia: muitas vezes não é nada grave, mas o tratamento pode resultar melhor se começar cedo. Se tiver preocupações com um familiar mais velho cada vez mais esquecido, fale com o médico sobre a possibilidade de demência. Não tente fazer o autodiagnóstico.

O que acontece na consulta

O médico pergunta o que é esquecido, quando começou, se está a piorar e como afeta o trabalho e a vida em casa, além das doenças, dos medicamentos e dos suplementos. Ajuda levar um familiar, que pode descrever melhor os problemas; por vezes o médico fala com cada um em separado. Segundo as fontes:

  • Exame do estado mental: perguntas e tarefas simples para avaliar a orientação, a atenção, a concentração, a memória e a linguagem, como repetir palavras ou desenhar um relógio.
  • Testes neuropsicológicos: mais detalhados, podem durar horas e são aplicados por um psicólogo ou psiquiatra com formação em perda de memória.
  • Ressonância magnética ou TC, se houver suspeita de demência ou alterações no exame neurológico.
  • Análises ao sangue (exames de sangue) para a vitamina B12 e as hormonas da tiroide.
  • Encaminhamento para um especialista em memória, segundo o NHS.

Tratamento e dicas para a memória

Tratar a causa pode ajudar a recuperar a memória: suplementos de vitamina B12 para a carência, hormona da tiroide para o hipotiroidismo, medicamentos e psicoterapia para a depressão. Na demência, medicamentos por grupos, como os inibidores da colinesterase, podem causar uma melhoria ligeira e temporária. O Manual MSD recomenda:

  • fazer exercício, comer fruta e legumes, dormir o necessário, não fumar e reduzir o álcool;
  • manter atividades sociais e intelectuais, aprender coisas novas, ler e fazer jogos de estratégia;
  • evitar o stress elevado e proteger a cabeça de lesões;
  • usar listas, um calendário detalhado e rotinas, e deixar os objetos de uso frequente sempre no mesmo sítio;
  • repetir a informação nova, associá-la ao que já se sabe e concentrar-se numa coisa de cada vez.

Onde as fontes divergem

As duas fontes concordam nos pontos principais, mas diferem em alguns detalhes:

  • Causas. O NHS destaca o stress, a ansiedade, a depressão e as insónias. O Manual MSD dá uma lista longa, das alterações da idade às causas tratáveis e ao delírio.
  • Avaliação. O NHS fala do encaminhamento para um especialista em memória. O Manual MSD descreve o exame do estado mental e os testes neuropsicológicos.
  • Prevenção. O Manual MSD dá muitas medidas para manter a memória, mas diz que a redução do risco de demência não está comprovada. O NHS não refere medidas de prevenção.

Pontos-chave sobre a perda de memória

  • A causa mais comum da perda de memória são as alterações normais da idade.
  • Quem se preocupa com os próprios esquecimentos geralmente não tem demência.
  • Na demência, a perda de memória afeta o dia a dia e piora com o tempo.
  • Depressão, stress, falta de B12 e tiroide pouco ativa são causas tratáveis.
  • Se os esquecimentos afetarem o dia a dia, consulte o médico.
  • Listas, rotinas e uma vida ativa ajudam a compensar os esquecimentos.

Perguntas frequentes sobre a perda de memória

Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.

Esquecer-se das coisas é normal com a idade?

Sim. Segundo o Manual MSD, a maioria dos adultos mais velhos tem alguns problemas de memória, sem perder a capacidade de fazer as tarefas diárias.

Como saber se é demência?

Na demência, a perda de memória piora, afeta as atividades do dia a dia e, com o tempo, a pessoa deixa de ter noção dela; só o médico pode avaliar.

A depressão pode causar perda de memória?

Sim. Pode parecer demência, mas a pessoa tem consciência dos esquecimentos e costuma ter tristeza, problemas de sono ou perda de apetite.

Que doenças tratáveis causam perda de memória?

A falta de vitamina B12, a tiroide pouco ativa, a hidrocefalia de pressão normal e os hematomas subdurais, entre outras.

Quando devo ir ao médico?

Se os problemas de memória afetarem o dia a dia; de imediato se houver confusão intensa, pensamentos de autolesão ou outros sintomas neurológicos.

O que posso fazer para melhorar a memória?

Exercício, alimentação saudável, sono suficiente, atividades sociais e intelectuais, listas, rotinas e concentrar-se numa coisa de cada vez.

Fontes

  1. Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Perda de memória
  2. NHS · Memory loss (amnesia)

Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.