O que é condromalácia patelar
Segundo o Manual MSD, a condromalácia patelar é o amolecimento, inchaço e desgaste da cartilagem que reveste a parte de trás da rótula (patela). Essa cartilagem desliza sobre o fêmur cada vez que dobramos e esticamos o joelho.
Hoje muitos profissionais preferem falar de dor patelofemoral, porque a intensidade da dor nem sempre corresponde ao que se vê na ressonância: há pessoas com alterações da cartilagem sem dor e pessoas com dor e cartilagem quase normal. O nome muda, mas o tratamento é o mesmo.
É frequente em adolescentes e adultos jovens ativos, sobretudo em mulheres, e também em quem corre, salta ou pratica esportes com muitas mudanças de direção.
Sintomas de condromalácia patelar
- Dor surda ao redor ou atrás da rótula.
- Dor ao subir e, sobretudo, ao descer escadas ou ladeiras.
- Dor ao agachar, ajoelhar ou saltar.
- Dor depois de muito tempo sentado com o joelho dobrado, como no cinema ou no carro.
- Estalidos ou sensação de areia ao mexer o joelho, em geral sem importância.
- Normalmente sem grande inchaço: um joelho muito inchado sugere outro problema.
Por que aparece
O Manual MSD aponta como causa provável um alinhamento ou movimento anômalo da rótula, que faz com que ela friccione mais contra o fêmur. Contribuem a fraqueza dos músculos da coxa, em especial do quadríceps, a fraqueza dos músculos do quadril, a rotação excessiva do pé para dentro e a rigidez de músculos e tendões da perna.
O excesso de carga também conta: aumentar de repente a corrida, os saltos ou os treinos de agachamento pode desencadear a dor, mesmo sem alterações estruturais.
Pancadas diretas na rótula e luxações prévias também podem lesar a cartilagem, mas são causas menos frequentes.
Como se faz o diagnóstico
O diagnóstico baseia-se nos sintomas e no exame físico. O profissional observa o alinhamento da perna, a força do quadríceps e do quadril, o movimento da rótula e reproduz a dor com gestos como o agachamento.
Segundo o Manual MSD, às vezes pede-se uma radiografia para ver os ossos ou uma ressonância magnética para avaliar a cartilagem. A diretriz de prática clínica sobre dor patelofemoral lembra, no entanto, que a imagem não é necessária na maioria dos casos e deve ficar para quando há suspeita de outras lesões.
É importante descartar outras causas de dor na frente do joelho, como a tendinite patelar, que dói logo abaixo da rótula, ou lesões do menisco, que costumam dar dor na linha da articulação e bloqueios.
Condromalácia patelar tem cura?
A pergunta é muito frequente. A cartilagem tem pouca capacidade de se regenerar, mas a dor patelofemoral costuma melhorar muito, e em muitos casos desaparecer, quando se fortalecem os músculos e se ajusta a carga. Ou seja: o objetivo realista é um joelho sem dor e funcional, não necessariamente uma ressonância perfeita.
A evolução costuma ser de semanas a meses. Algumas pessoas têm recaídas quando voltam a aumentar a carga muito depressa, por isso o exercício deve continuar depois de a dor melhorar.
A cirurgia raramente é necessária. O Manual MSD menciona que, ocasionalmente, se alisa a superfície da rótula por artroscopia, mas é uma opção reservada para casos que não respondem ao tratamento conservador bem feito.
Exercícios recomendados
- Fortalecimento do quadríceps: extensão do joelho sentado, agachamento parcial apoiado, leg press com amplitude que não dói.
- Fortalecimento do quadril: ponte, abertura lateral da perna deitado de lado, exercício da «ostra».
- Alongamento do quadríceps, dos isquiotibiais e da panturrilha.
- Equilíbrio num pé só, quando a dor permitir.
- Começar com pouca carga e aumentar aos poucos; uma dor leve durante o exercício é aceitável se não piorar no dia seguinte.
