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Menisco do joelho: para que serve, lesões e tratamento

Os meniscos são duas pequenas almofadas de cartilagem dentro do joelho. Ouvimos falar deles quando algo corre mal: uma torção no futebol, um agachamento que deixa o joelho dorido ou uma ressonância que mostra uma «rotura». Saber como funcionam e o que dizem os estudos ajuda a perceber por que muitas lesões do menisco se tratam sem cirurgia.

Tema
Fisioterapia
Atualizado
Tempo de leitura
6 minutos
Revisado por
Dra. Itziar Gotxi Erezuma · Médica especialista em otorrinolaringologia · Colégio de Médicos de Bizkaia n.º 484809757
Uma mulher toca o lado interno do joelho depois de uma caminhada
A dor na linha interna do joelho é típica das lesões do menisco medial. Imagem ilustrativa gerada com IA.

O que é o menisco e para que serve

Cada joelho tem dois meniscos, o interno (medial) e o externo (lateral), com forma de meia-lua. Ficam entre o fêmur, o osso da coxa, e a tíbia, o osso da canela. Segundo o Manual MSD, funcionam como amortecedores e ajudam a estabilizar a articulação.

Distribuem as cargas que passam pelo joelho ao caminhar, correr ou saltar, aumentam a superfície de contato entre os ossos e protegem a cartilagem. Também contribuem para a estabilidade, sobretudo quando os ligamentos estão lesionados.

Só a parte externa do menisco tem bom fornecimento de sangue. Por isso as lesões na periferia têm mais capacidade de cicatrizar do que as da parte interna, um detalhe que pesa na decisão de reparar ou não uma rotura.

Uma fisioterapeuta mostra o interior da articulação do joelho num modelo anatômico
Os meniscos ficam entre o fêmur e a tíbia. Imagem ilustrativa gerada com IA.

Como o menisco se lesiona

Há dois grandes tipos de lesão. A rotura traumática aparece sobretudo em pessoas jovens e ativas, quando o joelho torce com o pé apoiado no chão, como numa mudança de direção no futebol, no basquete ou no esqui. O Manual MSD descreve exatamente este mecanismo: o peso sobre um pé e o joelho a rodar.

A rotura degenerativa é típica a partir dos 35 a 40 anos. O menisco vai perdendo elasticidade com a idade e pode romper-se com um gesto banal, como levantar-se de um agachamento, ou até sem nenhum gesto lembrado. Muitas vezes acompanha os primeiros sinais de artrose.

As lesões do menisco podem surgir isoladas ou junto com lesões dos ligamentos, em especial do ligamento cruzado anterior.

Sintomas de lesão no menisco

  • Dor na linha da articulação, por dentro ou por fora do joelho.
  • Inchaço, que numa lesão aguda pode aparecer nas horas seguintes ou no dia seguinte.
  • Dor ao agachar, ao rodar o corpo com o pé fixo ou ao subir e descer escadas.
  • Sensação de algo preso ou estalidos dolorosos.
  • Bloqueio: o joelho fica preso e não estica por completo, o que o Manual MSD chama travamento.
  • Sensação de que o joelho falha, sobretudo se também há lesão de ligamentos.

Como se faz o diagnóstico

O médico ou o fisioterapeuta pergunta como começou a dor e examina o joelho com manobras que comprimem e rodam a articulação. Na fase aguda, a dor e o inchaço podem dificultar o exame, e o Manual MSD lembra que algumas provas ficam para alguns dias depois.

A ressonância magnética mostra o menisco, mas deve ser interpretada com cuidado: a partir da meia-idade, muitas pessoas sem qualquer dor têm alterações do menisco na ressonância. Uma «rotura» na imagem não significa que seja ela a causa de todos os sintomas.

Se há trauma importante, dor intensa ou incapacidade para apoiar o peso, pede-se primeiro uma radiografia para descartar fraturas.

Tratamento sem cirurgia

Na maioria das lesões, sobretudo nas degenerativas, o tratamento começa por medidas conservadoras: controlar a dor e o inchaço, ajustar temporariamente as atividades que pioram e iniciar um programa de exercícios. O Manual MSD menciona repouso, gelo, compressão e elevação nos primeiros dias e exercícios de fortalecimento nas lesões leves e moderadas.

O ensaio clínico de Kise e colaboradores, com pessoas de 35 a 60 anos e rotura degenerativa, comparou 12 semanas de exercício supervisionado com a meniscectomia parcial artroscópica: aos dois anos, os resultados foram semelhantes, e o grupo do exercício ganhou mais força muscular.

