O que é o transtorno de estresse pós-traumático
O TEPT é uma reação persistente a um acontecimento em que a pessoa viveu, viu ou soube de um perigo grave: morte, ferimentos graves, violência sexual. O cérebro fica numa espécie de estado de alarme, como se o perigo não tivesse terminado.
O Manual MSD estima que, nos Estados Unidos, afeta cerca de 6% a 7% das pessoas em algum momento da vida, incluindo a infância, e que cerca de 5% o têm em cada ano; noutros países, as estimativas variam muito.
Que acontecimentos podem causá-lo
- Acidentes de trânsito ou de trabalho.
- Agressões, assaltos, violência física ou sexual.
- Violência doméstica ou abusos na infância.
- Guerras, atentados, catástrofes naturais.
- Doenças graves, internamentos em terapia intensiva, partos traumáticos.
- Morte súbita ou violenta de uma pessoa próxima.
Os sintomas principais
- Reviver o trauma: lembranças intrusivas, pesadelos, flashbacks em que parece estar lá de novo.
- Evitamento de lugares, pessoas, pensamentos e conversas que lembram o acontecimento.
- Mudanças nos pensamentos e no humor: culpa, vergonha, distanciamento dos outros, dificuldade em sentir emoções positivas.
- Hiperativação: alerta contínuo, sobressaltos, irritabilidade, dificuldade em dormir e em concentrar-se.
Nos flashbacks, o acontecimento é revivido como se estivesse acontecendo de novo, e não como uma simples lembrança.

Quando se fala em transtorno
Nos dias e semanas depois de um trauma, muitos destes sintomas são frequentes e muitas vezes diminuem sozinhos. Fala-se em TEPT quando os sintomas duram mais de um mês e causam sofrimento ou dificuldades importantes no dia a dia.
Às vezes os sintomas aparecem meses ou anos depois do acontecimento, por exemplo diante de um novo estresse ou de um aniversário.
Pedir ajuda nas primeiras semanas, quando os sintomas são intensos, pode ser útil: um profissional ajuda a perceber se a reação está a diminuir ou se é preciso um tratamento específico.
Por que algumas pessoas desenvolvem TEPT
Nem todas as pessoas expostas a um trauma desenvolvem o transtorno. Contam a gravidade e a duração do acontecimento, ter sofrido violência intencional, traumas anteriores, problemas de saúde mental prévios e, muito, o apoio recebido depois.
Desenvolver TEPT não é sinal de fraqueza: é uma resposta do sistema nervoso a uma experiência que ultrapassou a capacidade de a processar. O apoio de pessoas próximas, poder falar quando se sente pronto e o regresso gradual às atividades favorecem a recuperação.
As psicoterapias mais eficazes
A revisão sistemática de Lewis e colaboradores, com 114 estudos controlados, encontrou provas sólidas para a terapia cognitivo-comportamental focada no trauma e para o EMDR (dessensibilização e reprocessamento por movimentos oculares), recomendando-as como tratamentos de primeira escolha. Entre as formas de terapia cognitivo-comportamental, as provas mais fortes são para a terapia de processamento cognitivo, a terapia cognitiva e a exposição prolongada.
O Manual MSD descreve a terapia de exposição como central e explica que o EMDR provavelmente funciona sobretudo pela exposição à lembrança. Estas terapias ajudam, de forma gradual e segura, a processar a lembrança, mudar os pensamentos ligados ao acontecimento e reduzir o evitamento. Na consulta de psicologia acompanhamos este processo ao ritmo de cada pessoa.
E os medicamentos?
O Manual MSD indica que os medicamentos se usam sobretudo quando há outro problema junto com o TEPT: por exemplo, um antidepressivo quando a pessoa também tem uma depressão. A escolha cabe ao psiquiatra.
É importante tratar também os problemas que muitas vezes acompanham o transtorno, como o uso de álcool ou drogas para «anestesiar» as lembranças, e a depressão.
O que pode ajudar entretanto
- Manter uma rotina regular de sono, refeições e atividades.
- Falar com pessoas de confiança, sem se sentir obrigado a contar tudo.
- Praticar respiração lenta, atividade física, ioga ou meditação.
- Reduzir o álcool e outras substâncias, que pioram o sono e o humor.
- Reconhecer os próprios sinais de alarme e os momentos mais difíceis.

Como apoiar quem sofre
Quem vive ao lado de uma pessoa com TEPT pode sentir-se impotente diante da irritabilidade, do distanciamento ou dos pesadelos. Ouvir sem forçar o relato, respeitar o tempo, não minimizar e incentivar a pedir ajuda são os gestos mais úteis.
Também os familiares podem precisar de apoio, sobretudo se viveram o mesmo acontecimento ou se a convivência ficou difícil. Evitar forçar o regresso aos lugares do acontecimento e deixar que seja a pessoa a decidir quando e quanto falar ajuda a construir confiança.
Pontos-chave
- O TEPT surge depois de um acontecimento traumático grave.
- Inclui lembranças intrusivas, evitamento, mudanças de humor e alerta.
- Fala-se em transtorno quando os sintomas duram mais de um mês.
- A TCC focada no trauma e o EMDR são as terapias de primeira escolha.
- O apoio social ajuda muito na recuperação.
Perguntas frequentes sobre estresse pós-traumático
Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.
O TEPT tem cura?
Com as psicoterapias focadas no trauma, muitas pessoas melhoram de forma importante.
Quanto tempo dura o tratamento?
Muitas vezes alguns meses, com sessões semanais; depende da pessoa e do tipo de trauma.
O que é EMDR?
Uma psicoterapia que ajuda a reprocessar as lembranças traumáticas usando estímulos bilaterais, como os movimentos dos olhos.
O TEPT pode aparecer anos depois?
Sim, às vezes os sintomas surgem muito tempo depois do acontecimento.
Crianças podem ter TEPT?
Sim, com sintomas que às vezes se expressam na brincadeira ou no comportamento.
Tenho de contar tudo o que aconteceu?
O trabalho com a lembrança faz-se de forma gradual e segura, ao ritmo da pessoa.
Fontes
- Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Transtorno de estresse pós-traumático (TEPT)
- Lewis C, Roberts NP, Andrew M, Starling E, Bisson JI. Psychological therapies for post-traumatic stress disorder in adults: systematic review and meta-analysis. Eur J Psychotraumatol. 2020
Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.

