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Insuficiência venosa crónica: sintomas e tratamento

A insuficiência venosa crónica acontece quando as veias das pernas, ou as suas válvulas, estão danificadas e o sangue não consegue voltar bem ao coração. O sangue acumula-se nas pernas, que incham e ficam pesadas, sobretudo ao fim do dia. Com o tempo, a pele pode mudar de cor e surgir úlceras. Quando resulta de um coágulo, chama-se síndrome pós-trombótica. Elevar as pernas, usar compressão e fazer exercício são a base do tratamento. Este guia baseia-se no Manual MSD e na enciclopédia médica MedlinePlus.

Tema
Fisioterapia
Atualizado
Tempo de leitura
6 minutos
Revisado por
Dra. Itziar Gotxi Erezuma · Médica especialista em otorrinolaringologia · Colégio de Médicos de Bizkaia n.º 484809757

O que é a insuficiência venosa crónica?

As artérias levam o sangue do coração ao resto do corpo, e as veias trazem-no de volta. Nas pernas, a contração dos músculos empurra o sangue para cima pelas veias profundas, e umas válvulas de sentido único impedem que volte para trás.

Na insuficiência venosa crónica, as paredes das veias enfraquecem e as válvulas ficam danificadas, muitas vezes por tecido cicatricial. O fluxo de sangue diminui, a pressão dentro das veias aumenta e as veias ficam cheias de sangue, sobretudo quando a pessoa está de pé. Isso faz o líquido acumular-se nas pernas e causa os outros sintomas. É uma doença de longa duração.

Síndrome pós-trombótica

Um coágulo de sangue numa veia profunda da perna (trombose venosa profunda) pode deixar tecido cicatricial que danifica as válvulas. Quando isso causa insuficiência venosa com sintomas, chama-se síndrome pós-trombótica.

Pode surgir em até 50% das pessoas que tiveram uma trombose venosa profunda, geralmente nos 1 a 2 anos seguintes. Nem todas a desenvolvem; o risco é maior em quem teve vários coágulos na mesma perna, um coágulo na parte de cima da perna ou na bacia, ou obesidade.

Quem tem mais risco

Segundo as fontes, os fatores de risco são:

  • ter tido um coágulo nas pernas (trombose venosa profunda);
  • a idade;
  • a obesidade;
  • lesões nas pernas;
  • passar longos períodos de pé ou na posição sentada;
  • a gravidez;
  • história familiar, sexo feminino (ligado à hormona progesterona) e estatura alta, segundo a MedlinePlus.

O Manual MSD refere que não se sabe ao certo quantas pessoas têm insuficiência venosa crónica, porque as estimativas dos estudos variam muito.

Insuficiência venosa: sintomas nas pernas

O sinal principal é o inchaço (edema) das pernas, que costuma piorar ao fim do dia, porque o sangue tem de subir contra a gravidade, e desaparece durante a noite, ao deitar. Pode vir com:

  • dor surda, peso ou cãibras nas pernas;
  • pernas cansadas, latejantes ou com formigueiro;
  • comichão;
  • dor que piora de pé e melhora com as pernas elevadas;
  • varizes à superfície.

Algumas pessoas têm só o inchaço, sem outros sintomas.

Alterações da pele e úlceras

Com o tempo, a pele da parte interna do tornozelo começa a descamar, a dar comichão e a mudar de cor, porque os glóbulos vermelhos escapam das veias dilatadas para a pele. Pode ficar vermelha, inchada, com crostas ou a escorrer líquido (dermatite de estase), e endurecer e engrossar.

  • a pele alterada é frágil, e um pequeno arranhão ou pancada pode abrir uma ferida (úlcera);
  • as úlceras também podem surgir sem lesão, geralmente na parte interna do tornozelo, e saram devagar;
  • costumam ser pouco dolorosas; se doerem muito, podem estar infetadas;
  • se o inchaço for grave e persistente, a barriga da perna pode aumentar e endurecer de forma permanente, e as úlceras surgem mais e saram pior.

Quando procurar o médico

A MedlinePlus aconselha contactar o médico se:

  • tiver varizes dolorosas;
  • o problema piorar ou não melhorar com os cuidados em casa, como as meias de compressão ou evitar estar muito tempo de pé;
  • tiver um aumento súbito da dor ou do inchaço da perna, febre, vermelhidão da perna ou feridas.