O exercício trabalha a força do quadríceps, dos isquiotibiais e do quadril, o equilíbrio e o controle do movimento. Na nossa clínica, este programa é feito na consulta de fisioterapia.

Quando operar o menisco

O ensaio de Sihvonen e colaboradores, publicado no New England Journal of Medicine, comparou a meniscectomia parcial artroscópica com uma cirurgia simulada em pessoas com rotura degenerativa sem artrose: a melhora foi semelhante nos dois grupos. Desde então, as recomendações desaconselham operar de rotina as roturas degenerativas.

A cirurgia continua a ter lugar em situações concretas: um joelho bloqueado que não estica, roturas traumáticas em pessoas jovens, sobretudo se puderem ser reparadas (suturadas), lesões associadas a rotura de ligamentos ou dor que não melhora após um tratamento conservador bem feito.

Sempre que possível, prefere-se reparar o menisco em vez de retirar uma parte, porque retirar menisco aumenta a carga sobre a cartilagem a longo prazo.

Exercícios que costumam ajudar

  • Contração do quadríceps com a perna esticada, nas fases iniciais.
  • Elevação da perna esticada deitado de costas.
  • Ponte de glúteos e exercícios de abdução do quadril.
  • Agachamento parcial apoiado, sem chegar à amplitude que dói.
  • Equilíbrio num pé, primeiro no chão firme e depois em superfícies instáveis.
  • Bicicleta estática com pouca resistência para manter o movimento.
Uma fisioterapeuta acompanha uma paciente durante um exercício de equilíbrio em pé
O equilíbrio faz parte da reabilitação do menisco. Imagem ilustrativa gerada com IA.

Quanto tempo leva a recuperação

Com tratamento conservador, muitas pessoas notam melhora em seis a doze semanas de exercício regular. A dor pode ter altos e baixos e convém não abandonar o programa ao primeiro alívio.

Depois de uma meniscectomia parcial, a volta às atividades costuma ser rápida, de algumas semanas. Depois de uma sutura do menisco, a recuperação é mais lenta, com proteção do joelho e regresso ao esporte em vários meses, porque o menisco precisa de tempo para cicatrizar.

Em qualquer caso, o regresso ao esporte depende de recuperar a força, a mobilidade e a confiança no joelho, não apenas do tempo passado.

Quando procurar avaliação

Procure avaliação rápida se o joelho fica bloqueado e não consegue esticá-lo, se incha muito logo após uma torção, se não consegue apoiar o peso ou se sente que o joelho falha repetidamente.

Convém consultar também se a dor no joelho dura mais de algumas semanas, se atrapalha o trabalho ou o sono ou se volta sempre que tenta retomar o esporte.

Febre com um joelho quente, vermelho e inchado, sem trauma, é uma urgência, porque pode tratar-se de uma infecção da articulação.

Pontos-chave

  • Os meniscos amortecem e estabilizam o joelho.
  • As roturas podem ser traumáticas (jovens) ou degenerativas (a partir da meia-idade).
  • Nas degenerativas, o exercício dá resultados semelhantes aos da cirurgia.
  • O bloqueio verdadeiro do joelho é uma das indicações para operar.
  • Uma rotura na ressonância nem sempre explica a dor.

Perguntas frequentes sobre o menisco

Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.

Lesão no menisco cicatriza sozinha?

As da parte externa, com melhor irrigação, podem cicatrizar; muitas outras deixam de doer com exercício, mesmo sem cicatrizar.

Posso caminhar com o menisco rompido?

Em geral sim, se a dor permitir; caminhar ajuda a manter o joelho ativo.

Joelheira ajuda?

Pode dar sensação de segurança por pouco tempo, mas não substitui o fortalecimento.

Infiltração serve para o menisco?

Pode aliviar a dor em alguns casos, mas não repara o menisco; a decisão é médica.

Correr faz mal ao menisco?

Não necessariamente; volta-se à corrida de forma progressiva quando o joelho tolera.

Menisco rompido leva a artrose?

Aumenta o risco a longo prazo, sobretudo se se retira parte do menisco; manter a força muscular protege.

Fontes

  1. Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Entorses no joelho e lesões relacionadas
  2. Kise NJ, et al. Exercise therapy versus arthroscopic partial meniscectomy for degenerative meniscal tear in middle aged patients: randomised controlled trial with two year follow-up. BMJ. 2016
  3. Sihvonen R, et al. Arthroscopic partial meniscectomy versus sham surgery for a degenerative meniscal tear. N Engl J Med. 2013

Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.