Onde dói: um mapa das causas
- Lado do polegar: síndrome de Quervain, artrose da base do polegar (rizartrose), fratura do escafoide depois de uma queda.
- Lado do dedo mínimo: lesões do complexo da fibrocartilagem triangular, tendinopatias do cubital, sobrecargas nos esportes de raquete.
- Dorso do punho: gânglios, sobrecargas por apoio, como nas flexões ou no ioga.
- Parte de dentro, do lado da palma: síndrome do túnel do carpo, muitas vezes com formigamento nos dedos.
É uma orientação: várias causas podem coexistir, e o punho direito ou esquerdo tem as mesmas causas. O diagnóstico exige uma consulta.

Síndrome de Quervain
O Manual MSD descreve-a como o inchaço e a inflamação dos tendões, ou da bainha dos tendões, que levam o polegar para fora. Dá uma dor latejante no punho, do lado do polegar, que vai até a base do dedo e piora com o movimento. Antes era atribuída sobretudo ao uso repetido; hoje pensa-se que contam também fatores hormonais e genéticos. É frequente em pais e mães de bebês e em quem faz gestos repetidos.
Um teste simples consiste em fechar o polegar dentro da mão, dobrar os dedos por cima e inclinar o punho para o lado do dedo mínimo: se a dor aumenta muito do lado do polegar, a síndrome de Quervain é provável. O tratamento passa por evitar os movimentos que doem, tala para o polegar e, se não melhorar, infiltração de corticoide; a cirurgia reserva-se para os casos que não respondem.
Túnel do carpo: quando a dor formiga
Se, além da dor, sente formigamento ou dormência no polegar, no indicador e no médio, sobretudo à noite ou ao acordar, a causa mais provável é a síndrome do túnel do carpo, uma compressão do nervo mediano no punho.
Sacudir a mão dá muitas vezes alívio. Com o tempo pode aparecer fraqueza ao segurar objetos. O Manual MSD indica que os sintomas costumam aliviar com analgésicos, talas e, às vezes, injeção de corticoide ou cirurgia.
Gânglios (quistos sinoviais)
Os gânglios são inchaços cheios de um líquido gelatinoso que nascem de uma articulação ou da bainha de um tendão. Veem-se muitas vezes no dorso do punho como uma bolinha mole, às vezes dolorosa, que pode mudar de tamanho com o tempo.
O Manual MSD explica que em geral não dão sintomas e que, quando dão, o líquido pode ser retirado com uma agulha ou o gânglio removido com cirurgia. Não convém tentar rebentá-los apertando ou picando em casa.
Depois de uma queda: entorse ou fratura?
A queda com a mão aberta é o traumatismo mais frequente do punho. Pode causar uma entorse, ou seja, uma lesão dos ligamentos, ou uma fratura do rádio ou do escafoide, um pequeno osso na base do polegar.
A fratura do escafoide merece atenção: a dor pode ser moderada e a primeira radiografia pode sair normal. Se depois de uma queda tem dor na base do polegar, na chamada «tabaqueira anatômica», o médico pode imobilizar o punho e repetir os exames. Uma fratura do escafoide sem tratamento pode consolidar mal.
Sobrecargas e artrose
O uso repetido do punho, no trabalho, no esporte ou em casa, pode irritar tendões e articulações. São frequentes as sobrecargas em trabalhos manuais, em quem usa muito o mouse (rato) e o teclado, nos esportes de raquete, na musculação e nas modalidades com apoio nas mãos.
A artrose do punho é menos comum do que a da mão; mais frequente é a rizartrose, a artrose da base do polegar, que dói ao rodar chaves, abrir frascos ou apertar objetos. Se um dedo trava dobrado e estala, a causa é outra: veja a guia sobre dedo em gatilho.
O que pode fazer em casa
- Reduzir durante alguns dias os gestos que mais doem, sem imobilizar totalmente o punho.
- Usar uma tala de punho ou de polegar sobretudo à noite ou nas atividades mais exigentes.
- Aplicar gelo depois de um traumatismo recente, ou calor nas dores de sobrecarga, se aliviar; o Manual MSD refere a imersão em água morna na síndrome de Quervain.
- Adaptar o posto de trabalho: punho em posição neutra, pausas frequentes.
- Retomar os movimentos aos poucos com exercícios suaves de mobilidade e de preensão.
Exercícios e fisioterapia
Quando a dor o permite, os exercícios ajudam a recuperar a mobilidade e a força: dobrar e esticar o punho, rodar o antebraço, apertar uma bola macia, levantar pequenos pesos com movimentos lentos. A dor durante os exercícios deve ficar ligeira.
Na consulta de fisioterapia avaliamos a causa da dor, aconselhamos a tala adequada, propomos exercícios específicos e orientamos o regresso ao trabalho ou ao esporte.

Quando procurar avaliação
- Depois de uma queda com dor, inchaço ou deformidade.
- Dor na base do polegar depois de um traumatismo, mesmo que moderada.
- Formigamento ou dormência que piora, ou fraqueza da mão.
- Punho quente, vermelho e inchado, sobretudo com febre.
- Dor que não melhora depois de 2–3 semanas de repouso relativo.
- Um inchaço que cresce ou muda de aspeto.
Pontos-chave
- A zona da dor orienta para a causa mais provável.
- Quervain no lado do polegar, túnel do carpo com formigamento, gânglios no dorso.
- Depois de uma queda com dor na base do polegar é preciso consulta.
- Repouso relativo, talas e exercícios são as medidas de base.
- Dor persistente, febre ou perda de força pedem avaliação.
Perguntas frequentes sobre dor no punho
Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.
Gelo ou calor no punho?
Gelo nos primeiros dias depois de um traumatismo; nas dores de sobrecarga, escolha o que alivia mais.
A tala deve ser usada sempre?
Em geral não: usa-se à noite ou nas atividades que doem, para não enfraquecer o punho.
O mouse pode causar dor no punho?
Sim, o uso prolongado numa posição incorreta pode sobrecarregá-lo. Pausas e um posto de trabalho adequado ajudam.
Um gânglio no punho é perigoso?
Em geral não, é benigno. Mostre ao médico um inchaço que cresce ou muda de aspeto.
Depois de uma queda preciso de radiografia?
Se há dor importante, inchaço ou dor na base do polegar, sim: deve ser avaliado pelo médico.
Quanto tempo dura uma síndrome de Quervain?
Com repouso relativo e tala muitas vezes melhora em algumas semanas; nos casos persistentes avalia-se uma infiltração.
Fontes
- Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Síndrome de Quervain
- Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Síndrome do túnel do carpo
- Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Gânglios
Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.

