O que é o freio lingual curto
O freio lingual, ou frênulo da língua, é uma prega de tecido que vai da parte de baixo da língua ao chão da boca. Todos o têm. Fala-se de freio curto, língua presa ou anquiloglossia quando se prende perto da ponta da língua e é curto, apertado ou grosso, limitando os movimentos da língua.
Segundo a revisão Cochrane de O’Shea e colaboradores, de 2017, está presente em 4 % a 11 % dos recém-nascidos. Muitos bebês com freio curto mamam sem problemas; o que importa é se a língua consegue fazer os movimentos de que precisa.
Sinais de língua presa
- A ponta da língua não ultrapassa os lábios ou fica em forma de coração ao esticá-la.
- O bebê tem dificuldade em pegar o peito ou solta-o com frequência.
- Faz estalos ao mamar ou as mamadas são muito longas.
- A mãe tem dor nos mamilos ou feridas que não melhoram com a correção da pega.
- Em crianças maiores, dificuldade em levantar a língua ou em lamber os lábios.
Estes sinais não são exclusivos do freio curto. Por isso, a avaliação é sempre necessária antes de decidir qualquer tratamento.

O teste da linguinha
No Brasil, a Lei 13.002, de 20 de junho de 2014, tornou obrigatória a realização do Protocolo de Avaliação do Frênulo da Língua em Bebês em todos os hospitais e maternidades, nas crianças ali nascidas. É o chamado teste da linguinha.
A avaliação observa a aparência do freio e, sobretudo, a função: como o bebê mexe a língua e como mama. Em Portugal, a avaliação é feita pelo pediatra ou pela equipe que acompanha a amamentação, quando há sinais de alerta.
Freio curto e amamentação
A língua presa é apontada como causa de dificuldades na amamentação e de dor nos mamilos. A frenotomia, um pequeno corte do freio, pode soltar a língua e permitir mamar melhor e com menos dor.
Antes de pensar em cortar, é importante rever a pega e a posição com um profissional de amamentação. Muitas dificuldades têm outras causas e resolvem-se com ajustes simples.
O que mostram os estudos sobre a frenotomia
A revisão Cochrane de 2017 incluiu cinco ensaios aleatorizados com 302 bebês com menos de três meses. Dois estudos não mostraram melhoria da amamentação medida com escalas padronizadas, e um terceiro mostrou melhoria. Em vários estudos, a frenotomia reduziu a dor da mãe ao amamentar. Nenhum estudo registrou efeitos adversos.
Os autores alertam para falhas importantes: amostras pequenas, pouca ocultação e, na maioria, os bebês do grupo de comparação acabaram também por fazer o corte. Por isso, a evidência sobre o efeito na amamentação continua limitada.
O que dizem os especialistas
Em 2020, um painel de otorrinolaringologistas pediátricos da Academia Americana de Otorrinolaringologia publicou um consenso sobre a língua presa em crianças de 0 a 18 anos. De 89 afirmações, 41 alcançaram consenso, 17 ficaram perto e 28 não o alcançaram.
O painel conclui que a falta de acordo em muitos pontos reflete lacunas de conhecimento e falta de evidência sobre o diagnóstico e o tratamento. Ou seja, a decisão de cortar deve ser individual e bem fundamentada.
A língua presa atrasa a fala?
É uma das dúvidas mais frequentes. A língua precisa de mobilidade para alguns sons, como o r ou o l, mas a maioria das crianças com freio curto aprende a falar sem problemas. A relação entre freio curto e dificuldades de fala é um dos temas em que os especialistas ainda não estão de acordo.
Se a criança troca sons, convém uma avaliação de fala completa. Muitas trocas de sons fazem parte do desenvolvimento normal ou têm outras causas, como se explica no guia sobre dislalia.

Tratamento e acompanhamento
- Ajuste da pega e da posição de amamentação, como primeiro passo.
- Frenotomia, um corte simples e rápido do freio, quando há problemas de função claros.
- Em crianças maiores, às vezes uma cirurgia um pouco mais ampla, a frenuloplastia.
- Exercícios de mobilidade da língua orientados pelo fonoaudiólogo, quando indicados.
- Acompanhamento da alimentação e da fala ao longo do desenvolvimento.
A decisão depende da função da língua e das dificuldades concretas, não só da aparência do freio.
Quando avaliar
- Se o bebê tem dificuldade em mamar ou não ganha peso.
- Se a mãe tem dor ou feridas nos mamilos que não melhoram.
- Se a criança não consegue levantar ou esticar a língua.
- Se há dificuldades persistentes com certos sons.
Na consulta de fonoaudiologia avaliamos a função da língua, a alimentação e a fala.
Pontos-chave
- O freio curto afeta 4 % a 11 % dos recém-nascidos.
- No Brasil, o teste da linguinha é obrigatório nas maternidades desde 2014.
- A frenotomia reduziu a dor materna, mas os efeitos na amamentação são inconsistentes.
- Os especialistas não chegam a acordo em muitos pontos por falta de evidência.
- A decisão deve basear-se na função da língua, não só na aparência.
Perguntas frequentes sobre freio lingual
Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.
O que é língua presa?
É um freio lingual curto, apertado ou preso perto da ponta da língua, que limita os seus movimentos.
O que é o teste da linguinha?
É a avaliação do freio da língua nos recém-nascidos, obrigatória no Brasil desde a Lei 13.002 de 2014.
Todo freio curto precisa de corte?
Não. Muitos bebês mamam bem. O corte considera-se quando há problemas de função claros.
A frenotomia dói?
É um procedimento rápido. Nos ensaios da revisão Cochrane, não se registraram efeitos adversos.
Língua presa atrapalha a fala?
A maioria das crianças com freio curto fala sem problemas. Se houver trocas de sons, convém avaliar.
O corte melhora a amamentação?
Reduziu a dor materna nos estudos, mas os resultados sobre a amamentação foram inconsistentes.
Fontes
- O’Shea JE, et al. Frenotomy for tongue-tie in newborn infants. Cochrane Database Syst Rev. 2017
- Messner AH, et al. Clinical consensus statement: ankyloglossia in children. Otolaryngol Head Neck Surg. 2020
- Brasil. Lei nº 13.002, de 20 de junho de 2014: obriga a realização do Protocolo de Avaliação do Frênulo da Língua em Bebês
Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.

