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Freio lingual curto (língua presa): sinais e tratamento

O freio lingual é a pequena prega que prende a língua ao chão da boca. Quando é curto, grosso ou fica muito perto da ponta da língua, fala-se de língua presa ou anquiloglossia. Este guia explica como se avalia, o que se sabe sobre a sua relação com a amamentação e a fala e o que mostram os estudos sobre o pequeno corte do freio, a frenotomia.

Tema
Fonoaudiologia
Atualizado
Tempo de leitura
5 minutos
Revisado por
Dra. Itziar Gotxi Erezuma · Médica especialista em otorrinolaringologia · Colégio de Médicos de Bizkaia n.º 484809757
Uma mãe com o filho pequeno no colo conversa sorridente com uma profissional de saúde numa mesa
A avaliação do freio lingual observa sobretudo a função da língua. Imagem ilustrativa gerada com IA.

O que é o freio lingual curto

O freio lingual, ou frênulo da língua, é uma prega de tecido que vai da parte de baixo da língua ao chão da boca. Todos o têm. Fala-se de freio curto, língua presa ou anquiloglossia quando se prende perto da ponta da língua e é curto, apertado ou grosso, limitando os movimentos da língua.

Segundo a revisão Cochrane de O’Shea e colaboradores, de 2017, está presente em 4 % a 11 % dos recém-nascidos. Muitos bebês com freio curto mamam sem problemas; o que importa é se a língua consegue fazer os movimentos de que precisa.

Sinais de língua presa

  • A ponta da língua não ultrapassa os lábios ou fica em forma de coração ao esticá-la.
  • O bebê tem dificuldade em pegar o peito ou solta-o com frequência.
  • Faz estalos ao mamar ou as mamadas são muito longas.
  • A mãe tem dor nos mamilos ou feridas que não melhoram com a correção da pega.
  • Em crianças maiores, dificuldade em levantar a língua ou em lamber os lábios.

Estes sinais não são exclusivos do freio curto. Por isso, a avaliação é sempre necessária antes de decidir qualquer tratamento.

Uma criança observa num espelho como levanta a língua durante uma atividade guiada por uma fonoaudióloga
Levantar e esticar a língua ajuda a avaliar a sua mobilidade. Imagem ilustrativa gerada com IA.

O teste da linguinha

No Brasil, a Lei 13.002, de 20 de junho de 2014, tornou obrigatória a realização do Protocolo de Avaliação do Frênulo da Língua em Bebês em todos os hospitais e maternidades, nas crianças ali nascidas. É o chamado teste da linguinha.

A avaliação observa a aparência do freio e, sobretudo, a função: como o bebê mexe a língua e como mama. Em Portugal, a avaliação é feita pelo pediatra ou pela equipe que acompanha a amamentação, quando há sinais de alerta.

Freio curto e amamentação

A língua presa é apontada como causa de dificuldades na amamentação e de dor nos mamilos. A frenotomia, um pequeno corte do freio, pode soltar a língua e permitir mamar melhor e com menos dor.

Antes de pensar em cortar, é importante rever a pega e a posição com um profissional de amamentação. Muitas dificuldades têm outras causas e resolvem-se com ajustes simples.

O que mostram os estudos sobre a frenotomia

A revisão Cochrane de 2017 incluiu cinco ensaios aleatorizados com 302 bebês com menos de três meses. Dois estudos não mostraram melhoria da amamentação medida com escalas padronizadas, e um terceiro mostrou melhoria. Em vários estudos, a frenotomia reduziu a dor da mãe ao amamentar. Nenhum estudo registrou efeitos adversos.

Os autores alertam para falhas importantes: amostras pequenas, pouca ocultação e, na maioria, os bebês do grupo de comparação acabaram também por fazer o corte. Por isso, a evidência sobre o efeito na amamentação continua limitada.

O que dizem os especialistas

Em 2020, um painel de otorrinolaringologistas pediátricos da Academia Americana de Otorrinolaringologia publicou um consenso sobre a língua presa em crianças de 0 a 18 anos. De 89 afirmações, 41 alcançaram consenso, 17 ficaram perto e 28 não o alcançaram.

O painel conclui que a falta de acordo em muitos pontos reflete lacunas de conhecimento e falta de evidência sobre o diagnóstico e o tratamento. Ou seja, a decisão de cortar deve ser individual e bem fundamentada.

A língua presa atrasa a fala?

É uma das dúvidas mais frequentes. A língua precisa de mobilidade para alguns sons, como o r ou o l, mas a maioria das crianças com freio curto aprende a falar sem problemas. A relação entre freio curto e dificuldades de fala é um dos temas em que os especialistas ainda não estão de acordo.

Se a criança troca sons, convém uma avaliação de fala completa. Muitas trocas de sons fazem parte do desenvolvimento normal ou têm outras causas, como se explica no guia sobre dislalia.

Uma criança conversa com a mãe e uma fonoaudióloga durante uma sessão de comunicação
A maioria das crianças com freio curto aprende a falar sem problemas. Imagem ilustrativa gerada com IA.

Tratamento e acompanhamento

  • Ajuste da pega e da posição de amamentação, como primeiro passo.
  • Frenotomia, um corte simples e rápido do freio, quando há problemas de função claros.
  • Em crianças maiores, às vezes uma cirurgia um pouco mais ampla, a frenuloplastia.
  • Exercícios de mobilidade da língua orientados pelo fonoaudiólogo, quando indicados.
  • Acompanhamento da alimentação e da fala ao longo do desenvolvimento.

A decisão depende da função da língua e das dificuldades concretas, não só da aparência do freio.

Quando avaliar

  • Se o bebê tem dificuldade em mamar ou não ganha peso.
  • Se a mãe tem dor ou feridas nos mamilos que não melhoram.
  • Se a criança não consegue levantar ou esticar a língua.
  • Se há dificuldades persistentes com certos sons.

Na consulta de fonoaudiologia avaliamos a função da língua, a alimentação e a fala.

Pontos-chave

  • O freio curto afeta 4 % a 11 % dos recém-nascidos.
  • No Brasil, o teste da linguinha é obrigatório nas maternidades desde 2014.
  • A frenotomia reduziu a dor materna, mas os efeitos na amamentação são inconsistentes.
  • Os especialistas não chegam a acordo em muitos pontos por falta de evidência.
  • A decisão deve basear-se na função da língua, não só na aparência.

Perguntas frequentes sobre freio lingual

Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.

O que é língua presa?

É um freio lingual curto, apertado ou preso perto da ponta da língua, que limita os seus movimentos.

O que é o teste da linguinha?

É a avaliação do freio da língua nos recém-nascidos, obrigatória no Brasil desde a Lei 13.002 de 2014.

Todo freio curto precisa de corte?

Não. Muitos bebês mamam bem. O corte considera-se quando há problemas de função claros.

A frenotomia dói?

É um procedimento rápido. Nos ensaios da revisão Cochrane, não se registraram efeitos adversos.

Língua presa atrapalha a fala?

A maioria das crianças com freio curto fala sem problemas. Se houver trocas de sons, convém avaliar.

O corte melhora a amamentação?

Reduziu a dor materna nos estudos, mas os resultados sobre a amamentação foram inconsistentes.

Fontes

  1. O’Shea JE, et al. Frenotomy for tongue-tie in newborn infants. Cochrane Database Syst Rev. 2017
  2. Messner AH, et al. Clinical consensus statement: ankyloglossia in children. Otolaryngol Head Neck Surg. 2020
  3. Brasil. Lei nº 13.002, de 20 de junho de 2014: obriga a realização do Protocolo de Avaliação do Frênulo da Língua em Bebês

Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.