O que é a perda de olfato
O olfato funciona graças a um pequeno grupo de células nervosas no teto do nariz. Essas células captam as moléculas de odor do ar e enviam o sinal ao cérebro pelo nervo olfativo. Qualquer problema que impeça o ar de chegar a essa área, que lese as células ou que afete o nervo e o cérebro pode reduzir a capacidade de sentir cheiros.
O Manual MSD distingue dois graus. Na anosmia a pessoa não sente nenhum cheiro; na hiposmia sente cheiros, mas de forma fraca. Também existem distorções: a parosmia, em que cheiros conhecidos parecem diferentes e muitas vezes desagradáveis, e a fantosmia, em que a pessoa sente cheiros que não existem.
Perder o olfato não é apenas um incômodo. Afeta o prazer de comer, o apetite e o humor, e tira um sistema de alarme importante, porque deixa de ser possível detectar fumaça, gás ou alimentos estragados.
Por que a comida perde o sabor
A língua percebe apenas cinco sabores básicos: doce, salgado, azedo, amargo e umami. O resto, aquilo que distingue o morango da banana ou o café do chá, vem dos aromas que sobem da boca para o nariz enquanto mastigamos. O Manual MSD lembra que a maior parte do sabor depende do olfato.
Por isso, quem perde o olfato costuma dizer que perdeu o paladar. Na maioria dos casos, a língua continua funcionando: a pessoa nota se a comida está salgada ou doce, mas não identifica o sabor completo. Uma perda real do paladar, sem relação com o nariz, é muito menos frequente e merece uma avaliação específica.
Um truque simples para notar a diferença é tapar o nariz enquanto se come: com o nariz tapado, quase toda a gente sente apenas o gosto básico. É exatamente o que acontece, sem querer, a quem tem anosmia.
Causas mais comuns
- Infecções virais das vias respiratórias. Segundo o Manual MSD, a gripe está entre as causas mais frequentes, e a covid-19 tornou esse problema muito conhecido.
- Traumatismos na cabeça, sobretudo em adultos jovens, que podem lesar as fibras do nervo olfativo.
- Problemas do nariz e dos seios paranasais: rinite alérgica, sinusite crônica e pólipos nasais, que bloqueiam a passagem do ar.
- Envelhecimento: o olfato tende a diminuir a partir dos 60 anos e de forma mais marcada depois dos 70.
- Doenças neurológicas: o Manual MSD cita a doença de Alzheimer entre as causas mais comuns nas pessoas idosas.
- Alguns medicamentos, o tabaco e a exposição a produtos químicos.
Em parte dos casos não se encontra uma causa clara. Mesmo assim, uma avaliação ajuda a excluir problemas tratáveis.
Quando o problema está no nariz
Se o ar não chega ao alto do nariz, as células olfativas não recebem os odores. É o que acontece com a congestão de uma rinite, com a inflamação da sinusite crônica ou com os pólipos nasais, pequenas formações moles que crescem na mucosa. O Manual MSD inclui a perda e a redução do olfato entre os sintomas dos pólipos e explica que os corticoides podem reduzi-los ou eliminá-los, embora às vezes seja preciso retirá-los com cirurgia.
Nesse tipo de perda o olfato muitas vezes varia: melhora em dias de nariz mais livre e piora quando a congestão aumenta. Tratar a inflamação pode devolver parte dos cheiros. Se você tem nariz entupido há meses, o artigo sobre sinusite crônica ajuda a entender esse quadro.
Perda de olfato depois de gripe ou covid-19
Os vírus podem lesar diretamente o epitélio olfativo, a mucosa onde ficam as células que captam os cheiros. A perda aparece durante a infecção ou logo depois e, em muitas pessoas, melhora sozinha ao longo de semanas ou meses, à medida que as células se regeneram.
O documento de posição europeu sobre disfunção olfativa, de Whitcroft e colaboradores, publicado em 2023, descreve a perda pós-infecciosa como uma das causas mais frequentes e reconhece que a recuperação pode ser lenta. Durante esse período é comum surgir parosmia, com cheiros distorcidos, por exemplo do café, da cebola ou da carne. Embora seja muito incômoda, costuma indicar que o sistema está se reorganizando.
Sinais de alarme
- Perda de olfato súbita, sem resfriado nem congestão.
