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Cancro da boca: sinais de alerta e diagnóstico

O cancro (câncer) da boca, ou cancro oral, pode surgir nas gengivas, na língua, no interior das bochechas, nos lábios, no pavimento da boca ou na garganta. No início muitas vezes não causa sintomas e pode parecer uma simples afta ou uma mancha branca ou vermelha. A maioria dos nódulos e manchas na boca não é cancerosa, mas uma ferida que não sara em 3 semanas ou um nódulo que não desaparece deve ser vista por um médico ou dentista. O tabaco, o álcool e a infeção pelo vírus do papiloma humano (HPV) são os principais fatores de risco. Este guia baseia-se no Manual MSD e nas informações do serviço de saúde britânico NHS.

Tema
Otorrino
Atualizado
Tempo de leitura
8 minutos
Revisado por
Dra. Itziar Gotxi Erezuma · Médica especialista em otorrinolaringologia · Colégio de Médicos de Bizkaia n.º 484809757

O que é o cancro da boca?

Segundo o Manual MSD, os tumores da boca podem ser de três tipos:

  • Não cancerosos (benignos): são a maioria.
  • Pré-cancerosos: alterações que podem tornar-se cancerosas se não forem removidas.
  • Cancerosos (malignos): o cancro oral.

O NHS explica que os sintomas do cancro da boca podem afetar qualquer parte da boca, incluindo as gengivas, a língua, o interior das bochechas e os lábios. O Manual MSD refere que, em quem fuma e masca tabaco, o cancro surge muitas vezes no interior das bochechas e dos lábios; nas outras pessoas, os locais mais comuns são os lados da língua, o pavimento da boca e a garganta.

Sintomas do cancro da boca

Segundo o NHS, os sintomas podem incluir:

  • uma afta na boca que dura mais de 3 semanas;
  • uma mancha vermelha ou branca dentro da boca;
  • um nódulo dentro da boca ou no lábio;
  • dor dentro da boca;
  • dificuldade em engolir;
  • dificuldade em falar ou voz rouca;
  • um nódulo no pescoço ou na garganta;
  • perda de peso sem estar a tentar.

O NHS lembra que estes sintomas são muito comuns e podem ter outras causas. Ter os sintomas não significa que se tenha cancro, mas é importante ser visto por um médico ou dentista. Se os sintomas forem causados por cancro, descobri-lo cedo pode tornar o tratamento mais fácil.

Manchas brancas e vermelhas

Segundo o Manual MSD, as zonas brancas, vermelhas ou mistas que não saem facilmente, duram mais de 2 semanas e não se explicam por outra doença podem ser pré-cancerosas:

  • Leucoplasia: uma placa branca que surge quando o revestimento da boca fica irritado durante muito tempo. A que não desaparece sozinha deve ser removida e analisada, porque pode tornar-se cancerosa.
  • Leucoplasia verrucosa proliferativa: uma forma agressiva e de crescimento rápido, que afeta geralmente a gengiva, é mais comum nas mulheres e geralmente não está ligada ao tabaco, mas torna-se cancerosa mais vezes do que a leucoplasia simples.
  • Eritroplasia: uma zona vermelha e plana ou desgastada, onde o revestimento da boca fica mais fino. É um sinal de cancro oral muito mais preocupante do que a leucoplasia.
  • Zonas mistas vermelhas e brancas: também podem transformar-se em cancro com o tempo.

O cancro oral pode ter muitos aspetos, mas costuma parecer-se com estas lesões pré-cancerosas.

Quem tem mais risco?

O NHS refere que nem sempre é claro o que causa o cancro da boca, mas o risco é maior em quem:

  • fuma ou masca tabaco, noz de bétel ou paan;
  • bebe muito álcool;
  • tem leucoplasia;
  • esteve muito exposto ao sol ou a solários, que podem causar cancro de pele nos lábios;
  • já teve cancro;
  • tem o sistema imunitário enfraquecido, por exemplo por VIH (HIV) ou SIDA, ou toma medicamentos imunossupressores.

Segundo o Manual MSD, quem fuma, bebe álcool ou ambos tem um risco muito maior de cancro oral. O cancro causado pelo HPV, sobretudo o tipo 16, surge geralmente na parte de trás da garganta, na base da língua e nas amígdalas, e é hoje uma causa mais comum de cancro nesses locais do que o tabaco. O NHS refere ainda a ligação a alterações nos genes.

Nódulos na boca que não são cancro

A maioria dos tumores da boca não é cancerosa. Segundo o Manual MSD, entre os mais comuns estão:

  • Tumores por irritação, como o fibroma, por exemplo pelo atrito de um aparelho dentário ou de uma borda afiada de um dente; podem ser removidos e voltar se a irritação continuar.
  • Verrugas, causadas pelo HPV, incluindo as transmitidas por sexo oral.
  • Candidíase, uma infeção por fungos que forma manchas esbranquiçadas que, quando removidas, deixam uma zona vermelha.
  • Tórus, uma saliência de osso no céu da boca ou na mandíbula, comum e inofensiva.
  • Mucocele, um quisto no lábio, geralmente depois de o morder.
  • Tumores das glândulas salivares, na maioria (75% a 80%) não cancerosos.

Como alguns tumores na boca podem ser malignos, o Manual MSD aconselha que um nódulo persistente seja visto por um médico ou dentista.

