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Disartria: o que é, sintomas e tratamento

A disartria é a perda da capacidade de articular as palavras de forma normal. Segundo o Manual MSD, embora possa parecer um problema de linguagem, trata-se de um problema para controlar os músculos da fala, ou seja, um problema motor. Este guia explica o que é a disartria, quais são as causas, como se manifesta, como é diagnosticada e como a fonoaudiologia, também chamada terapia da fala, pode ajudar.

Tema
Fonoaudiologia
Atualizado
Tempo de leitura
6 minutos
Revisado por
Dra. Itziar Gotxi Erezuma · Médica especialista em otorrinolaringologia · Colégio de Médicos de Bizkaia n.º 484809757
Fonoaudiólogo avalia a fala de um paciente
Um fonoaudiólogo muitas vezes ajuda na avaliação da disartria. Imagem ilustrativa gerada com IA.

O que é a disartria

A disartria é a perda da capacidade de articular as palavras de forma normal. Segundo o Manual MSD, ainda que possa parecer um problema de linguagem, trata-se, de fato, de um problema para controlar os músculos da fala: um problema motor.

Uma revisão Cochrane (Mitchell e colaboradores, 2017) descreve a disartria como uma perturbação adquirida da fala, que aparece após uma lesão neurológica e reduz a inteligibilidade da fala por um controle muscular fraco, impreciso, lento ou descoordenado. Segundo os autores, o impacto da disartria vai além da comunicação e afeta o funcionamento psicossocial.

Disartria, afasia e apraxia da fala

Na disartria, a capacidade para compreender e para utilizar a linguagem não é afetada. Por isso, segundo o Manual MSD, a maior parte das pessoas com disartria lê e escreve normalmente, e as pessoas conseguem pronunciar sons semelhantes às palavras que querem dizer e na ordem correta.

É diferente dos problemas da linguagem, como a afasia, e da apraxia da fala, que têm guias próprios no nosso blog.

Causas da disartria

Segundo o Manual MSD, a disartria pode ser causada pela lesão de estruturas do sistema nervoso que controlam os movimentos usados para falar:

  • Cerebelo: localizado entre o telencéfalo e o tronco encefálico, coordena os movimentos do corpo.
  • Gânglios basais: um amplo conjunto de células nervosas que ajuda a coordenar e suavizar os movimentos.
  • Tronco cerebral: controla os músculos usados na respiração e os usados para ajudar a fazer sons.
  • Fibras nervosas que ligam o córtex cerebral ao tronco cerebral e transmitem a informação para controlar os músculos dos lábios, da língua, do palato e das cordas vocais.
  • Junção neuromuscular: o ponto onde os nervos se ligam aos músculos.

Que doenças podem provocar disartria

Segundo o Manual MSD, essas estruturas podem ser lesionadas por:

  • doenças degenerativas, como a esclerose lateral amiotrófica, a doença de Parkinson e a doença de Huntington,
  • esclerose múltipla,
  • traumatismo craniano,
  • tumores cerebrais,
  • acidentes vasculares cerebrais (AVC),
  • infecções, como a doença de Lyme.

A revisão Cochrane estudou sobretudo pessoas com disartria após um AVC e outras lesões cerebrais adquiridas e não progressivas na idade adulta, como traumatismo, infecção, tumor ou cirurgia.

Sintomas da disartria: como soa a fala

As pessoas com disartria são capazes de pronunciar sons semelhantes às palavras que querem dizer e na ordem correta. No entanto, dependendo do local da lesão, a fala pode ser:

  • espasmódica,
  • com a respiração interrompida,
  • irregular,
  • imprecisa,
  • monótona.

Segundo o Manual MSD, as doenças que causam disartria também podem causar dificuldade na mastigação e na deglutição.

Diagnóstico e exames

Para diagnosticar a disartria, o médico pergunta pelos sintomas e faz um exame físico. Um fonoaudiólogo (terapeuta da fala) muitas vezes ajuda na avaliação. Segundo o Manual MSD, o profissional pode:

  • pedir à pessoa que faça tarefas simples, como soprar uma vela, morder o lábio inferior e pôr a língua para fora, para avaliar a força e o movimento dos músculos da fala,
  • pedir à pessoa que repita palavras e frases, cante e conte, para detectar problemas como a respiração e a fala espasmódica,
  • aplicar testes padronizados de função cerebral (testes neuropsicológicos), que também ajudam a planejar o tratamento e a prever a recuperação.

São feitos exames de imagem, como a tomografia computadorizada (TC) ou a ressonância magnética (RM), para ajudar a identificar a causa. A deglutição também é avaliada, geralmente com estudos radiográficos com bário e, ocasionalmente, com endoscopia.

