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Hiperidrose (suor excessivo): causas e tratamento

A hiperidrose é a transpiração excessiva: as pessoas suam profusamente, por vezes quase constantemente, mesmo quando o corpo não precisa de arrefecer. Pode afetar todo o corpo ou só certas zonas, como as mãos, os pés, as axilas ou a testa. Em geral não tem uma causa clara, mas às vezes deve-se a outra doença ou a um medicamento. Há medidas simples e vários tratamentos que ajudam. Este guia baseia-se no Manual MSD e nas informações do serviço de saúde britânico NHS.

Tema
Nutrição
Atualizado
Tempo de leitura
6 minutos
Revisado por
Dra. Itziar Gotxi Erezuma · Médica especialista em otorrinolaringologia · Colégio de Médicos de Bizkaia n.º 484809757

O que é a hiperidrose?

É normal suar com o calor ou com o exercício. Na hiperidrose, a pessoa sua quando o corpo não precisa de arrefecer. Embora todas as pessoas com febre ou em ambientes muito quentes tendam a transpirar, quem tem suor excessivo sua mesmo sem essas circunstâncias.

O NHS refere que o suor excessivo é comum e que às vezes melhora com a idade. Pode acontecer sem motivo aparente, por causa de outra doença ou como efeito secundário de um medicamento.

Suor excessivo em zonas concretas (focal)

Muitas vezes, o suor excessivo limita-se a certas partes do corpo. As zonas mais afetadas são:

  • as palmas das mãos;
  • as plantas dos pés;
  • a testa;
  • as axilas.

Nestas zonas, o suor deve-se em geral a ansiedade, agitação, raiva ou medo. É uma resposta normal, mas quem tem hiperidrose sua muito e em situações que não fazem suar a maioria das pessoas. Também é normal suar à volta da testa, do nariz e dos lábios ao comer alimentos picantes (suor gustativo), mas algumas doenças podem aumentá-lo.

Suor excessivo em todo o corpo

Quando o suor afeta a maior parte do corpo fala-se de sudorese generalizada. Em geral não se conhece a causa, mas o Manual MSD enumera vários grupos de causas possíveis:

  • Hormonais: tiroide hiperativa, açúcar baixo no sangue, diabetes que afeta os nervos e alguns problemas da hipófise.
  • Medicamentos e outras substâncias: antidepressivos, ácido acetilsalicílico e outros anti-inflamatórios não esteroides, alguns medicamentos para a diabetes, cafeína, ou a suspensão de opioides.
  • Infeções: tuberculose, infeção do coração ou infeções graves por fungos.
  • Cancro (câncer): linfoma, leucemia ou alguns tumores das glândulas suprarrenais.
  • Outras: gravidez, menopausa, ansiedade, febre, calor e certas cirurgias.

As infeções e o cancro causam sobretudo suores noturnos. Algum grau de suor nas situações do último grupo pode ser normal.

Sintomas e consequências

Além do suor abundante, a pele sempre molhada pode:

  • ficar vermelha e inflamada;
  • ganhar mau cheiro (bromidrose), porque as bactérias e leveduras que vivem na pele degradam o suor;
  • ficar pálida, enrugada e rachada com a humidade intensa e crónica.

A roupa também pode ficar encharcada. As pessoas com suor excessivo preocupam-se muitas vezes com o problema, o que pode levar ao isolamento social, e essa ansiedade pode piorar a transpiração.

Quando consultar um médico?

O NHS aconselha consultar o médico de família se suar excessivamente e:

  • as medidas que toma não ajudarem;
  • durar pelo menos 6 meses;
  • o impedir de fazer as atividades diárias;
  • acontecer pelo menos uma vez por semana;
  • acontecer à noite (suores noturnos);
  • houver casos de suor excessivo na família;
  • tomar medicamentos para outra doença.

O médico pode pedir exames se suspeitar que outra doença está a causar o suor. Consulte o seu médico.

Como se diagnostica?

O médico baseia o diagnóstico na história da pessoa e no exame físico. Às vezes aplica na pele substâncias que tornam visíveis pequenas quantidades de suor.

Também pode pedir análises de sangue (exames de sangue) e estudos hormonais para procurar outras doenças. Se o suor se deve a outra doença, o tratamento depende dessa causa. Se não houver causa evidente e nada ajudar, o NHS indica que se pode ser encaminhado para um dermatologista.

