Por que se ronca
O Manual MSD explica que o ronco é produzido pela vibração dos tecidos moles da garganta, sobretudo do palato mole, a parte de trás do céu da boca. Durante o sono, os músculos relaxam, os tecidos ficam menos firmes e a passagem do ar estreita, o que facilita a vibração.
É por isso que as pessoas não roncam acordadas. O ronco varia de noite para noite e depende de quem o ouve, por isso as porcentagens de pessoas que roncam são apenas estimativas.
Fatores de risco
- Idade acima dos 50 anos.
- Obesidade, sobretudo com gordura à volta do pescoço ou da barriga.
- Álcool, uma causa muito comum, e medicamentos sedativos.
- Congestão nasal crônica, por exemplo por rinite, desvio de septo ou pólipo nasal.
- Mandíbula pequena ou recuada, menopausa e sexo masculino.
Segundo o Manual MSD, estes fatores somam-se: quanto mais tiver, maior a probabilidade de roncar.
Ronco simples ou apneia do sono?
O ronco primário, ou simples, não faz a pessoa acordar mais vezes e não baixa o oxigênio no sangue, por isso não causa sono excessivo durante o dia. Na apneia obstrutiva do sono, a respiração para ou fica muito superficial cinco ou mais vezes por hora.
O Manual MSD explica que as pessoas com apneia obstrutiva do sono têm mais risco de hipertensão, acidente vascular cerebral, doenças cardíacas e diabetes. Por isso, o objetivo principal da avaliação de quem ronca é identificar quem tem risco de apneia.
Sinais de alerta
O Manual MSD considera preocupantes estes sinais, que podem sugerir apneia do sono:
- Pausas na respiração ou engasgos durante o sono, vistos por quem dorme ao lado.
- Dores de cabeça ao acordar.
- Sonolência durante o dia.
- Obesidade.
- Ronco muito alto e constante.
- Pressão arterial alta.
Quem tem sinais de alerta deve consultar o médico em breve, porque pode precisar de exames.
Como o médico avalia o ronco
O médico pergunta pelo ronco, pelo sono e pelo álcool e medicamentos, e tenta falar também com quem dorme ao lado. No exame, mede o peso e a circunferência do pescoço e observa o nariz e a boca à procura de obstruções, como pólipos, desvio do septo, amígdalas grandes ou mandíbula recuada.
Quando suspeita de apneia, pede uma polissonografia, um estudo do sono que pode fazer-se num laboratório ou, em alguns casos, em casa. Quem não tem sinais de alerta normalmente não precisa de exames, mas convém um acompanhamento regular.
Medidas que ajudam a roncar menos
O Manual MSD indica várias medidas gerais para o ronco simples. Nenhuma funciona para todos, mas algumas pessoas beneficiam:
- Dormir de lado em vez de barriga para cima.
- Elevar a cabeceira da cama com blocos debaixo dos pés da cama, e não com travesseiros (almofadas).
- Perder peso, se houver excesso.
- Evitar o álcool e os sedativos nas horas antes de dormir.
- Tratar a congestão nasal, por exemplo com spray nasal de corticoide, se o médico indicar.
Para quem dorme ao lado, tampões de ouvido podem ajudar enquanto se procura uma solução.

Exercícios para a garganta
O ensaio de Ieto e colaboradores, publicado na Chest em 2015, incluiu 39 adultos com queixa de ronco e diagnóstico de ronco primário ou apneia leve a moderada. Durante três meses, um grupo fez exercícios orofaríngeos diários e o outro usou tiras nasais e exercícios respiratórios.
No grupo dos exercícios, o ronco medido no estudo do sono diminuiu de forma significativa, enquanto o grupo de controle não mudou. Os autores concluíram que estes exercícios são uma opção possível para reduzir o ronco. Devem ser ensinados por um profissional e feitos com regularidade.
Aparelhos orais, CPAP e cirurgia
Os aparelhos de avanço mandibular, feitos por dentistas com formação específica, puxam a mandíbula e a língua para a frente durante o sono. Segundo o Manual MSD, os ajustáveis são mais eficazes do que os comprados sem receita. O CPAP é muito eficaz na apneia, mas raramente se usa só para o ronco.
Algumas obstruções, como pólipos, amígdalas grandes ou desvio do septo, podem tratar-se com cirurgia, mas o Manual MSD lembra que ainda não está provado se essas operações reduzem o ronco. As cirurgias do palato podem reduzi-lo, mas o efeito pode durar só alguns anos.

Quando procurar o otorrino
- Se houver sinais de alerta de apneia do sono.
- Se o ronco for muito incômodo e as medidas gerais não resultarem.
- Se o nariz estiver sempre entupido.
- Se uma criança ronca com frequência ou respira pela boca.
Na consulta de otorrino avaliamos o nariz e a garganta e indicamos se é preciso um estudo do sono. Nas crianças, veja também o guia de respirador bucal.
Pontos-chave
- O ronco nasce da vibração dos tecidos da garganta durante o sono.
- Nem todos os que roncam têm apneia, mas a maioria das pessoas com apneia ronca.
- Pausas na respiração, sono de dia e dores de cabeça ao acordar exigem avaliação.
- Dormir de lado, perder peso e evitar o álcool à noite ajudam algumas pessoas.
- Exercícios orofaríngeos reduziram o ronco num ensaio de três meses.
Perguntas frequentes sobre ronco
Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.
Roncar é perigoso?
O ronco simples não parece ter efeitos graves, mas pode ser sinal de apneia do sono, que deve ser avaliada.
Como parar de roncar?
Dormir de lado, perder peso, evitar o álcool à noite e tratar a congestão nasal ajudam algumas pessoas.
Exercícios para parar de roncar funcionam?
Num ensaio de 2015, três meses de exercícios orofaríngeos diários reduziram o ronco medido de forma objetiva.
Que diferença há entre ronco e apneia?
Na apneia, a respiração para ou fica muito fraca várias vezes por hora durante o sono; no ronco simples, não.
Cirurgia resolve o ronco?
Nem sempre. Segundo o Manual MSD, ainda não está provado se muitas dessas cirurgias reduzem o ronco a longo prazo.
O que é ressonar?
É a palavra usada em Portugal para roncar.
Fontes
- Ieto V, et al. Effects of oropharyngeal exercises on snoring: a randomized trial. Chest. 2015
- Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Roncar
Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.

