O que é uma luxação
Segundo o Manual MSD, nas luxações os ossos de uma articulação ficam completamente separados; nas subluxações, só parcialmente fora da posição. Às vezes a articulação volta ao lugar sozinha.
As luxações podem ser abertas, com a pele rasgada, ou fechadas. Geralmente afetam um membro, mas também podem ocorrer na mandíbula, no pescoço ou na coluna, e o tratamento e o prognóstico variam muito conforme o local e a gravidade.
Podem vir acompanhadas de outras lesões: fraturas, entorses dos ligamentos, estiramentos dos músculos ou ruptura de tendões.
Causas das luxações
Segundo o Manual MSD, o traumatismo físico é a causa mais comum:
- força direta, como em quedas ou acidentes de trânsito;
- desgaste por uso repetido, nas atividades diárias ou por vibrações ou solavancos;
- uso excessivo, como quando um atleta treina em excesso.
Algumas luxações ocorrem em certos esportes. Algumas doenças tornam-nas mais prováveis, como a síndrome de Ehlers-Danlos, uma doença hereditária rara que deixa as articulações flexíveis de modo incomum. As pessoas com mais de 65 anos também são mais propensas, em parte porque caem mais.
Sintomas de uma luxação
Segundo o Manual MSD, os ossos podem ficar nitidamente fora do lugar, e a articulação pode parecer deformada ou torcida. As luxações causam:
- inchaço;
- incapacidade de usar normalmente a parte lesionada;
- manchas roxas (hematomas), que passam de roxo a verde e amarelo ao longo de vários dias;
- possível perda de sensibilidade, dormência ou sensações anormais;
- dor, sobretudo ao tentar apoiar peso ou usar a parte afetada, e sensibilidade ao toque.
Em crianças pequenas que ainda não falam, recusar-se a mover uma parte do corpo pode ser o único sinal de uma luxação.
Complicações possíveis
Segundo o Manual MSD, as complicações graves são incomuns, mas o risco aumenta se a pele estiver rasgada ou se houver lesão de vasos ou nervos. As articulações deslocadas, se não forem realinhadas depressa, danificam vasos e nervos com mais probabilidade do que as fraturas:
- Vasos sanguíneos: uma luxação do quadril ou do joelho pode interromper o sangue para a perna;
- Nervos: podem ser esticados ou esmagados; costumam recuperar em semanas, meses ou anos, mas alguns nunca saram totalmente;
- Síndrome compartimental: o inchaço reduz ou bloqueia o fluxo sanguíneo, e o membro fica frio e azulado;
- Infecções: se a pele estiver rasgada, podem chegar ao osso;
- Articulações: os danos na cartilagem podem causar artrose; o joelho, o cotovelo e o ombro tendem a ficar rígidos, sobretudo em adultos mais velhos.
Quando ir ao pronto-socorro e como se diagnostica
Segundo o Manual MSD, deve ir-se ao pronto-socorro se a lesão for evidentemente grave, se houver suspeita de luxação grave ou de fratura, várias lesões, sintomas de complicação, se não se conseguir usar nem apoiar a parte afetada ou se a articulação parecer instável. Se doer ou inchar, mas a articulação se mover normalmente, pode ligar-se ao médico.
O médico pergunta como foi a lesão e quando começou a dor, verifica primeiro o pulso, a cor e a temperatura da pele e a função dos nervos, e depois examina a articulação. Exames:
- Radiografias: de pelo menos dois ângulos, para ver o alinhamento e procurar fraturas;
- Tomografia ou ressonância magnética: para fraturas sutis e, a ressonância, para os ligamentos;
- Outros: angiografia, se houver suspeita de lesão de vasos, e eletromiografia ou estudos de condução nervosa, se houver suspeita de lesão de nervos.

Primeiros cuidados, redução e imobilização
Segundo o Manual MSD, até obter ajuda médica deve imobilizar-se o membro com uma tala improvisada, uma tipoia ou uma almofada, elevá-lo e aplicar gelo envolvido num pano. Depois:
- Alívio da dor: analgésicos opioides ou anti-inflamatórios;
- Proteção, repouso, gelo, compressão e elevação: o gelo aplica-se 15 a 20 minutos de cada vez nas primeiras 24 a 48 horas;
- Redução: os profissionais recolocam a articulação no lugar, geralmente por manipulação e com analgésicos, sedação ou anestesia; algumas exigem cirurgia;
- Imobilização: talas, tipoias ou faixas; após uma redução bem-sucedida, o gesso geralmente não é necessário.