- O consenso de Crossley e colaboradores recomenda combinar exercícios de quadril e joelho, de preferência com orientação de um fisioterapeuta.

O que evitar e como adaptar o dia a dia
O Manual MSD aconselha evitar durante alguns dias as atividades que pioram a dor, normalmente as que exigem dobrar muito o joelho com carga. Isso não significa repouso total: manter-se ativo dentro do que o joelho tolera é melhor do que parar.
Algumas adaptações úteis: descer escadas com calma, apoiando-se no corrimão; levantar-se e esticar a perna de tempos a tempos quando passa muito tempo sentado; reduzir temporariamente o volume de corrida ou de saltos; evitar agachamentos profundos com peso enquanto a dor está alta.
Anti-inflamatórios podem aliviar a dor por curtos períodos, mas não substituem o exercício. Palmilhas podem ajudar algumas pessoas com pronação acentuada, e bandas ou ligaduras na rótula podem dar alívio a curto prazo.

O papel da fisioterapia
A diretriz de prática clínica de Willy e colaboradores recomenda o exercício terapêutico centrado no quadril e no joelho como a intervenção principal para reduzir a dor e melhorar a função a curto, médio e longo prazo. O fisioterapeuta ajusta os exercícios à fase em que a pessoa está e ensina a gerir a carga.
Também pode usar terapia manual, educação sobre a dor e, em alguns casos, palmilhas ou bandas como complemento por pouco tempo. Isoladamente, essas medidas têm menos efeito do que o exercício.
Na nossa clínica, a avaliação e o plano de exercícios são feitos na consulta de fisioterapia, em coordenação com o médico quando é preciso.
Quando procurar um profissional
Convém consultar se a dor persiste mais de algumas semanas apesar de reduzir a atividade, se atrapalha o trabalho, o esporte ou o sono, ou se volta sempre que tenta aumentar a carga.
Procure avaliação mais rápida se o joelho incha muito, trava, falha de repente, se não consegue apoiar o peso ou se a dor começou depois de uma torção ou pancada forte: esses sinais sugerem outras lesões, como do menisco ou dos ligamentos.
Em adolescentes com dor no joelho que se irradia da coxa ou do quadril, também é importante examinar o quadril.
Pontos-chave
- Condromalácia patelar é uma forma de dor na frente do joelho, ligada à rótula.
- Escadas, agachamentos e muito tempo sentado costumam piorar a dor.
- O exercício de quadril e joelho é o tratamento principal.
- A dor pode melhorar muito mesmo sem a cartilagem «voltar ao normal».
- Inchaço, bloqueio ou falha do joelho pedem avaliação.
Perguntas frequentes sobre condromalácia patelar
Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.
Posso correr com condromalácia patelar?
Muitas pessoas podem, reduzindo o volume e aumentando aos poucos, desde que a dor não piore no dia seguinte.
Agachamento faz mal?
Agachamentos parciais e sem dor são parte do tratamento; os profundos com muito peso devem esperar.
Joelheira ajuda?
Pode dar alívio temporário, mas não substitui o fortalecimento.
Condromalácia vira artrose?
Nem sempre; a maioria das pessoas com dor patelofemoral não evolui para artrose grave.
Quanto tempo dura o tratamento?
Em geral, de seis a doze semanas de exercício regular para notar melhora clara.
Preciso de ressonância?
Na maioria dos casos não; o diagnóstico é clínico.
Fontes
- Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Condromalácia patelar
- Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Dor na parte frontal do joelho
- Crossley KM, et al. 2016 Patellofemoral pain consensus statement from the 4th International Patellofemoral Pain Research Retreat, Manchester. Part 2: recommended physical interventions. Br J Sports Med. 2016
- Willy RW, et al. Patellofemoral pain: clinical practice guidelines. J Orthop Sports Phys Ther. 2019
Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.

