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Osteomielite: infeção do osso, sintomas e tratamento

A osteomielite é uma infeção do osso, em geral causada por bactérias e, menos vezes, por micobactérias ou fungos. Causa dor intensa, muitas vezes com febre, e costuma curar-se se for tratada cedo com antibióticos. Sem tratamento, pode causar problemas graves e duradouros, como lesões permanentes do osso. Este guia baseia-se no Manual MSD e nas informações do serviço de saúde britânico NHS.

Tema
Fisioterapia
Atualizado
Tempo de leitura
6 minutos
Revisado por
Dra. Itziar Gotxi Erezuma · Médica especialista em otorrinolaringologia · Colégio de Médicos de Bizkaia n.º 484809757

O que é a osteomielite?

Quando um osso infeta, a parte mole e interna (a medula) incha muitas vezes. O tecido inflamado pressiona a parede rígida do osso e comprime os vasos sanguíneos, o que reduz ou corta o sangue que chega ao osso.

Sem sangue suficiente, partes do osso podem morrer. Nestas zonas, a infeção é difícil de curar, porque as defesas do corpo e os antibióticos têm dificuldade em lá chegar. A infeção também se pode espalhar para fora do osso e formar abcessos nos músculos à volta, que às vezes drenam pela pele.

A osteomielite é mais comum em crianças pequenas e em idosos, mas todas as idades estão em risco, e também é mais frequente em pessoas com doenças graves.

Como surge a infeção do osso

Os ossos, normalmente bem protegidos, podem infetar por três vias:

  • Pelo sangue: uma infeção noutra parte do corpo chega ao osso; nas crianças, atinge sobretudo as extremidades dos ossos das pernas e dos braços e, nos adultos, a coluna.
  • Invasão direta: por fraturas expostas, cirurgia, peças metálicas ou próteses, ou objetos que perfuram o osso.
  • A partir de tecidos próximos: por exemplo, uma úlcera no pé por má circulação ou diabetes, úlceras de pressão profundas, ou uma infeção dos seios nasais, gengivas ou dentes que se espalha ao crânio.

A maioria das osteomielites resulta de invasão direta ou de infeção dos tecidos à volta.

Quem tem mais risco

Qualquer pessoa pode ter osteomielite, mas, segundo o NHS, o risco é maior em quem:

  • já teve osteomielite;
  • tem diabetes, sobretudo com uma úlcera no pé;
  • partiu um osso ou tem uma ferida;
  • teve uma infeção ou uma cirurgia;
  • tem o sistema imunitário enfraquecido, por exemplo por quimioterapia ou VIH (HIV).

As crianças podem ter mais probabilidade depois de uma infeção respiratória ou de varicela (catapora). A infeção da coluna é mais frequente em idosos, pessoas debilitadas, com anemia falciforme, em diálise ou que injetam drogas com agulhas não esterilizadas.

Osteomielite: sintomas

A osteomielite causa em geral dor intensa, mais vezes nas pernas, mas pode afetar outras partes do corpo. Pode haver também:

  • inchaço, calor e vermelhidão da pele sobre o osso, que pode ser mais difícil de ver em pele negra ou castanha;
  • dor ao mexer;
  • febre alta, perda de peso e cansaço;
  • coxear, mais comum nas crianças.

Quando a infeção vem de tecidos próximos ou de invasão direta, pode não haver febre. Na coluna, a dor nas costas surge aos poucos, piora com o movimento e não melhora com repouso, calor ou analgésicos, muitas vezes sem febre.

Osteomielite crónica

Se não for tratada com sucesso, a osteomielite pode tornar-se crónica: uma infeção persistente e muito difícil de curar. Às vezes passa despercebida durante meses ou anos, sem sintomas.

Mais vezes, causa dor no osso, infeções repetidas dos tecidos por cima e saída de pus pela pele, constante ou intermitente, através de um canal que se forma entre o osso infetado e a superfície. Um abcesso no osso pode voltar semanas, meses ou mesmo anos depois.

Quando procurar ajuda?

O NHS aconselha pedir uma consulta urgente se tiver:

  • dor, inchaço, vermelhidão e calor sobre uma zona de um osso;
  • febre muito alta, ou sensação de calor, frio ou arrepios, com mal-estar geral;
  • tido osteomielite antes e achar que os sintomas voltaram.

