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Demência vascular: sintomas, causas e prevenção

A demência vascular é a perda da função mental causada pela destruição de tecido do cérebro quando o fornecimento de sangue fica reduzido ou bloqueado. Geralmente resulta de acidentes vasculares cerebrais (AVC), poucos e grandes ou muitos e pequenos. É a segunda causa mais comum de demência nos adultos mais velhos. Não tem cura, mas controlar os fatores de risco pode atrasar ou travar a sua progressão. Este guia baseia-se no Manual MSD e nas informações do serviço de saúde britânico NHS.

Tema
Fonoaudiologia
Atualizado
Tempo de leitura
7 minutos
Revisado por
Dra. Itziar Gotxi Erezuma · Médica especialista em otorrinolaringologia · Colégio de Médicos de Bizkaia n.º 484809757

O que é a demência vascular?

A demência é uma diminuição lenta e progressiva da função mental, que afeta a memória, o pensamento, o juízo e a capacidade de aprender. Na demência vascular, essa perda deve-se à destruição de tecido do cérebro porque o sangue que o alimenta está reduzido ou bloqueado.

Uma área de tecido cerebral destruída chama-se enfarte (infarto). A demência pode resultar de AVC grandes ou, mais frequentemente, de muitos pequenos. O NHS calcula que afete cerca de 180 000 pessoas no Reino Unido e lembra que a demência é rara antes dos 65 anos.

A demência é diferente do delirium: a demência afeta sobretudo a memória e começa de forma gradual, enquanto o delirium afeta sobretudo a atenção e começa de repente.

Porque surge a demência vascular?

A falta de sangue danifica e acaba por matar as células do cérebro. Segundo o NHS, isto pode acontecer por:

  • estreitamento e obstrução dos pequenos vasos sanguíneos dentro do cérebro;
  • um único AVC, em que o sangue deixa de chegar de repente a uma parte do cérebro;
  • muitos «mini-AVC» (acidentes isquémicos transitórios) que causam lesões pequenas mas espalhadas pelo cérebro.

As artérias podem ficar obstruídas por depósitos de gordura (placas de aterosclerose), por exemplo nas artérias do pescoço, ou por um coágulo de sangue, que pode formar-se numa placa ou no coração e viajar até ao cérebro. Alguns destes AVC são tão pequenos que passam despercebidos; quando se acumula tecido destruído suficiente, surge a demência, às vezes antes de qualquer outro sintoma de AVC.

Quem tem mais risco

Os AVC que levam à demência vascular são mais comuns nos homens e começam geralmente depois dos 70 anos. Os fatores de risco são:

  • tensão arterial (pressão arterial) alta;
  • diabetes;
  • aterosclerose;
  • fibrilhação (fibrilação) auricular, um tipo de ritmo cardíaco irregular que aumenta o risco de coágulos vindos do coração;
  • níveis altos de gorduras no sangue, incluindo o colesterol;
  • fumar, agora ou no passado;
  • ter tido um AVC.

O NHS acrescenta fatores do estilo de vida, como o excesso de peso, e as doenças que causam coagulação excessiva também aumentam o risco de AVC.

Tipos de demência vascular

O Manual MSD descreve quatro tipos principais:

  • Subcortical isquémica: resulta de lesões na zona por baixo do córtex cerebral, geralmente nos vasos pequenos. Inclui os enfartes lacunares múltiplos e a doença de Binswanger, ligada sobretudo à tensão arterial alta grave e mal controlada.
  • Multienfarte: causada por vários AVC, geralmente em vasos de tamanho médio.
  • Pós-AVC: o declínio começa logo depois de um AVC ou nos seis meses seguintes.
  • Mista: a demência vascular surge juntamente com outra demência, muitas vezes a doença de Alzheimer ou a demência com corpos de Lewy.

Há formas menos comuns, como a angiopatia amiloide cerebral, causada pela acumulação de uma proteína anormal nos vasos do cérebro, e demências vasculares hereditárias raras, causadas por mutações em certos genes.

Demência vascular: sintomas

Os sintomas podem começar de repente ou aos poucos. Os mais referidos pelas fontes são:

  • raciocínio lento;
  • dificuldade em planear, resolver problemas, compreender e começar tarefas;
  • problemas de concentração;
  • alterações do humor, da personalidade ou do comportamento;
  • desorientação e confusão;
  • dificuldade em andar e manter o equilíbrio;
  • perda de memória e problemas de linguagem, que surgem mais tarde do que na doença de Alzheimer.

Como os AVC destroem só uma parte do cérebro, algumas funções mantêm-se. Por isso, a pessoa pode ter mais consciência das suas perdas e ser mais propensa à depressão. Com novos AVC podem surgir fraqueza ou paralisia de um braço ou perna, fala arrastada, perda de visão, riso ou choro sem motivo e incontinência urinária. Sobre as dificuldades de linguagem depois de um AVC, veja o guia afasia.

Uma evolução por etapas

Ao contrário de outras demências, que tendem a piorar de forma contínua, a demência vascular pode progredir por etapas: os sintomas agravam-se de repente, depois estabilizam ou melhoram um pouco e voltam a piorar meses ou anos depois, com um novo AVC.

