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Tinha do couro cabeludo: sintomas e tratamento

A tinha do couro cabeludo, ou tinea capitis, é uma infeção por fungos (dermatófitos) da pele da cabeça. É muito contagiosa e muito comum nas crianças. Causa zonas secas com escamas, falhas de cabelo ou ambas. Apesar do nome em inglês, ringworm, não é causada por vermes. Ao contrário de outras micoses, precisa geralmente de medicamentos antifúngicos tomados por via oral, receitados pelo médico, e de um champô próprio. Este guia baseia-se no Manual MSD, nas informações do serviço de saúde britânico NHS e na enciclopédia médica MedlinePlus.

Tema
Otorrino
Atualizado
Tempo de leitura
5 minutos
Revisado por
Dra. Itziar Gotxi Erezuma · Médica especialista em otorrinolaringologia · Colégio de Médicos de Bizkaia n.º 484809757

O que é a tinha do couro cabeludo?

A tinha do couro cabeludo é uma infeção do couro cabeludo causada por fungos chamados dermatófitos. Estes fungos vivem no tecido morto do cabelo, das unhas e das camadas exteriores da pele e crescem bem em zonas quentes e húmidas.

É um tipo de dermatofitose, a mesma família de infeções que causa o pé de atleta, a micose das unhas e a micose da virilha. Nos Estados Unidos, deve-se sobretudo ao fungo Trichophyton tonsurans. O NHS sublinha que, apesar do nome inglês ringworm, não é causada por vermes.

Como se apanha?

A tinha do couro cabeludo é muito contagiosa. Passa por contacto próximo com:

  • uma pessoa infetada, tocando na zona afetada;
  • animais, sobretudo gatos;
  • objetos contaminados, como pentes, escovas, chapéus, roupa, toalhas ou lençóis;
  • terra contaminada, o que é menos comum.

A transmissão é mais fácil em condições de vida precárias e com muitas pessoas na mesma casa. A MedlinePlus refere que a infeção é mais provável com pequenas feridas no couro cabeludo, pouca higiene do cabelo ou pele húmida durante muito tempo, por exemplo pelo suor.

Quem tem tinha do couro cabeludo?

É muito comum nas crianças. A MedlinePlus explica que se espalha depressa, afeta sobretudo crianças e desaparece muitas vezes na puberdade, embora possa surgir em qualquer idade.

Pode ser difícil de eliminar e voltar depois de tratada. Por isso, os outros membros da família e os animais de estimação devem ser examinados e tratados, se necessário. Quem tem defesas baixas, por exemplo por quimioterapia, corticosteroides ou diabetes, deve consultar o médico.

Tinha do couro cabeludo: sintomas

A tinha pode afetar parte ou todo o couro cabeludo. Os sinais mais frequentes são:

  • uma zona seca com escamas, que pode dar comichão e parecer caspa;
  • falhas de cabelo (alopecia), por vezes com pontos pretos onde o cabelo partiu rente à pele;
  • zonas redondas com escamas, vermelhas ou mais escuras do que a pele à volta, conforme o tom de pele;
  • cabelo partido logo acima da pele, deixando pequenos tocos;
  • gânglios inchados no pescoço e atrás das orelhas.

A MedlinePlus refere que pode haver febre baixa, de cerca de 37,8 °C a 38,3 °C, e que a tinha pode causar perda de cabelo permanente e cicatrizes.

Quérion: a forma inflamada

Por vezes a infeção causa um quérion: uma placa grande, dolorosa, inflamada e inchada no couro cabeludo, que às vezes deita pus e pode ter bolhas e crostas. Pode parecer um abcesso.

O quérion é causado por uma reação do sistema imunitário ao fungo e pode deixar uma falha de cabelo com cicatriz. Nestes casos, o médico pode receitar um tratamento curto com corticosteroides por via oral, para aliviar os sintomas e talvez reduzir a probabilidade de cicatriz.

Quando procurar o médico

Noutras partes do corpo, a micose trata-se muitas vezes com produtos da farmácia. No couro cabeludo é diferente: o NHS aconselha consultar o médico, porque geralmente são precisos comprimidos antifúngicos e um champô receitados.