Segundo o Manual MSD, podem ser feitos outros testes de acordo com a causa suspeita, como exames de sangue e urina, uma punção lombar, um eletroencefalograma (EEG), uma eletromiografia e estudos de condução nervosa.

Profissional de saúde avalia um paciente na consulta
Os exames ajudam a encontrar a causa; a deglutição também é avaliada. Imagem ilustrativa gerada com IA.

Tratamento: fonoaudiologia (terapia da fala)

Segundo o Manual MSD, a fonoaudiologia auxilia alguns indivíduos com disartria. Pode envolver:

  • exercícios de respiração,
  • exercícios musculares,
  • a repetição de palavras ou frases.

Se a disartria for grave, os terapeutas podem recomendar uma carta ou cartão de imagens, ou um dispositivo baseado num computador, com teclado e tela (ecrã) de mensagem.

Na nossa consulta de fonoaudiologia (terapia da fala) em Bilbao avaliamos a fala e planejamos os exercícios (as consultas são em espanhol).

Sessão de exercícios de fala com um terapeuta
A fonoaudiologia pode incluir exercícios de respiração e a repetição de palavras. Imagem ilustrativa gerada com IA.

O que diz a pesquisa sobre a terapia

A revisão Cochrane de Mitchell e colaboradores (2017) reuniu cinco ensaios clínicos pequenos, com 234 participantes, quase todos com disartria após um AVC. Três estudaram terapias comportamentais, um a acupuntura e outro a estimulação magnética transcraniana:

  • não houve evidência de um efeito que persistisse de três a nove meses depois da intervenção, em comparação com qualquer controle,
  • logo após a intervenção, houve um efeito favorável nas medidas da própria alteração da fala, mas com evidência de qualidade muito baixa,
  • nenhum estudo comparou uma intervenção com nenhuma intervenção, e nenhum tinha tamanho suficiente.

Segundo os autores, os benefícios e riscos das intervenções continuam desconhecidos e são necessários ensaios maiores. Entretanto, as pessoas com disartria após um AVC ou lesão cerebral devem continuar a receber reabilitação de acordo com as diretrizes clínicas.

Onde as fontes divergem

As duas fontes olham para a disartria de forma diferente:

  • Benefício da terapia: o Manual MSD diz que a fonoaudiologia auxilia alguns indivíduos com disartria. A revisão Cochrane não encontrou evidência de um efeito duradouro e só um possível efeito imediato, com evidência de qualidade muito baixa.
  • Que causas: o Manual MSD inclui doenças degenerativas, como a doença de Parkinson ou a esclerose lateral amiotrófica. A revisão só incluiu lesões não progressivas, sobretudo o AVC, por isso não informa sobre as doenças degenerativas.

Pontos-chave sobre a disartria

  • A disartria é a perda da capacidade de articular as palavras de forma normal.
  • É um problema motor: a compreensão e o uso da linguagem não são afetados.
  • Pode ser causada por AVC, traumatismo craniano, tumores, esclerose múltipla ou doenças degenerativas.
  • A fala pode ser espasmódica, irregular, imprecisa ou monótona.
  • O diagnóstico inclui tarefas simples com a boca e a língua, testes e exames de imagem.
  • A fonoaudiologia (terapia da fala) auxilia alguns indivíduos; nos casos graves, há dispositivos de comunicação.

Perguntas frequentes sobre disartria

Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.

Qual é a diferença entre disartria e afasia?

Na disartria, o problema está no controle dos músculos da fala; a compreensão e o uso da linguagem não são afetados. Por isso, a maior parte das pessoas com disartria lê e escreve normalmente.

A disartria tem cura?

As fontes não falam de cura. Segundo o Manual MSD, a fonoaudiologia auxilia alguns indivíduos, e a revisão Cochrane considera desconhecidos os benefícios das intervenções.

A disartria afeta a deglutição?

Pode afetar. Segundo o Manual MSD, as doenças que causam disartria também podem causar dificuldade na mastigação e na deglutição, e a deglutição é avaliada no diagnóstico.

Que exercícios são usados na disartria?

A fonoaudiologia pode envolver exercícios de respiração e musculares e a repetição de palavras ou frases.

O que fazer se a disartria for grave?

Os terapeutas podem recomendar uma carta ou cartão de imagens, ou um dispositivo baseado num computador com teclado e tela de mensagem.

Quem faz o diagnóstico da disartria?

O médico, que pergunta pelos sintomas e faz um exame físico, muitas vezes com a ajuda de um fonoaudiólogo (terapeuta da fala).

Fontes

  1. Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Disartria
  2. Mitchell C, et al. Interventions for dysarthria due to stroke and other adult-acquired, non-progressive brain injury. Cochrane Database Syst Rev. 2017

Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.