Leve a criança ao médico se ela não quiser usar um braço ou uma perna e parecer irritável: as crianças pequenas nem sempre têm febre alta com osteomielite. Sem tratamento rápido, podem surgir problemas graves e duradouros. Consulte o seu médico.

Como se faz o diagnóstico

O médico suspeita de osteomielite perante dor persistente e sem explicação numa parte de um osso, com ou sem febre e cansaço. Pede análises de sangue (exames de sangue) que medem a inflamação; valores altos não chegam para o diagnóstico, mas pouca ou nenhuma inflamação sugere que não há osteomielite.

Uma radiografia pode mostrar alterações típicas, mas às vezes só duas a quatro semanas depois dos primeiros sintomas. Se não for clara ou os sintomas forem graves, faz-se TAC (tomografia computadorizada) ou ressonância magnética, que mostram as zonas infetadas e abcessos próximos. Para identificar o micróbio, recolhem-se amostras de sangue, pus, líquido da articulação ou do próprio osso (biópsia).

Tratamento: antibióticos e cirurgia

A osteomielite trata-se com antibióticos ou, se for causada por fungos, com antifúngicos durante vários meses. O tratamento pode ser feito no hospital ou em casa. O NHS refere em geral 4 a 6 semanas de antibióticos e até 12 semanas nas infeções graves; o Manual MSD refere antibióticos pela veia durante cerca de quatro a oito semanas, que podem continuar depois por via oral.

Pode tomar analgésicos para a dor e, num osso longo, usar uma tala para o mexer menos. A cirurgia é em geral necessária quando há um abcesso a drenar, quando a infeção pressiona outra estrutura, como a medula espinal, ou quando durou muito tempo e danificou o osso: nesse caso retira-se a parte danificada (desbridamento), às vezes em mais de uma operação.

Com diabetes mal controlada, pode perder-se a sensibilidade nos pés e não se notar pequenos cortes que infetam e chegam ao osso; o NHS sublinha a importância de cuidar bem dos pés.

Onde as fontes divergem

As duas fontes concordam nos pontos principais, mas diferem em alguns detalhes:

  • Duração dos antibióticos. O NHS fala de 4 a 6 semanas e até 12 nas infeções graves. O Manual MSD fala de quatro a oito semanas pela veia, por vezes seguidas de comprimidos.
  • Febre. O NHS inclui a febre alta entre os sintomas. O Manual MSD avisa que a infeção vinda de tecidos próximos e a da coluna muitas vezes não dão febre.
  • Detalhe. O Manual MSD descreve as vias de infeção e a forma crónica. O NHS centra-se nos sinais de alerta e na diabetes.

Pontos-chave sobre a osteomielite

  • A osteomielite é uma infeção do osso, em geral por bactérias.
  • Pode chegar ao osso pelo sangue, por uma ferida ou a partir de tecidos próximos.
  • Causa dor intensa, inchaço, calor e muitas vezes febre.
  • A diabetes com úlceras nos pés aumenta o risco.
  • Trata-se com antibióticos durante semanas e, às vezes, cirurgia.
  • Tratada cedo, costuma curar-se por completo.

Perguntas frequentes sobre a osteomielite

Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.

O que é a osteomielite?

É uma infeção do osso, em geral causada por bactérias, que causa dor intensa e muitas vezes febre.

Como se apanha osteomielite?

Pelo sangue, por uma fratura exposta, cirurgia ou ferida, ou a partir de uma infeção próxima, como uma úlcera no pé.

Quais são os sintomas da osteomielite?

Dor intensa no osso, inchaço, calor e vermelhidão, febre e, nas crianças, coxear ou não querer usar o membro.

A osteomielite tem cura?

Sim, sobretudo se for tratada cedo. Sem tratamento pode tornar-se crónica e difícil de curar.

Quanto tempo dura o tratamento?

Em geral 4 a 6 semanas de antibióticos, e mais nas infeções graves.

Quando é preciso operar?

Quando há um abcesso, a infeção pressiona outra estrutura ou o osso ficou danificado.

Fontes

  1. Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Osteomielite
  2. NHS · Osteomyelitis

Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.