- Perda depois de um traumatismo na cabeça.
- Outros sintomas neurológicos: alterações da visão, da fala, da memória ou da força.
- Nariz entupido de um só lado, com sangramentos ou secreção com sangue.
- Dor facial ou de cabeça persistente.
O Manual MSD considera esses sinais motivo para consultar o médico com rapidez. Sem eles, vale marcar uma consulta se a perda durar mais de algumas semanas ou se interferir na vida diária.
O que o médico faz
O médico pergunta como e quando começou a perda, se houve infecções, pancadas na cabeça, alergias, uso de medicamentos ou exposição a produtos químicos, e se há outros sintomas. Depois examina o nariz. Na consulta de otorrinolaringologia é habitual fazer uma endoscopia nasal, com uma pequena câmera, para ver a área olfativa, pólipos ou sinais de inflamação.
Podem ser feitos testes de olfato com cheiros padronizados para medir o grau da perda. O Manual MSD explica que costuma ser necessária uma tomografia ou ressonância magnética quando a causa não é evidente, para avaliar os seios paranasais, o crânio e o cérebro.

Tratamento e treino olfativo
Segundo o Manual MSD, trata-se a causa sempre que possível: corticoides e lavagens nasais na rinite e na sinusite, tratamento dos pólipos, revisão de medicamentos ou parar de fumar. Não existe um remédio que recupere o olfato por si só quando o nervo está lesado.
Para a perda depois de infecções, a opção com mais apoio é o treino olfativo. No estudo de Hummel e colaboradores, as pessoas cheiraram quatro odores intensos, como rosa, eucalipto, limão e cravo, duas vezes por dia durante 12 semanas, e uma parte delas melhorou mais do que quem não treinou. O documento europeu de 2023 recomenda esse treino na perda pós-infecciosa. Exige paciência: os resultados aparecem ao longo de meses.

Cuidados no dia a dia
- Instale detectores de fumaça e, se usar gás em casa, um detector de gás.
- Etiquete os alimentos com a data e confira validades, porque não vai notar o cheiro de estragado.
- Cozinhe com temporizador para não deixar comida queimar.
- Use texturas, cores, temperatura e especiarias picantes para tornar as refeições mais interessantes.
- Cuidado com o excesso de sal ou de açúcar para compensar a falta de sabor.
O Manual MSD lembra que as pessoas com anosmia correm mais risco com fumaça, gás e alimentos estragados, por isso essas medidas são importantes enquanto o olfato não volta.
Pontos-chave
- Anosmia é a perda total do olfato; hiposmia, a parcial.
- A maior parte do sabor depende do nariz, por isso a comida parece sem graça.
- Infecções virais, problemas do nariz, traumatismos e a idade são as causas mais comuns.
- Perda súbita, após uma pancada ou com sintomas neurológicos exige consulta rápida.
- Trata-se a causa; o treino olfativo pode ajudar na perda pós-infecciosa.
Perguntas frequentes sobre perda de olfato
Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.
A perda de olfato volta sozinha?
Muitas vezes, sobretudo depois de uma infecção viral, mas pode levar meses. Depende da causa e do grau de lesão.
Perdi o olfato e o paladar: é a mesma coisa?
Em geral é o olfato que falta. A língua sente doce, salgado, azedo e amargo, mas o sabor completo depende do nariz.
Como fazer o treino olfativo?
Cheirar alguns odores intensos, como rosa, eucalipto, limão e cravo, alguns segundos cada, duas vezes por dia, durante pelo menos 12 semanas.
Que exame avalia o olfato?
Testes com cheiros padronizados medem a perda. O otorrino examina o nariz com endoscopia e, se necessário, pede exames de imagem.
O spray nasal pode ajudar?
Se a causa for rinite, sinusite ou pólipos, o corticoide nasal receitado pelo médico pode melhorar o olfato.
Quando devo ir ao médico?
Se a perda for súbita, vier depois de uma pancada na cabeça, tiver outros sintomas neurológicos ou durar mais de algumas semanas.
Fontes
- Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Perda do olfato
- Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Pólipos nasais
- Whitcroft KL, et al. Position paper on olfactory dysfunction: 2023. Rhinology. 2023
- Hummel T, et al. Effects of olfactory training in patients with olfactory loss. Laryngoscope. 2009
Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.