Quando resulta de muitos AVC pequenos, costuma progredir mais devagar e pode parecer contínua. O NHS sublinha que é difícil prever quando surgirá a próxima etapa e que, com o tempo, as tarefas do dia a dia se tornam cada vez mais difíceis.

A demência vascular pode encurtar bastante a esperança de vida, mas isso varia muito: muitas pessoas vivem vários anos com a doença. O Manual MSD indica que cerca de 6 em cada 10 pessoas morrem nos 5 anos seguintes ao início dos sintomas, muitas vezes por um AVC ou um ataque cardíaco.

Como se diagnostica?

Não há um único exame para a demência vascular. O médico tem primeiro de confirmar que há demência e depois perceber se é de origem vascular. Para isso usa:

  • a descrição dos sintomas, feita pela pessoa e pelos familiares ou cuidadores;
  • a história clínica, incluindo AVC anteriores ou tensão arterial alta;
  • testes do estado mental, com perguntas e tarefas simples, e por vezes testes neuropsicológicos mais detalhados, que duram 1 a 3 horas;
  • uma tomografia computorizada (ou computadorizada) (TC) ou ressonância magnética (RM) do cérebro, para procurar sinais de AVC;
  • análises ao sangue (exames de sangue), para procurar diabetes, gorduras altas e outras doenças que aumentam o risco de AVC.

É essencial excluir o delirium, que, ao contrário da demência, pode muitas vezes ser revertido se for tratado depressa. O médico de família pode encaminhar para uma consulta de memória ou outro especialista.

Tratamento e prevenção

Não há cura nem forma de recuperar as células do cérebro já perdidas, mas o tratamento pode atrasar a progressão. O objetivo é atacar a causa e prevenir novos AVC:

  • controlar a tensão arterial, a diabetes e o colesterol;
  • deixar de fumar e reduzir o álcool;
  • comer de forma saudável e equilibrada e perder peso se houver excesso;
  • fazer mais atividade física;
  • tomar os medicamentos receitados, como os que reduzem a formação de coágulos ou os anticoagulantes, em quem tem fibrilhação auricular.

Não há medicamento específico para a demência vascular. Por vezes usam-se medicamentos da doença de Alzheimer, porque muitas pessoas têm as duas doenças, e a depressão trata-se com antidepressivos. O NHS refere ainda a fisioterapia, a terapia ocupacional, atividades para pessoas com demência e terapias psicológicas para reduzir o impacto dos problemas. Veja o guia deixar de fumar.

Onde as fontes divergem

As duas fontes concordam nos pontos principais, mas diferem em alguns detalhes:

  • Prognóstico. O Manual MSD dá um número: cerca de 6 em cada 10 pessoas morrem nos 5 anos seguintes. O NHS diz que a evolução é muito variável e que muitas pessoas vivem vários anos.
  • Tipos. O Manual MSD descreve vários tipos e formas hereditárias. O NHS fala apenas das causas: vasos pequenos, um AVC ou vários «mini-AVC».
  • Apoio. O Manual MSD dá conselhos sobre a rotina em casa e o cuidado dos cuidadores. O NHS refere fisioterapia, terapia ocupacional e atividades para pessoas com demência.

Pontos-chave sobre a demência vascular

  • A demência vascular deve-se à falta de sangue numa parte do cérebro, quase sempre por AVC.
  • É a segunda causa mais comum de demência nos adultos mais velhos.
  • Causa raciocínio lento e dificuldade em planear; a memória costuma falhar mais tarde do que na doença de Alzheimer.
  • Pode piorar por etapas, a cada novo AVC.
  • Diagnostica-se com avaliação dos sintomas, testes mentais e TC ou RM do cérebro.
  • Não tem cura, mas controlar a tensão, a diabetes, o colesterol e o tabaco pode atrasá-la.

Perguntas frequentes sobre a demência vascular

Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.

O que causa a demência vascular?

A falta de sangue no cérebro, geralmente por um AVC grande, muitos AVC pequenos ou obstrução dos pequenos vasos do cérebro.

Qual a diferença para a doença de Alzheimer?

Na demência vascular, a perda de memória surge mais tarde, a personalidade é menos afetada e as dificuldades em planear e começar tarefas aparecem mais cedo. Muitas pessoas têm as duas doenças.

A demência vascular tem cura?

Não. O tratamento não recupera as células perdidas, mas pode travar ou atrasar a progressão.

É possível prevenir a demência vascular?

Sim, em parte: controlar a tensão arterial, a diabetes e o colesterol, não fumar, fazer exercício e manter um peso saudável reduz o risco de AVC.

Como evolui a demência vascular?

Muitas vezes por etapas: os sintomas pioram de repente, estabilizam e voltam a piorar com um novo AVC.

Que exames se fazem?

Testes do estado mental, análises ao sangue e uma TC ou RM do cérebro para procurar sinais de AVC.

Fontes

  1. Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Demência vascular
  2. NHS · Vascular dementia

Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.