Se a imobilização durar tempo demais, a articulação pode ficar rígida, às vezes de forma permanente, e os músculos podem encurtar ou atrofiar, por isso os médicos incentivam o movimento assim que possível. No ombro, imobilizá-lo por completo pode levar ao ombro congelado; a tipoia limita o ombro e o cotovelo, mas deixa mover a mão.
Reabilitação e exercícios
Segundo o Manual MSD, geralmente é necessária fisioterapia para prevenir a rigidez e ajudar a articulação a mover-se o mais normalmente possível:
- os médicos ou fisioterapeutas podem recomendar exercícios diários de amplitude de movimento e de fortalecimento muscular;
- enquanto a lesão cicatriza, pode exercitar-se o resto do corpo;
- se os músculos estiverem fracos demais, o fisioterapeuta move o membro (exercício passivo), mas para recuperar a força é preciso mover os próprios músculos;
- os exercícios de amplitude, força e estabilização da articulação podem ajudar a prevenir novas luxações.
A recuperação demora semanas a meses e depende do tipo e do local da lesão, da idade e de outras doenças; nos adultos mais velhos costuma ser mais lenta.
Na nossa consulta de fisioterapia em Bilbao trabalhamos a mobilidade e a força depois de uma luxação (as consultas são em espanhol).

O que diz a pesquisa sobre a imobilização do ombro
Uma revisão Cochrane de 2019 (Braun e McRobert) reuniu sete ensaios, com 704 participantes com uma luxação anterior do ombro reduzida sem cirurgia:
- todos compararam a imobilização com o braço em rotação externa com a imobilização tradicional, em rotação interna;
- não ficou claro se a rotação externa reduz o risco de nova luxação após um ano ou mais;
- os estudos com questionários de instabilidade não encontraram diferenças clinicamente importantes;
- nenhum ensaio avaliou a reabilitação, e a certeza da evidência foi muito baixa.
Onde as fontes divergem
As fontes não cobrem os mesmos pontos:
- A reabilitação: o Manual MSD considera a fisioterapia geralmente necessária; a revisão Cochrane não encontrou nenhum ensaio sobre a reabilitação depois de uma luxação do ombro.
- A posição de imobilização: o Manual MSD descreve a tipoia; a revisão comparou duas posições e não pôde concluir qual é melhor.
- O alcance: o Manual MSD fala de todas as luxações; a revisão estudou só a do ombro.
Pontos-chave sobre a luxação
- Uma luxação é a separação completa dos ossos de uma articulação.
- A causa mais comum é o traumatismo, como quedas ou acidentes.
- Causa dor, inchaço, hematoma, deformidade e incapacidade de usar a parte afetada.
- Pele fria ou azulada, perda de sensibilidade ou lesão grave exigem ir ao pronto-socorro.
- A articulação é recolocada por profissionais e depois imobilizada pouco tempo.
- A fisioterapia ajuda a evitar a rigidez e a recuperar a força.
Perguntas frequentes sobre a luxação
Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.
Qual é a diferença entre luxação e subluxação?
Segundo o Manual MSD, na luxação os ossos da articulação ficam completamente separados; na subluxação, ficam só parcialmente fora do lugar.
Qual é a diferença entre luxação e entorse?
Segundo o Manual MSD, na luxação os ossos saem do lugar; na entorse, rompem-se os ligamentos que prendem os ossos. As duas podem acontecer juntas.
Posso pôr a articulação no lugar sozinho?
O Manual MSD descreve a redução feita por médicos, geralmente com analgésicos ou anestesia e radiografias depois. Até lá, deve imobilizar-se, elevar e aplicar gelo.
Quanto tempo demora a recuperar?
Segundo o Manual MSD, de semanas a meses, conforme o tipo e o local da lesão, a idade e outras doenças; as crianças recuperam mais depressa.
Quando é preciso ir ao pronto-socorro?
Segundo o Manual MSD, se a lesão for grave, houver suspeita de fratura, não se conseguir usar ou apoiar a parte afetada, ou a pele ficar fria, azulada ou sem sensibilidade.
A fisioterapia ajuda depois de uma luxação?
Sim. Segundo o Manual MSD, geralmente é necessária para prevenir a rigidez, e os exercícios podem ajudar a prevenir novas luxações.
Fontes
- Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Considerações gerais sobre luxações
- Braun C, McRobert CJ. Conservative management following closed reduction of traumatic anterior dislocation of the shoulder. Cochrane Database Syst Rev. 2019
Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.