Sinais de alerta e quando consultar

O Manual MSD considera sinais de alerta:

  • perda de peso;
  • um nódulo firme no pescoço;
  • uma dor de garganta que não passa;
  • dificuldade em engolir.

Estes sinais sugerem um risco alto de cancro, e quem os tem, sobretudo quem usa tabaco, não deve deixar de ser visto. Um tumor na boca que não desaparece em 1 a 2 semanas deve ser visto por um médico ou dentista.

O NHS aconselha consultar o médico de família se tiver uma afta com mais de 3 semanas, um nódulo na boca, no lábio, no pescoço ou na garganta, uma mancha vermelha ou branca, dor na boca que não passa, dificuldade em engolir ou falar, ou rouquidão que não desaparece. O dentista também pode ajudar.

O que acontece na consulta

Segundo as duas fontes, o médico ou dentista pergunta pelos sintomas, pelo estilo de vida e por outras doenças. O Manual MSD acrescenta perguntas sobre:

  • há quanto tempo existe o nódulo, se dói e se houve alguma lesão, como morder a bochecha ou uma borda afiada de um dente ou de uma restauração;
  • a quantidade e o tempo de consumo de álcool e tabaco;
  • fatores de risco para candidíase, como antibióticos, diabetes ou VIH;
  • perda de peso ou mal-estar geral;
  • a frequência de sexo oral e o número de parceiros.

O exame centra-se na boca e no pescoço: o médico observa todas as zonas da boca e da garganta, incluindo debaixo da língua, e palpa o pescoço à procura de gânglios inchados. Se quiser, pode pedir que outra pessoa esteja presente durante o exame. Se suspeitar de cancro, o médico de família pode encaminhar com urgência para um especialista, o que não significa que haja cancro.

Biópsia, exames e tratamento

Como é difícil reconhecer um cancro pelo aspeto, o Manual MSD refere que os médicos recomendam muitas vezes uma biópsia. Segundo o NHS, os exames principais são:

  • Biópsia: retira-se uma pequena amostra da zona afetada para análise; os resultados chegam geralmente em 2 semanas.
  • Imagem: radiografia, ecografia (ultrassom), TC ou ressonância magnética.
  • Se for cancro: podem ser precisos uma biópsia dos gânglios linfáticos, uma PET e análises ao sangue (exames de sangue), para saber até onde se espalhou.

O tratamento depende do tamanho e do local do cancro, de se ter espalhado, de algumas alterações genéticas, da idade e do estado de saúde. Pode combinar cirurgia, quimioterapia, radioterapia, medicamentos dirigidos e imunoterapia. A cirurgia é geralmente necessária e pode incluir retirar gânglios do pescoço ou parte da língua ou da mandíbula, por vezes com cirurgia reconstrutiva. A radioterapia pode ser o único tratamento se o cancro for descoberto cedo.

Onde as fontes divergem

As duas fontes concordam nos pontos principais, mas diferem em alguns detalhes:

  • Prazo. O NHS dá 3 semanas para uma afta que não sara. O Manual MSD fala de 2 semanas para manchas e de 1 a 2 semanas para um tumor na boca.
  • Âmbito. O Manual MSD descreve todos os tumores da boca, incluindo os não cancerosos. O NHS centra-se no cancro da boca e no seu tratamento.
  • Fatores de risco. O NHS inclui o sol nos lábios, a noz de bétel e o sistema imunitário fraco. O Manual MSD destaca o HPV tipo 16 e as lesões pré-cancerosas.

Pontos-chave sobre o cancro da boca

  • A maioria dos nódulos e manchas na boca não é cancerosa.
  • Uma afta com mais de 3 semanas ou uma mancha branca ou vermelha persistente deve ser vista.
  • A eritroplasia é mais preocupante do que a leucoplasia.
  • Tabaco, álcool e HPV são os principais fatores de risco.
  • Perda de peso, nódulo no pescoço e dificuldade em engolir são sinais de alerta.
  • A biópsia confirma o diagnóstico, e a cirurgia é o tratamento mais habitual.

Perguntas frequentes sobre o cancro da boca

Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.

Como começa o cancro da boca?

Muitas vezes sem sintomas, ou como uma afta que não sara, uma mancha branca ou vermelha ou um nódulo na boca ou no lábio.

Uma afta pode ser cancro?

A maioria não é, mas o NHS aconselha consultar o médico ou o dentista se uma afta durar mais de 3 semanas.

O que é a leucoplasia?

É uma placa branca na boca, causada por irritação prolongada; se não desaparecer, deve ser removida e analisada, porque pode tornar-se cancerosa.

O HPV causa cancro da boca?

Sim. Segundo o Manual MSD, o HPV, sobretudo o tipo 16, causa cancro na parte de trás da garganta, na base da língua e nas amígdalas.

O dentista pode detetar o cancro da boca?

Sim. O dentista pode observar aftas, nódulos e manchas, e o Manual MSD recomenda um exame anual da boca no check-up dentário.

Como se reduz o risco?

Segundo o NHS, deixando de fumar e de mascar tabaco, reduzindo o álcool, comendo 5 porções de fruta e legumes por dia e fazendo exercício regular.

Fontes

  1. Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Tumores bucais
  2. NHS · Mouth cancer

Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.