Consulte também o médico se:

  • a micose não melhorar com o produto antifúngico recomendado pelo farmacêutico;
  • tiver defesas baixas;
  • os cuidados em casa não chegarem para eliminar a infeção.

Como se diagnostica?

O médico diagnostica a tinha pelo aspeto do couro cabeludo e pelo exame de cabelos arrancados ou de escamas ao microscópio. Por vezes:

  • ilumina o couro cabeludo com uma luz ultravioleta especial (lâmpada de Wood), para distinguir o tipo de fungo;
  • faz uma cultura das amostras ou do material de um quérion, para identificar o fungo em laboratório;
  • raramente, faz uma biópsia da pele.

Tratamento e cuidados em casa

O tratamento faz-se com medicamentos antifúngicos tomados por via oral, em crianças e adultos, geralmente durante 4 a 8 semanas, segundo a MedlinePlus. É importante fazê-lo durante todo o tempo indicado, mesmo que a pele pareça curada.

  • nas crianças, junta-se um creme antifúngico no couro cabeludo e um champô medicinal pelo menos duas vezes por semana, para evitar que o fungo passe a outras crianças;
  • o champô pode abrandar ou parar a propagação, mas sozinho não elimina a tinha;
  • outras crianças da casa podem usar o champô 2 a 3 vezes por semana durante cerca de 6 semanas;
  • lavar as toalhas em água quente com sabão sempre que a pessoa infetada as usar;
  • deixar pentes e escovas de molho numa mistura de 1 parte de lixívia para 10 de água, 1 hora por dia, durante 3 dias seguidos.

Ninguém em casa deve partilhar pentes, escovas, chapéus, toalhas, fronhas ou capacetes. O NHS aconselha também não coçar, lavar as mãos depois de tocar em animais ou na terra e levar ao veterinário um animal com falhas de pelo.

Onde as fontes divergem

As fontes concordam nos pontos principais, mas diferem em alguns detalhes:

  • Duração do tratamento. A MedlinePlus fala de 4 a 8 semanas de medicamento por via oral. O Manual MSD diz que a duração depende do medicamento usado.
  • Cuidados em casa. A MedlinePlus dá instruções para limpar pentes e toalhas. O Manual MSD centra-se no diagnóstico e nos medicamentos.
  • Evolução. A MedlinePlus diz que muitas vezes melhora sozinha depois da puberdade. O Manual MSD sublinha que é muito contagiosa e comum nas crianças.

Pontos-chave sobre a tinha do couro cabeludo

  • A tinha do couro cabeludo é uma infeção por fungos, não por vermes.
  • É muito contagiosa e comum nas crianças.
  • Causa escamas, comichão e falhas de cabelo; por vezes um quérion inflamado.
  • Diagnostica-se pelo aspeto e pelo exame de cabelos ou escamas.
  • Trata-se com antifúngicos por via oral, receitados, durante semanas, e champô próprio.
  • Não partilhar pentes, toalhas ou chapéus ajuda a evitar o contágio.

Perguntas frequentes sobre a tinha do couro cabeludo

Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.

A tinha do couro cabeludo é contagiosa?

Sim, muito. Passa pelo contacto com pessoas ou animais infetados e por objetos como pentes, chapéus e toalhas.

A tinha é causada por vermes?

Não. É uma infeção por fungos, apesar do nome inglês ringworm.

A criança pode ir à escola?

Sim, depois de começar o tratamento; o NHS aconselha avisar os professores.

Basta um champô para tratar a tinha?

Não. O champô ajuda a travar o contágio, mas é preciso tomar antifúngicos por via oral receitados pelo médico.

O cabelo volta a crescer?

Geralmente sim, mas a tinha pode causar perda de cabelo permanente e cicatrizes, sobretudo quando há quérion.

Os animais podem transmitir a tinha?

Sim, sobretudo os gatos. Um animal com falhas de pelo deve ser visto pelo veterinário.

Fontes

  1. Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Tinea do couro cabeludo (Tinea capitis)
  2. NHS · Ringworm
  3. MedlinePlus (U.S. National Library of Medicine) · Ringworm of the scalp

Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.