Como a insuficiência venosa tende a piorar com o tempo, começar o tratamento cedo ajuda a controlá-la.

Como se diagnostica?

O diagnóstico faz-se geralmente pelo aspeto das pernas e pelos sintomas. O médico faz um exame físico e pergunta pela história clínica, observando as veias com a pessoa de pé ou sentada com as pernas penduradas.

Por vezes pede uma ecografia (ultrassom) Doppler das pernas, para ver como o sangue circula nas veias e excluir outros problemas, como um coágulo (trombose venosa profunda) a causar o inchaço.

Tratamento: elevação, compressão e exercício

  • Elevar as pernas acima da altura do coração durante 30 minutos ou mais, pelo menos três vezes por dia, baixa a pressão nas veias.
  • Compressão: primeiro ligaduras elásticas e, quando o inchaço diminui, meias de compressão graduada, mais apertadas no tornozelo; usadas todo o dia, ajudam o sangue a subir. Se não resultarem, pode usar-se compressão pneumática, com uma bomba que enche e esvazia umas meias.
  • Exercício: sobretudo o fortalecimento das pernas e o exercício aeróbico; mesmo mexer um pouco as pernas ajuda o sangue a circular.
  • Cuidar das feridas com pensos (curativos) próprios, que podem ficar debaixo da compressão vários dias.
  • Perder peso, se houver excesso, e não estar muito tempo de pé ou na posição sentada.

Pode haver medicamentos que ajudam; os cremes e pomadas em geral têm pouco efeito. Nos casos mais graves há procedimentos, como a escleroterapia (injeção que fecha a veia), a remoção de veias, o laser ou a radiofrequência, a reparação das válvulas ou enxertos de pele para úlceras que não saram.

Onde as fontes divergem

As duas fontes concordam nos pontos principais, mas diferem em alguns detalhes:

  • Fatores de risco. A MedlinePlus inclui a história familiar, o sexo feminino e a estatura alta. O Manual MSD inclui as lesões nas pernas.
  • Meias de compressão. O Manual MSD diz que não previnem a insuficiência venosa, mas ajudam a tratá-la. A MedlinePlus diz que ajudam a prevenir o inchaço e, em menor grau, os coágulos.
  • Procedimentos. A MedlinePlus detalha a escleroterapia, o laser e a remoção de veias. O Manual MSD dá mais detalhe sobre os pensos e a compressão.

Pontos-chave sobre a insuficiência venosa crónica

  • Na insuficiência venosa crónica, as veias das pernas não devolvem bem o sangue ao coração.
  • Causa pernas inchadas e pesadas, piores ao fim do dia.
  • Com o tempo, a pele muda de cor e podem surgir úlceras.
  • Um coágulo antigo pode causá-la: é a síndrome pós-trombótica.
  • Diagnostica-se pelo aspeto das pernas e, por vezes, com ecografia.
  • Elevar as pernas, usar compressão e fazer exercício são a base do tratamento.

Perguntas frequentes sobre a insuficiência venosa crónica

Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.

O que é a insuficiência venosa crónica?

É um problema em que as veias das pernas ou as suas válvulas estão danificadas e o sangue não volta bem ao coração.

Porque é que as pernas incham ao fim do dia?

Porque, de pé ou na posição sentada, o sangue tem de subir contra a gravidade; ao deitar, as veias esvaziam e o inchaço desaparece.

As meias de compressão ajudam?

Sim. Usadas todo o dia, ajudam o sangue a subir e reduzem o inchaço e o desconforto.

Que exercício é aconselhado?

Segundo o Manual MSD, sobretudo o fortalecimento das pernas e o exercício aeróbico.

O que é a síndrome pós-trombótica?

É a insuficiência venosa crónica causada por um coágulo antigo numa veia profunda da perna.

Quando devo ir ao médico?

Se tiver varizes dolorosas, feridas na perna, febre, vermelhidão ou aumento súbito da dor ou do inchaço.

Fontes

  1. Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Insuficiência venosa crônica e síndrome pós-trombótica
  2. MedlinePlus (U.S. National Library of Medicine) · Venous insufficiency

Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.