O que pode fazer no dia a dia

O NHS propõe algumas medidas simples:

  • usar roupa larga, para disfarçar o suor, e evitar roupa apertada e tecidos sintéticos como o nylon;
  • usar meias que absorvem a humidade e mudá-las pelo menos duas vezes por dia, se possível;
  • usar sapatos de pele, alternar o calçado e evitar botas fechadas ou ténis que façam suar mais os pés;
  • evitar o que pode piorar o suor, como o álcool ou a comida picante.

Na farmácia podem aconselhar antitranspirantes mais fortes do que um desodorizante, protetores para as axilas, pós para os pés e substitutos de sabão mais suaves. O Manual MSD aconselha lavar duas vezes por dia com água e sabão se houver mau cheiro.

Tratamento da hiperidrose

Se as medidas simples não chegarem, há várias opções, que o médico escolhe conforme a zona afetada:

  • Antitranspirantes de receita médica: mais fortes do que os comerciais, aplicam-se na pele seca à noite, sem os pôr em pele inflamada, ferida ou acabada de depilar.
  • Medicamentos anticolinérgicos: em comprimidos, toalhitas, géis ou cremes; podem causar visão turva, boca seca e dificuldade em urinar.
  • Iontoforese: uma corrente elétrica fraca através da água, sobretudo nas mãos e nos pés, durante 10 a 20 minutos; é eficaz, mas demorada.
  • Injeções nas axilas, mãos ou testa: inativam os nervos que acionam o suor durante cerca de 5 meses; são dolorosas e têm de ser repetidas.
  • Dispositivos de micro-ondas ou laser: destroem ou danificam as glândulas sudoríparas.
  • Cirurgia: retirar as glândulas das axilas ou, para as mãos, cortar os nervos que as controlam.

O Manual MSD avisa que cortar esses nervos pode causar complicações permanentes, como suor compensatório noutras zonas do corpo, que surge em até 80% das pessoas e pode ser pior do que o problema inicial.

Onde as fontes divergem

As duas fontes concordam nos pontos principais, mas diferem em alguns detalhes:

  • Medidas caseiras. O NHS dá conselhos sobre roupa, meias e calçado. O Manual MSD centra-se nos tratamentos médicos.
  • Opções técnicas. O Manual MSD descreve dispositivos de micro-ondas e laser e um medicamento para a tensão arterial (pressão arterial). O NHS não os menciona.
  • Causas. O Manual MSD detalha as doenças e medicamentos que podem causar suor generalizado. O NHS diz apenas que pode dever-se a outra doença ou a um medicamento.

Pontos-chave sobre a hiperidrose

  • Na hiperidrose a pessoa sua quando o corpo não precisa de arrefecer.
  • Pode afetar só mãos, pés, axilas e testa, ou todo o corpo.
  • Em geral não tem causa clara, mas pode dever-se a doenças ou medicamentos.
  • Suores noturnos ou suor que dura meses justificam consulta.
  • Roupa larga, meias absorventes e antitranspirantes fortes ajudam.
  • Há tratamentos médicos e, em último caso, cirurgia.

Perguntas frequentes sobre hiperidrose

Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.

O que é a hiperidrose?

É o suor excessivo: a pessoa sua muito, mesmo quando o corpo não precisa de arrefecer.

O que causa o suor excessivo?

Muitas vezes não tem causa clara; às vezes deve-se a doenças hormonais, infeções, medicamentos ou outras causas.

O suor excessivo nas mãos e nos pés é normal?

Suar com ansiedade ou medo é normal, mas na hiperidrose suar muito acontece em situações que não fazem suar a maioria das pessoas.

Quando devo ir ao médico por suar muito?

Se suar à noite, se durar pelo menos 6 meses, se afetar o dia a dia ou se tomar medicamentos para outra doença.

A hiperidrose tem cura?

Às vezes melhora com a idade. Há vários tratamentos que reduzem o suor, embora alguns tenham de ser repetidos.

Que tratamentos existem para a hiperidrose?

Antitranspirantes de receita, medicamentos anticolinérgicos, iontoforese, injeções, dispositivos e, em último caso, cirurgia.

Fontes

  1. Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Suor excessivo
  2. NHS · Excessive sweating (hyperhidrosis)

Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.